<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383</id><updated>2011-07-07T18:43:58.267-07:00</updated><title type='text'>resistencia</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>117</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-5233213942123985876</id><published>2009-11-12T12:20:00.000-08:00</published><updated>2009-11-12T12:21:30.699-08:00</updated><title type='text'>LEGITIMIDADES</title><content type='html'>Claro. As palavras, porque instrumentos de comunicação e instrumentos inadequados, sofrem, não só dessa inadequação, mas também da história, tanto dos indivíduos como da comunidade que as utiliza.&lt;br /&gt;Assim sendo, não vale a pena travar lutas quixotescas contra as marcas que nelas deixam os acidentes de percurso que marcam a vida política, cultural e religiosa dos falantes.&lt;br /&gt;Mas não traria prejuízo nenhum à nação – tomo a palavra com todos os sentidos que tem nesta parte do mundo em que nos calhou viver – que as pessoas, ao utilizar certos termos, pensassem um pouco no seu significado real, que nem sempre dispensa algumas noções de história da língua.&lt;br /&gt;Assaltam-me estes pensamentos a propósito de muita coisa; mas gostaria de deter-me um pouco sobre aquilo que querem significar os políticos e os seus críticos, quando dizem que o Governo tem legitimidade para legislar sobre isto ou sobre aquilo.&lt;br /&gt;Ainda que numa verdadeira democracia não seja o Governo, mas o Parlamento, que detém o poder legislativo.&lt;br /&gt;Se legítimo é aquilo que está segundo a lei – alguns preferem dizer que o que está segundo a lei é lícito, esquecendo mais ma vez a força da história – e o que dá legitimidade a um Governo é lei do voto, é evidente que o Governo que é apoiado pela maioria dos votos tem legitimidade para legislar sobre qualquer assunto que não lhe tenha sido retirado pela própria Constituição.&lt;br /&gt;Em minha opinião, perguntar se o Governo ou o Parlamento têm legitimidade para legislar sobre um assunto, partindo da natureza do assunto, é, pelo menos perder tempo, já que as matérias subtraídas ao poder legislativo não dependem directamente da sua natureza, mas do seu tratamento pelo Constituição.&lt;br /&gt;O pior é que não se perde só tempo; em alguns casos, pelo menos, perde-se também a perspectiva: porque a legitimidade que permite fazer leis, não permite legislar de qualquer maneira, segundo esta ou aquela ideologia, para satisfazer este ou aquele grupo de pessoas.&lt;br /&gt;Para não me alongar, vou buscar apenas um exemplo, algo de que se fala muito, talvez até em excesso, mas cuja problemática, no quadro da legitimidade legislativa, não vi ainda abordar numa perspectiva que levasse os detentores do poder a considerar que, mais do que interrogar-se sobre se é legítimo ou não de legislar, deveriam analisar com verdadeiro sentido ético se as leis que fazem legitimamente são antropologicamente legítimas.&lt;br /&gt;O exemplo que trago é o do chamado casamento dos e das homossexuais:&lt;br /&gt;Pessoalmente sou dos que defendem há muito uma intervenção do poder político nessa matéria. Não entro na discussão sobre a natureza da homossexualidade; mas tem-me preocupado o modo como o fenómeno se equaciona, com as hostes instaladas em dois campos irredutíveis, fazendo dele mais uma questão ideológica, arma de arremesso entre partidos, do que realidade humana a pedir um enquadramento legal que não discrimine ninguém: nem homossexuais nem heterossexuais.&lt;br /&gt;Já agora, acrescento que chamar homófobo a um não homossexual é um insulto que só se tem admitido porque estamos num mundo em que, de facto, são as minorias que discriminam as maiorias.&lt;br /&gt;Voltando à legitimidade do Governo ou do Parlamento para legislar sobre essa matéria, também penso que a tem.&lt;br /&gt;Já não estou tão seguro de que tenham legitimidade para legislar como se preparam para fazê-lo.&lt;br /&gt;Mas isso não se resolve com um referendo, salvo melhor opinião.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-5233213942123985876?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/5233213942123985876/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=5233213942123985876' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5233213942123985876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5233213942123985876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2009/11/legitimidades.html' title='LEGITIMIDADES'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-5858865070502657320</id><published>2009-10-25T13:10:00.000-07:00</published><updated>2009-10-25T13:23:52.895-07:00</updated><title type='text'>DE NOVO SARAMAGO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SuSxXasxs9I/AAAAAAAAAYU/LCxfPAkGaWA/s1600-h/SARAMAGO.2.