Wednesday, March 12, 2008

EFEMÉRIDE


Uma efeméride para pensar

No mais, Musa, no mais, que a Lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Dhüa austera, apagada e vil tristeza.
(Os Lusíadas: X, 145)

Lisboa, 10 de Março de 1572.
A pátria afunda-se nos obscuros jogos da política interesseira das principais famílias dinásticas da Europa e da respectiva clientela.
Então como agora: apenas mudaram os nomes.
E vem-me a tentação de amplificar os gritos que o grande poeta – artista, pensador e cidadão extraordinariamente lúcido - disseminou pela sua Obra. Oba que é também uma obra-prima, não apenas da literatuira universal, mas do tratamento de quinze séculos de cultura.
Só o não faço porque, ainda que me falte o génio do grande poeta, não me falta uma certa lucidez, que me ajudará a evitar o deserto das utopias que sâo isso mesmo: utopias, espaços inexistentes fora do espírito que os cria.
Mas que Camões merecia ser revisitado, lá isso merecia. Não apenas por causa dos erros crónicos que comprometem há séculos a governação deste país; mas pela riqueza inesgotável do pensamento que dá alma à sua poesia.

6 Comments:

Anonymous Anonymous said...

O primeiro comentário é meu: só para dizer que me enganei ao escrever a data da publicação de "Os Lusíadas", que foram publicados a 12 e não a 1o de Março.
AP

5:36 PM  
Blogger alx said...

Já estava para "lhe puxar as orelhas" pelo erro.
De qualquer modo, esse receio que apelida de utopias é que merecia um grande puxão de orelhas...

Abraço

3:08 PM  
Blogger Akinogal said...

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1:53 PM  
Anonymous Anonymous said...

Cá estou eu qual 'Fénix'. Sei que tinha saudades.
Tenho que confessar que o ando, por vezes a citar. Digo: 'utopia não é que não se consegue realizar, mas o que ainda não se realizou'
A não ser q o ande a citar mal, quero que essa utopia se realize.
Prometo vir cá ler. Gostei do 'poste' de 'peço a palavra 2'

Também me queria penitenciar do uso que faço da lingua portuguesa. Sou luso-canadiano ou vice versa. Fico satisfeito por não falar como o Joe Berardo!
:-)

Migo

11:52 AM  
Blogger lena jesus said...

Bons olhos o vejam Migo! Já tinha estranhado a tua ausência na comentosfera dos bolgs...
Pois é meus amigos. Longe de terras lusas nem nos apercebemos da gravidade da situação. Vou documentar-me e depois talvez volte com um comentário aqui ou no "Resistência" sobre o acordo ortográfico. Afinal, embora não praticante, sou uma professora de Língua Portuguesa...
Um abraço e Santa Páscoa

12:12 PM  
Blogger Gardagami said...

See here or here

4:01 PM  

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