Saturday, October 14, 2006

Diante do Crucifixo


Ao retomar este blog, após as férias, aos amigos que me lêem, pensando especialmente na Inês, que acaba de passar por momentos difíceis, do meu diário ofereço esta página, escrita num dia particularmente doloroso:

E Eu, quando for erguido da terra, atrairei todos a mim. (Mateus: 12, 32).
Todos, Senhor?
Não vês quantos corações feridos, magoados pela vida, que se lhes tornou num peso insuportável, enchem as ruas das nossas cidades, a caminho do desespero?
Claro, meu Jesus, meu Deus... é porque não Te conhecem, não Te encontram como eu Te encontrei, a meio da via dolorosa, para que também acabam de me atirar a mim, não a vida, que me deste com tanta generosidade, mas as circusntâncias em que me calhou vivê-la.
Obrigado, meu Deus!
Ver-Te pregado nessa cruz – suprema ignomínia de uma humanidade que não aceita o incómodo de amar até ao fim – dá-me um especial conforto nesta hora difícil:
Saber que o Deus em que acredito se fez verdadeiramente homem, assumindo da minha natureza tudo o que é compatível com a Sua divindade, incluindo o medo perante o sofrimento e o desejo de afastá-lo na medida do possível, dá-me mais coragem do que os milagres, que parecem às vezes introduzir excepções para servir a nossa curiosidade, quando não a nossa cobardia.
E que milagre maior do que o de um Deus que Se deixa matar para salvar a vida dos Seus carrascos?
É verdade Senhor: que loucura a minha, sempre em ânsias de auto-defesa, quando o que importa é amar até ao fim: amar a verdade das coisas, mas sobretudo a verdade do homem, que emerge de forma espectacular nesse Teu modo de ser solidário com os que sofrem... mormente quando o sofrimento é injusto, mais da alma que do corpo.
Como o que produz as lágrimas – que conforto, Senhor, saber que também choraste! – que venho derramar diante de Ti, não para Te pedir que me tires o sofrimento, mas para que me ajudes a viver nele a lógica do amor que Te mantém amarrado a essa cruz.

2 Comments:

Anonymous O Cuco said...

Desta vez li e fiquei sem palavras.
Li e fui contemplar a Cruz.

1:06 PM  
Blogger no-coracão-de-Deus said...

Carissimo Padre Pascoal,
a sua simplicidade, sabedoria e fé transparecem na humildade com que reza.
Obrigado pela partilha do seu diário...

pe. Luis Miranda

4:05 PM  

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