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 250px; FLOAT: right; HEIGHT: 150px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5396633269358932946" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SuSxXasxs9I/AAAAAAAAAYU/LCxfPAkGaWA/s320/SARAMAGO.2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; A propósito do comentário do Pedro ao meu último Post:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho muitos amigos com o nome de Pedro, entre os quais alguns familiares, que estimo muito.&lt;br /&gt;Não sei se este é um deles, nem naturalmente qual deles é; mas respondo com muita amizade, porque, seja quem for, ficou a merecer-me ainda mais consideração, depois da liberdade com que, pensa ele, discordou de mim. Digo pensa ele, porque, de facto, o que ele comenta não é o meu texto, mas o ambiente criado pelas declarações de Saramago, ambiente do qual também eu me envergonho, ainda que talvez não pelas mesmas razões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De facto, não foi minha intenção comentar Saramago, mas apenas dizer a um senhor jornalista que, para mim, as declarações do escritor, bem como a generalidade da sua obra, não são nem incómodas nem geniais.&lt;br /&gt;E disse porquê, com a mesma liberdade com que o jornalista fez as referidas afirmações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para enquadrar devidamente o discurso, começo por transcrever o texto do meu comentador:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Independentemente da sua opinião, Saramago, como qualquer outra pessoa, tem direito a ela. E neste caso, diga-se em boa verdade que não é uma opinião descabida e muito menos fruto de ignorância. Podemos dizer que é uma leitura diferente da feita por um crente, mas isso não a torna nem melhor nem pior, nem mais nem menos válida. Quanto à sua obra literária leia quem quiser. Não sou fã mas reconheço-lhe valor (e a contar pelos prémios e volume de vendas não sou o único). Quanto à reacção dos responsáveis religiosos e políticos que não tardaram em atacá-lo pessoalmente considero-a irresponsável e uma vergonha, fruto da arrogância própria de quem se acha dono da verdade e se sente intimidado perante a diferença. Além do mais ou têm memória curta ou a crença faz com que seja estrategicamente selectiva pois bem mais graves foram as palavras do Papa Bento XVI quando já na qualidade de representante da Igreja Católica disse que o Corão era um livro carregado de violência e que Maomé apenas trouxe coisas malvadas e desumanas. No meio privado entendo todas as críticas e opiniões, feitas sobre qualquer pessoa ou assunto, desde que sejam honestas e educadas, fazê-lo para a comunicação social é algo totalmente diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Pretende este texto comentar o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Volto, passado mais de um mês, só para dizer que o último livro de Saramago não é, como pretendeu aquele jornalista que tive a infelicidade de ouvir, nem incómodo nem genial.&lt;br /&gt;Não é incómodo para mim, como não o é para milhões de crentes, que, ao contrário do que pensa Saramago e tantos ignorantes da nossa praça, sabem que a Bíblia é um conjunto de livros, com uma vastíssima variedade de estilos, mar imenso de elementos culturais; enfim, palavra humana que, e isto só os crentes o entendem, serve de veículo a uma mensagem divina. E, isto também só os crentes o entendem, Deus não selecciona os Seus instrumentos.&lt;br /&gt;Em suma, digamos sem complexos, a Bíblia dos crentes, cristãos, judeus e muçulmanos, pouco ou nada tem a ver com a Bíblia de Saramago.&lt;br /&gt;Também acho que não é genial, embora respeite a opinião contrária dos que estudam a sua obra literária, enquanto literária, com critérios verdadeiramente científicos.&lt;br /&gt;Em meu entender, Saramago, como escritor é pouco original; inclusivamente quanto aos temas, que lhe vêm da moda do disfemismo religioso, do qual imita autores que estão muito acima dele.