Saturday, December 23, 2006

EM JEITO DE HOMENAGEM



Nas vésperas do Natal, pensando nesse mistério de um Deus que Se faz embrião humano no ventre de uma mulher, dedico a todas as mães, cujo heroismo não cesso de admirar, mais uma página do meu diário que fala delas.

Ladeio o Lis, em sentido contrário ao da sua marcha para o mar... Para o mar? Quem diria? A dois passos da nascente, lento, cantarolando a alegria da vida que, apesar do Outono, ainda sorri nas suas margens, não se vê nenhum sinal daquela inquietação em que irá mergulhar, alguns quilómetros mais abaixo.
Dizemos “mais abaixo”, porque na nossa mente, as águas sempre descem.
No entanto, lá diz a canção que eu aprendi ainda antes de conhecer a cidade: Em Leiria, tudo assim é:/ O rio corre para cima,/ A rua Direita é torta/ E a torre está fora da sé.
Corre para cima.
Talvez por isso seja tão lento.
Volto à esquerda, atravesso a ponte da nora – aquela nora que há muito é apenas imagem da memória – viro à direita e inicio a subida: estrada tortuosa, como todos os caminhos de montanha, também ela carregada de lembranças com todos os coloridos da vida.
Vou pensando nos discursos desencontrados que ouvi na véspera sobre direitos e deveres da mulher grávida... quase todos dominados pela ideia de que a mulher é senhora do seu corpo, pelo que nada nem niguém pode obrigá-la a deixar que se desenvolva nela uma vida que não desejou ou pode vir a alterar os seus hábitos; e falava-se também no seu direito de exigir do Estado todas as condições para eliminar essa vida com segurança.
Quase instintivamente lamentava que ninguém falasse no direito a exigir do Estado as condições necessárias à realização do que, no fundo, deseja toda a mulher que se dá conta da presença de um novo ser, no ventre que Deus lhe deu para O ajudar a desenvolver o dom da vida.
A dada altura, pelas ondas herzianas chega-me aos ouvidos uma voz de ouro que, acompanhada do som dolente de instrumentos antigos, raros, me traz o lamento da Llorona... e a riqueza semântica da lenda mexicana, assumida, adornada – quem dera que não desfigurada – pela cultura e pelos artistas do Ocidente europeu, da era colonial.
E sinto um estremecimento: A Llorona transformava-se em Medeia e já não era a mãe corroída pelo remorso procurando em vão os próprios filhos, nas águas em que os afogara: era a amante que se vingava da traição nos frutos do seu amor louco, da paixão que antes a levara a trair o seu próprio passado.
A mãe, a mulher, sempre procurada e traída, mas nunca arrependida de ser o que é, mulher e mãe, como o amor de Deus, que da morte sempre faz ressurgir a vida.
E recordei aquele poema belíssimo, pescado nos espaços confusos da blogosfera:
LÁGRIMAS DE MÃE E MULHER
Um garotinho perguntou à sua mãe:
- Mamãe, por que você está chorando?
E ela respondeu:
- Porque sou mulher...
- Mas... eu não entendo.
A mãe se inclinou para ele, abraçou-o e disse:
- Meu amor, você jamais irá entender!
Mais tarde o menininho perguntou ao pai:
- Papai, porque mamãe às vezes chora sem motivo?
- Todas as mulheres sempre choram sem motivo...
Era tudo o que o pai era capaz de responder...
O garotinho cresceu e se tornou um homem. E, de vez em quando, fazia a si mesmo a pergunta: "por que será que as mulheres choram, sem ter motivo para isso?"
Certo dia esse homem se ajoelhou e perguntou a Deus:
- Senhor, diga-me... por que as mulheres choram com tanta facilidade?
E Deus lhe disse:
- Quando eu criei a mulher, tinha que fazer algo muito especial.
Fiz seus ombros suficientemente fortes, capazes de suportar o peso do mundo inteiro... porém suficientemente suaves para confortá-lo.
Dei a ela uma imensa força interior para que pudesse suportar as dores da maternidade e também o desprezo que muitas vezes provém de seus próprios filhos!
Dei-lhe a fortaleza que lhe permite continuar sempre a cuidar de sua família, sem se queixar, apesar das enfermidades e do cansaço, até mesmo quando outros entregam os pontos!
Dei-lhe sensibilidade para amar seus filhos, em qualquer circunstância, mesmo quando esses filhos a tenham magoado muito...
Essa sensibilidade lhe permite afugentar qualquer tristeza, choro ou sentimento da criança, e compartilhar as ansiedades, dúvidas e medos da adolescência!
Porém, para que possa suportar tudo isso, meu filho... eu lhe dei as lágrimas, e são exclusivamente, para usá-las quando precisar. Ao derramá-las, a mulher verte em cada lágrima um pouquinho de amor. Essas gotas de amor desvanecem no ar e salvam a humanidade!
O homem respondeu com um profundo suspiro...
- Agora eu compreendo o sentimento de minha mãe, de minha irmã, de minha esposa.

(Autor Desconhecido [extraído de um blogue brasileiro]).

1 Comments:

Blogger P.A. said...

Que hei-de dizer... isto é lindo, bolas!

8:03 AM  

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