Wednesday, October 12, 2005

À MARGEM DA POLÍTICA


Não me interessa a análise política da questão, senão na medida em que, de facto, tudo o que diz respeito à nossa existência como cidadãos tem uma dimensão política (o polites é o membro da pólis).
Estamos ainda em pleno rescaldo das eleições autárticas, os comentadores sobram - tanta gente competente para analisar a situação e tão pouca empenhada nela... - e também não tem faltado quem se refira ao facto de ter havido cidadãos envolvidos em processos judiciais, eleitos por maiorias que quase pareceram referendos contra essa mesma justiça.
Surgem clamores de todos os lados... e quase todos pensam logo em modificar a lei, porque, não se pode duvidar da perfeita legalidade dessas candidaturas.
Mas esse tem sido precisamente o erro mais grave das democracias ocidentais: legislar para tudo, como se fosse a lei a única fonte do direito e da moralidade para a vida pública.
Volta a pôr-se o problema da distinção entre legalidade e ética, legítimidade e o liceidade.
O que me parece verdadeiramente perigoso, para não dizer trágico, nos casos em referência, não é o resultado das votações, considerado em si mesmo: Que houve muita demagogia? E onde não a houve, por esse país fora?
A mim, o que me inquieta, é que todos, candiadatos e eleitores, fiquem de cosnciência tranquila, porque, dizem eles, não houve nada de ilegal, nem nas candidatursa nem nas votações.
E, ao exigirem uma modificação da lei, os restantes cidadãos estão, consciente ou incosncientemente, a sublinhar os argumentos em que se basearam essas candidaturas, levadas por diante, nas circunastância em que o foram.
Porque quando a elite de um país confunde a moralidade das atitudes com a sua legalidade, não estamos longe de um trágico naufrágio das instituições que nos defendem da arbitrariedade do poder, mesmo quando estão ao seu serviço.
Não acham que o assunto é tremendamente sério?

3 Comments:

Anonymous Lena Paulo Renato e pre-Maria said...

Visto do lado de fora das fronteiras, isto é, à margem da campanha e sem imaginar que tal cenario se construia, a desilusão e o espanto foram grandes. Sinceramente o estimulo para regressar a casa depois de enriquecer academicamente o curriculo não é grande, sobretudo quando se repara que a lei se molda em função de interesses e que os valores se constroem ao sabor de ventos novos (e que ventos!?). Como se não bastasse, ainda vem o futebol contribuir para que os olhos continuem fechados e assim se passe para segundo plano um assunto tão sério como o da politica local...

6:15 AM  
Anonymous Anonymous said...

Ora viva!!! Que alegria ver entrar pela casa dentro - ou antes, pelo blogue dentro, mas, neste caso, é como se fosse a casa - este casal jovem no qual tenho pensado centenas de vezes, com tantas tentativas frustradas de entrar em contacto... Que alegria!!!...
Só por isto valeu a pena escrever o último "post". Quanto ao comentário, podemso falar mais adiante. Gostaria de ter mais notícais de vocês...
Um grande e carinhoso abraço do Pascoal

2:55 PM  
Blogger Augusto Ascenso Pascoal said...

Você já viram que o "Anonymoes" (mais uma americanismo, para não dizer anglicismo)é apenas o resultado das embrulhadas da informática. Sou eu,o Augusto Pascoal.

2:59 PM  

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