Wednesday, June 13, 2007

CEM ANOS DEPOIS

A 12 Junho de 1907, saía da chancelaria do rei Dom Carlos, o decreto que nomeava pároco da freguesia do Souto da Carpalhosa o P. Jacinto António Lopes, natural de Carvide, membro ilustre do clero da diocese de Coimbra, à qual pertencia então a referida freguesia.
Marcado já pela doença que, além de outros estragos, poucos anos depois o privaria definitivamente da visão, realizou, no entanto, uma obra pastoral de tal ordem, que ainda hoje se podem descobrir, nas duas paróquias cujo território corresponde ao daquela que lhe foi confiada e da qual tomou posse no mês de Julho seguinte, vestígios dos quase trinta e um anos do seu ministério.
Todos sabemos que o primeiro sintoma de decadência de um povo é a perda da memória. Aliás, isso acontece a todos os níveis, das pessoas e das instituições. Daí a importância que, desde sempre, a Igreja deu à recordação daqueles que deram um particular testemunho de vida, os santos.
Será também por isso que assistimos hoje a uma luta de certas ideologias contra a memória histórica que define a identidade dos povos, ao mesmo tempo que se procura sistematicamente avivar feridas mais ou menos recentes, sobretudo quando podem lançar o descrédito sobre determinadas instituições.
É por isso que não posso evitar uma certa tristeza ao reparar que, pelo menos que eu saiba, nem a nível pessoal nem das instituições, nenhuma iniciativa tenha surgido para recordar este centenário, que podia também ter servido de pretexto à recordação de tanta gente sem a qual o P. Jacinto não poderia ter realizado a obra que realizou.

3 Comments:

Blogger alx said...

Caríssimo Pe. (e amigo) Pascoal

e, porque não, no decorrer do centenário, o senhor tentar organizar algo nesse sentido!?

Tenho a certeza que encontrará ajudas, apoios mais do que suficientes!!!


Abraço

4:11 PM  
Blogger Augusto Ascenso Pascoal said...

Caro Abílio,
Ora vamos lá a ver se agora consigo responder ao teu amicíssimo comentário. Claro que já não vai o texto que eu tinha escrito primeiro.
Era mais ou menos assim:
Organizar algo nesse sentido? Tenho tomado uns apontamentos, mas como não há tempo disponível entre os papéis... E também é desmotivante ter a impressão de que se prega no deserto. O tempo do Precursor já foi há mais de dois mil anos.
Em todo o caso, muito obrigado por teres reduzido esta impressão de deserto.
Já agora aproveito para te dizer que já visitei os teus grafitos... só para ver, porque outra coisa não sei fazer, com um blogue tão sofisticado.
Um abraço dos grandes.
AP

10:03 AM  
Blogger Augusto Ascenso Pascoal said...

Afinal seguiu.
Outro abraço.
AP

10:04 AM  

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