&lt;br /&gt;Uma coisa me deixa triste, no meio disto tudo: É que um português laureado com o Prémio Nobel da Literatura leia a Bíblia e fale dela como faria um iletrado das nossas aldeias que tivesse perdido a fé numa qualquer encruzilhada desta vida, em que sobram os salteadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Sem entrar em questões técnicas, para as quais não tenho competência, direi que o texto bíblico, qualquer que ele seja, se é verdadeiramente bíblico, tem, pelo menos, dois níveis de leitura: o primeiro na ordem da acessibilidade corresponde ao de qualquer outro texto. Sobre ele pode haver todo o tipo de opiniões, consoante a sensibilidade e a cultura de cada um.&lt;br /&gt;Mas há também o nível da revelação divina: e aqui só os crentes têm autoridade para falar.&lt;br /&gt;É desta bíblia que falo quando digo que &lt;em&gt;a Bíblia dos crentes, cristãos, judeus e muçulmanos, pouco ou nada tem a ver com a Bíblia de Saramago.&lt;/em&gt; O que não quer dizer que esta, que também é minha quando a leio como simples obra literária, não possa ser objecto de muitas leituras, como qualquer romance, incluindo os de Saramago. Sinto que tenho, pelo menos, uma vantagem em relação a Saramago ou a qualquer outro que leia a Bíblia como simples produto cultural: porque além de crente, que busca no texto bíblico uma mensagem divina, também o estudo em chave cultural. E neste caso, por estranho que pareça, estou muitas vezes de acordo com Saramago.&lt;br /&gt;Mas, de facto, não foi a Saramago que quis responder, nem era minha intenção entrar na polémica gerada pelas suas palavras, mais do que pelo livro, que tem de ser analisado com critérios literários e acabou-se.&lt;br /&gt;Da sua obra disse que a não a achava genial e não retiro uma palavra ao que escrevi, aliás salvaguardando as opiniões de especialistas que pensem de outro modo.&lt;br /&gt;Mas insisto nos critérios literários, que têm de ser intrínsecos à obra. Além disso, com alguma imodéstia, penso que quem dedicou mais de seis décadas aos estudos literários, abrangendo uma grande diversidade de séculos, línguas e culturas, tem pelo menos o direito de opinar prescindindo das cabalas dos prémios e dos jogos de marketing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terminar, porque se trata de uma questão de justiça e verdade dos factos, gostaria de convidar o meu comentador e outros leitores a relerem o discurso de Bento XVI, pronunciado na Universidade de Ratisbona, a 12 de Setembro de 2006:&lt;br /&gt;Transcrevo os dois parágrafos que serviram de base para os ataques de que foi alvo.&lt;br /&gt;Diz o Papa, depois de falar na necessidade de um diálogo amadurecido entre fé e razão:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Tudo isto me voltou à mente, quando recentemente li a parte – publicada pelo professor Theodore Khoury (Münster) – do diálogo que o douto imperador bizantino Manuel II Paleólogo teve com um persa erudito sobre cristianismo e islão e sobre a verdade de ambos, talvez durante os acampamentos de inverno no ano de 1391 em Ankara. Presumivelmente terá sido o próprio imperador que depois, durante o assédio de Constantinopla entre 1394 e 1402, escreveu este diálogo; deste modo se explicaria por que aparecem os seus raciocínios referidos de forma muito mais pormenorizada que os do seu interlocutor persa. O diálogo cobre todo o âmbito das estruturas da fé contidas na Bíblia e no Alcorão, detendo-se principalmente sobre a imagem de Deus e do homem mas também – e repetidamente, como era de esperar – sobre a relação entre as três «Leis» ou três «ordens de vida», como então se designava o Antigo Testamento, o Novo Testamento e o Alcorão. Por agora, nesta lição, não pretendo falar disso; primeiro gostava de acenar brevemente a um assunto – aliás bastante marginal na estrutura de todo o diálogo – que me fascinou no contexto do tema «fé e razão» e vai servir como ponto de partida para as minhas reflexões sobre este tema.&lt;br /&gt;No sétimo colóquio (διάλεξις – controvérsia) publicado pelo Prof. Khoury, o imperador aborda o tema da jihād, da guerra santa. O imperador sabia seguramente que, na sura 2, 256, lê-se: «Nenhuma coacção nas coisas de fé». Esta é provavelmente uma das suras do período inicial – segundo uma parte dos peritos – quando o próprio Maomé se encontrava ainda sem poder e ameaçado. Naturalmente, sobre a guerra santa, o imperador conhecia também as disposições que se foram desenvolvendo posteriormente e se fixaram no Alcorão. Sem se deter em pormenores como a diferença de tratamento entre os que possuem o «Livro» e os «incrédulos», ele, de modo surpreendentemente brusco – tão brusco que para nós é inaceitável –, dirige-se ao seu interlocutor simplesmente com a pergunta central sobre a relação entre religião