Tuesday, October 11, 2005

E a religião?



Não costumo ter muita sorte com os programas televisivos, quando ligo o aparelho para ver... Ver o que está a dar, ou ver se encontro algo que me ajude descontrair, a matar algum resto de tempo do pouco que me sobra das tarefas diárias.
Desta vez tive realmente sorte: busquei uma alternativa á inundação das telenovelas, que raramente me ajudam a descontrair.
Falava-se da necessidade de preparar os jornalistas para a informação em situações de risco, e fui percebendo, a partir do que diziam as pessoas, como se vai descobrindo que a liberdade de informação entra num quadro ético que exige especializações adequadas para qualquer área da qual se queiram colher dados para transmitir ao grande público.
Apetece-me aplaudir os responsáveis pela iniciativa que levou à criação de cursos e seminários destinados ao jornalismo das situações de risco: neste programa falava-se sobretudo de incêndios e catástrofes naturais, em que muitas vezes parece surgir um conflito entre o dever de socorrer as pessoas e o direito de informar. E citaram-se outros casos, para os quais se procuram jornalistas especializados na matéria, como, por exemplo, o desporto, a actividade política, a literatura e a ciência.
Trata-se de formar profissionais competentes que possam também defender-se de pressões estranhas, a fim de salvarem a honestidade da informação.
È por demais evidente que um jornalista que ignora as matérias de que fala não tem qualquer hipótese de respeitar a liberdade de informação: nem a que ele reclama para si, nem a daqueles que quer informar.
No final deste programa, que despertou em mim algum optimismo, apetece-me perguntar:
E a religião?
Será que os fenómenos religiosos se podem continuar a tratar com a leviandade com que os trata a maioria dos nossos jornalistas?
E não falo de má vontade: falo da incapacidade para perceber aquilo de que se quer fazer uma reportagem, escrita ou televisiva. Essa incapacidade que é, em parte, pelo menos, responsável, por exemplo, pelo horror dos coktails que as redacções fazem com os comunicados que os serviços das igrejas lhes fornecem.
Também não queria apontar culpados desta situação: porque, muito provavelmente, eles encontram-se em todo o lado, incluindo as entidades religiosas.

1 Comments:

Anonymous Migo said...

Uma re-entrada em força! Esta resistência vai abalar as barreiras!

4:12 PM  

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