Monday, September 08, 2008

MARIA E A IGREJA


No primeiro dia da última parte das minhas férias, um pouco aliviado de um certo agravamento das mazelas da idade, retomo, não sei por quanto tempo, os desabafos electrónicos, que não passam disso: desabafos para fugir à solidão, procurando, ao mesmo tempo, sugerir algumas pistas de reflexão para quem achar que pode segui-las com proveito.
Hoje, quando se celebra a Natividade de Maria – digamos, em linguagem familiar, os anos de Nossa Senhora -, lembrei-me de oferecer esta reflexão aos familiares com quem jantei faz amanhã oito dias: estavam divinais, aquelas sardinhas; mas o que mais se me fixou na memória, foi a conversa! Que até valeria a pena continuar, não acham?
Aqui vai o texto, que é quase todo bíblico:

Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena. Então, Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!» Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua (João: 19, 25-27).

De um modo geral, o comum das pessoas imagina que os textos bíblicos são geradores da fé: assim como se, por exemplo, após a Ascensão, os companheiros de Jesus tivessem ficado à espera de alguém escrever um livro para saber em que acreditar.
Ora, o que sabemos é que, em primeiro lugar, para os cristãos, pelo menos, não se trata de saber em quê, mas em quem acreditar. E isso está claro, desde o princípio: acredita-se em Jesus Cristo; por isso se lhes dá o nome de cristãos; nome que, originalmente teria o seu quê de pejorativo, pelo menos quanto à forma.
Os textos foram surgindo a pouco e pouco, uns para fixar, outros para desenvolver, outros ainda para explicar tudo o que se relacionava com a fé da comunidade.
Nesta produção de textos, acreditamos nós, esteve presente a acção do Espírito Santo, como cumprimento das promessas do Senhor.
E quando os textos não correspondiam à fé da comunidade, esta rejeitava-os: são os que desiganmos por apócrifos.

Deixemos o tema para quem tenha mais tempo e competência.
Mas, se todo o Evangelho de João é uma enorme meditação sobre a fé, estes quatro versículos, por eles e pela relação que têm com o resto, são de uma importância especialíssima. Diríamos até que serão a chave de leitura de todo o Evangelho.
Também aqui não me meto, porque se trata de um caminho para o qual não tenho pernas.
Direi apenas que o autor do quarto evangelho responde aqui a duas perguntas que talvez ele próprio tenha feito a si mesmo, e que hoje se fazem até muitos cristãos: como se explica o lugar que ocupa nas nossas relações com Deus a Mãe de Jesus e a Igreja?
Aconselho a leitura do comentário a estes versículos, editado pela última versão da “Bíblia Sagrada”, da Difusora Bíblica.

2 Comments:

Blogger Pedro said...

Claro que vale a pena continuar. Para além de uma honra, a sua presença é sempre um grande prazer.

4:49 AM  
Anonymous Anonymous said...

Só para te dizer muito obrigado.
Tio Augusto

6:07 AM  

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