Sunday, October 15, 2006

A FORÇA DE UM MANDATO



Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá. É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros (João 15, 16-17)»
Estas palavras de Jesus ficam muitas vezes na sombra das que as precedem: não fostes vós que me escolhestes.
E se é certo que não devemos ficar parados na advertência de que não fomos nós que escolhemos o Senhor, que os dons de Deus são dons por isso mesmo, porque não tínhamos direito a eles, não é menos verdade que Ele tudo nos dá com um objectivo. Dom e missão são inseparáveis.
É importante recordar a cada momento que não foi nossa a iniciativa sem a qual nem sequer existiríamos: nem como seres, nem como homens, nem como cristãos. Mas não podemos ficar pr aqui, sob pena de cairmos no mar encapelado das revoltas e dos desesperos que marcam a vida de tantas pessoas, nomeadamente no mundo pos-moderno da Europa deste início do terceiro milénio.
Mais importante do que saber que não fomos nós que escolhemos o Senhor, é saber que foi Ele que nos escolheu. Escolheu, quer dizer: somos o resultado de uma preferência, já como seres... porque em vez de nós, de qualquer de nós, há um número infinito de seres possíveis.
Depois, como não podia deixar de ser, tratando-se de Deus, essa preferência, essa escolha traz consigo uma missão, um objectivo concreto, para realizar o qual, o mesmo Deus dispôs de muitos subsídios, que concede, uns com o próprio ser, outros ao longo da vida, consoante a nossa fidelidade e as necessidades da missão.
A missão!
Fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça.
A ir e a dar fruto.
Nas últimas décadas, os ambientes eclesiásticos têm cultivado uma forma de analisar a posição da Igreja perante o mundo contemporâneo, ou deste perante a Igreja, que parece ter esquecido por completo esta e outras precisões de Jesus sobre a vocação cristã.
Com gáudio dos defnsores de um secularismo total, passa-se rapidamente da dúvida ao medo, dos fracassos, que se analisam mal, ao pessimismo... como se já não houvesse nada a fazer. E, afinal, está tudo por fazer.
E somos nós que temos de fazê-lo: não com os meios que o mundo nos oferece; esses precisamente que, pela sua ineficácia, fazem nascer a ideia de que não vale a pena.
Se foi Ele que nos escolheu, e escolheu-nos para isto, como podemos ainda hesitar.
Frutos?
É absolutamente certo que os teremos: destinei-vos para ir e a dar fruto, e fruto que permaneça.
O Senhor diz ir e dar fruto. Não diz ir e colher fruto.
Vejamos se não está aqui o grande equívoco das nossas tácticas erradas e dos nosso desânimos?

1 Comments:

Blogger no-coracão-de-Deus said...

Agora que me tornei leitor habitual dos seus escritos aqui me tem a concordar plenamente com o que afirma.

Vivemos num tempo marcado pelo "desespero pastoral", uma espécie de tsunami, onde todos querem respostas, números e sucesso...
No entanto a Lógica do Mestre é outra:

no desafio da procura das perguntas certas Ele provoca-nos á PROFUNDIDADE,

no desafio de ser fermento Ele provoca-nos a contar menos com a estatistica e mais com a Fé e a Esperança.

No desafio do serviço Ele pede-nos que a nossa alegria seja a de sermos os últimos...

é isto que não entra nas nossas cabeças duras, nos nosso corações empedernidos...e, perdoe-se-me o exagero, nos nossos projectos pastorais e na nossa Oração pessoal e comunitária...Bem tem reazão o evangelista quando põe na boca de Jesus: "Fui Eu que vos escolhi...para ir e dar fruto, e fruto que permaneça".

um abraço fraterno

4:12 PM  

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