Wednesday, September 05, 2007

DEZ ANOS DEPOIS





No aniversário da Beata Teresa

Senhor, aqui me tens, esmagado mais uma vez pela dor de verificar como o mundo tem cada vez menos capacidade para perceber o que verdadeiramente significa viver da fé.
No aniversário do último combate desse gigante de vida teologal que foi a Beata Teresa de Calcutá, causa-me uma tristeza imensa a superficialidade com que se lêem e comentam alguns dos seus escritos íntimos.

Depois reparo no que tenho diante de mim:
Deixas-me ferido pela dor desta jovem mãe, que, no meu fraco entender, bem podias ter deixado gozar a felicidade que lhe fizeste experimentar, qundo, pela primeira vez, apertou ao peito o filho que tanto desejara.
Vejo aquele sorriso triste, ao falar-me das perspectivas que a ciência médica – eles não são deuses, mas portam-se como se o fossem – abre no que dia rsepeito à saúde do filho: - Desejei tanto – diz ela - ter um menino... e agora...
É reflexão de mãe, porque o olhar que lança sobre o bébé, depois daquele agora... vai ornado de um enorme carinho.

Senhor, olho para ti, porque tudo o que é grande na vida vem de ti, incluindo o amor dorido das mães.
Mas tu não dizes nada... talvez para que não me distraia da grandeza que me vais fazendo descobrir através da solidão com que têm de se sofrer certas dores humanas: porque realmente não há dores que não sejam humanas.

Mais uma vez o teu silêncio!
Ou o clamor desses braços estendidos, coração aberto, rosto pálido, olhos cerrados... O silêncio não é teu é de Deus. Tu, aí, és o homem que quiseste ser para que me não sentisse abandonado... de um abandono tanto mais doloroso, quanto a nobreza com que procuro servir o Amor me torna mais sensível.
Eu sei:
A vida teologal é assim.
Faz que não me esqueça nunca de vir aqui, quando me sentir assim!

2 Comments:

Anonymous Filomena said...

Às vezes o silêncio de Deus é pesado, de facto...

12:21 PM  
Blogger Augusto Ascenso Pascoal said...

Pois! E é tanto mais pesado, quanto mais profundo é o amor com que Lhe damos tudo, até a realização daquele desejo, tão humano e tão divino, de, depois de passarmos horas e horas escutando-O no sofrimento dos irmãos, O escutarmos directamente. É o jejum dos misgos do Noivo, quando este lhes é retirado. É por isso que me sinto mais perto de Deus, sinto Jesus mais parecido comigo, quando O contemplo na cruz.
Com muita amizade
AP

1:15 PM  

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