Friday, October 24, 2008

RAÍZES DE OPTIMISMO

As complicações de ordem profissional que, nos últimos meses, têm marcado a minha vida, juntamente com um certo cansaço, tanto físico como psíquico, afastam-me frequentemente e por largos períodos, destes espaços, onde gosto de dizer algo do muito que me vai na alma, apesar de quase nunca ter ecos de algum amável interlocutor que eventualmente me leia até o fim.
Hoje, cortando o deserto de comunhão que me envolve, queria oferecer aos meus visitantes, sem pressionar ninguém para que me leia, os ecos da minah luta pessoal contra o pessimismo em que permanentemente quer mergulhar-nos a comunicação social, gritando umas coisas e silenciando outras, obretudo no que se refere aos valores religiosos, ou àquilo a que dão o nome pomposo de crise da Igreja.
Deixo para trás o falecimento, já esta semana, quando estava prestes a concluir os cem anos, da Irmã Emmanuelle, a figura mais popular da França, na segunda metade do século XX.
Desejava apenas apresentar dois textos bíblicos, com alguns pensamentos que me inspiram, a propósito do úlitmo Sínodo dos Bispos, do qual os nossos jornais pouco mais nos trouxeram do que os episódios mais chocantes.
Aqui vão os textos que alimentam o meu optimismo esta manhã:

Eu, o prisioneiro no Senhor, exorto-vos, pois, a que procedais de um modo digno do chamamento que recebestes; com toda a humildade e mansidão, com paciência: suportando-vos uns aos outros no amor, esforçando-vos por manter a unidade do Espírito, mediante o vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a uma só esperança; um só Senhor, uma só fé,um só baptismo; 6um só Deus e Pai de todos,que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos (Efésios: 4, 1~6)

Dizia também às multidões: «Quando vedes uma nuvem levantar-se do poente, dizeis logo: ‘Vem lá a chuva’; e assim sucede. E quando sopra o vento sul, dizeis: ‘Vai haver muito calor’; e assim acontece. Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu; como é que não sabeis reconhecer o tempo presente?» (Lucas: 12, 54-56)

Isso mesmo:reconhecer o tempo presente.
Isto é: saber descobrir e ler os sinais da presença de Deus, que é único e que nos acompanha na nossa caminhada histórica. Mas que se esconde aos olhos de quem não quer ver nada para além do que lisongeia as paixões e os contra-valores da cultura actual.
Precisamente a cultura que não conseguiu ver os sinais de esperança emergentes deste Sínodo, todo consagrado a uma reflexão sobre a Palavra de Deus no seio das comunidades crentes.

4 Comments:

Blogger pedromgomes said...

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7:47 PM  
Blogger pedromgomes said...

Tenho estado atento, mas normalmente o tema religião afasta-me da possibilidade de resposta. Não só pela ignorância que reconheço no assunto mas também pelo sentimento de distanciamento da abordagem religiosa dos temas.
Apesar de tudo pareceu-me relevante, para o momento, a seguinte citação do nosso Miguel Baptista Pereira:

"Esta possibilidade de formas sempre novas exige do projecto da existência uma abertura ilimitada e, por isso, podemos afirmar que a grandeza ou mesquinhez da experiência humana é directamente proporcional à força ou fraqueza do projecto. A mesquinhez ou estreitamento do ângulo projectivo deixam fora, por olvido, exclusão ou superficialidade, camadas essenciais da experiência, criando perigosas imagens de segurança e auto-suficiência. Esquecida ou excluída a oferta e novidade do presente que chega com possibilidades de verdadeira surpresa, gera-se um mundo fechado, pretensamente absoluto, previsor de tudo o que pode acontecer e cujas categorias são técnicas de domínio." ... "A compreensão do novo não se realiza dentro processo cíclico da Natureza nem no interior do projecto universal do Espírito ou da Vida que faz do passado o gérmen absoluto do futuro mas à luz do Ser como inesgotável advento, que impede todo o dogmatismo do passado e do futuro e transforma os nossos projectos de existência, despertando no homem, para além do projectar, uma camada ontológica mais profunda, que é a Esperança."

7:55 PM  
Blogger lena jesus said...

Difícil é soltar as amarras que nos prendem a esses vilões que são a comunicação social e formular por nós uma opinião... As minhas vindas a este blog são a vontade de saber o outro lado da notícia. Devo dizer que ao ver as notícias, a minha intuição foi de cepticismo e tenho vindo aqui regularmente à espera da opinião. Um abraço e que há leitores, há! Pode é não haver comentadores...

9:58 AM  
Blogger Augusto Ascenso Pascoal said...

Aos dois comentadores:
Muito obrigado a ambos, por me fazerem acreditar que tenho leitores.
Ao Pedro, com um abraço e o carinho de quem vê nos seus os olhos da própria mãe: escolhes um texto difícil de um autor difícil: preciso de pensar um pouco mais para te dizer, mas a ti, o que penso.
À Helena, com a ternura de quem se quer solidarizar com as suas mágoas:
Losongeias-me quando dizes que procuras nos meus blogues o outro lado da notícia. Mas isso faz-me ficar com pena, pois sei que nem sempre o encontras. Com toda a amizade de que sou capaz
AP

10:37 AM  

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