e violência em geral, dizendo: «Mostra-me também o que trouxe de novo Maomé, e encontrarás apenas coisas más e desumanas tais como a sua norma de propagar, através da espada, a fé que pregava» O imperador, depois de se ter pronunciado de modo tão ríspido, passa a explicar minuciosamente os motivos pelos quais não é razoável a difusão da fé mediante a violência. Esta está em contraste com a natureza de Deus e a natureza da alma. Diz ele: «Deus não se compraz com o sangue; não agir segundo a razão – «σὺν λόγω» – é contrário à natureza de Deus. A fé é fruto da alma, não do corpo. Por conseguinte, quem desejar conduzir alguém à fé tem necessidade da capacidade de falar bem e de raciocinar correctamente, e não da violência nem da ameaça... Para convencer uma alma racional não é necessário dispor do próprio braço, nem de instrumentos para ferir ou de qualquer outro meio com que se possa ameaçar de morte uma pessoa...».&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não quero substituir-me à análise de quem se dispuser a ler o texto; permito-me apensa antecipar duas observações:&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, de facto, na Universidade de Ratisbona, Bento XVI não fala na qualidade de representante da Igreja Católica, mas como Professor daquela Universidade, que profere a tradicional lição de despedida; lição que não proferira quando deixara a cátedra para assumir as funções de Arcebispo de Munique-Freising.&lt;br /&gt;Estamos assim, como é fácil de perceber, perante um texto privado, que não pode em caso nenhum ser visto como tomada de posição da Igreja, que o autor não representa ao falar como catedrático de uma Faculdade, ainda que seja de Teologia.&lt;br /&gt;Mas o mais importante é que o Prof. Joseph Ratzinger não faz nenhuma das afirmações que lhe são atribuídas.&lt;br /&gt;Lendo bem o texto, sem ideias preconcebidas, pode até dizer-se que rejeita essas afirmações, já que rejeita o tom do imperador e chama a atenção para o facto de ele omitir precisamente o que diz o Alcorão contra a violência na propagação da fé.&lt;br /&gt;Realmente, do que se trata, na conversa do imperador bizantino com o intelectual persa, é da ilegitimidade da jihad, a guerra santa islâmica, que, como frisa Bento XVI, não está de acordo com o próprio Alcorão.&lt;br /&gt;Finalmente, o tema do discurso do Papa, que não fala na sua condição de Papa, é precisamente a necessidade de evitar que a fé se transforme em fanatismo, e a razão em tirania, o que só se consegue com o diálogo amadurecido entre as duas.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com um grande abraço de amizade&lt;/div&gt;&lt;div&gt;AAP&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-5858865070502657320?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/5858865070502657320/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=5858865070502657320' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5858865070502657320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5858865070502657320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2009/10/de-novo-saramago.html' title='DE NOVO SARAMAGO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SuSxXasxs9I/AAAAAAAAAYU/LCxfPAkGaWA/s72-c/SARAMAGO.2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-5510381201639747250</id><published>2009-10-19T17:11:00.000-07:00</published><updated>2009-10-19T17:30:52.023-07:00</updated><title type='text'>NEM INCÓMODO NEM GENIAL</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/St0BI0I1eJI/AAAAAAAAAYM/Y22LiPpEZdM/s1600-h/SANS%C3%83O.DALILA.CRN.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 210px; FLOAT: right; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394469179606005906" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/St0BI0I1eJI/AAAAAAAAAYM/Y22LiPpEZdM/s320/SANS%C3%83O.DALILA.CRN.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Volto, passado mais de um mês, só para dizer que o último livro de Saramago não é, como pretendeu aquele jornalista que tive a infelicidade de ouvir, nem incómodo nem genial.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não é incómodo para mim, como não o é para milhões de crentes, que, ao contrário do que pensa Saramago e tantos ignorantes da nossa praça, sabem que a Bíblia é um conjunto de livros, com uma vastíssima variedade de estilos, mar imenso de elementos culturais; enfim, palavra humana que, e isto só os crentes o entendem, serve de veículo a uma mensagem divina. E, isto também só os crentes o entendem, Deus não selecciona os Seus instrumentos. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em suma, digamos sem complexos, a Bíblia dos crentes, cristãos, judeus e muçulmanos, pouco ou nada tem a ver com a Bíblia de Saramago.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Também acho que não é genial, embora respeite a opinião contrária dos que estudam a sua obra literária, enquanto literária, com critérios verdadeiramente científicos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Em meu entender, Saramago, como escritor é pouco original; inclusivamente quanto aos temas, que lhe vêm da moda do disfemismo religioso, do qual imita autores que estão muito acima dele. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Uma coisa me deixa triste, no meio disto tudo: É que um português laureado com o Prémio Nobel da Literatura leia a Bíblia e fale dela como faria um iletrado das nossas aldeias que tivesse perdido a fé numa qualquer encruzilhada desta vida, em que sdobram os salteadores.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-5510381201639747250?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/5510381201639747250/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=5510381201639747250' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5510381201639747250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5510381201639747250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2009/10/nem-incomodo-nem-genial.html' title='NEM INCÓMODO NEM GENIAL'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/St0BI0I1eJI/AAAAAAAAAYM/Y22LiPpEZdM/s72-c/SANS%C3%83O.DALILA.CRN.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-4151173107835193007</id><published>2009-09-17T11:39:00.000-07:00</published><updated>2009-09-17T12:19:27.961-07:00</updated><title type='text'>REGRESSO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SrKDeRllBXI/AAAAAAAAAX4/krR0hb2pxC8/s1600-h/ACODE-ME,+SENHOR.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5382509060801496434" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 246px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SrKDeRllBXI/AAAAAAAAAX4/krR0hb2pxC8/s320/ACODE-ME,+SENHOR.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na margem, para continuar&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Foi uma ausência particularmente longa, que também deu para descanso dos que eventualmente visitam este blogue.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para mim foram dias atribulados, ainda que sem nada que se pareça com aquele afundar-se de Simão Pedro, que quase se arrependeu de pedir ao Mestre que chamasse por ele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não, foram tribulações bem à minha medida, suficientes, no entanto, para experimentar a solidariedade dos amigos, que  constitui o prolongamento carinhoso da misericórdia divina, à qual tive de recorrer em momentos de maior agitação das ondas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Algumas vezes estive para desistir de lagumas batalhas, nomeadamente as que dependem tanto da informática.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas os dias em que fui forçado a gastar o tempo olhando para dentro de mim, fizeram-me ver melhor o que significa não morrer quando queremos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Por isso aqui estou de novo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Verdade se diga que o momento não é dos melhores: a gente traz a cabeça em água, afundando-se nas enxurradas quase mortíferas dos discursos eleitoralistas. Um complemento de força para resistir à tentação de entrar na liça. porque, a menos que aconteça algo de inesperado, há muito que o debate perdeu interesse.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-4151173107835193007?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/4151173107835193007/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=4151173107835193007' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4151173107835193007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4151173107835193007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2009/09/regresso.html' title='REGRESSO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SrKDeRllBXI/AAAAAAAAAX4/krR0hb2pxC8/s72-c/ACODE-ME,+SENHOR.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-8304874655510006104</id><published>2009-08-19T12:31:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T12:52:58.109-07:00</updated><title type='text'>SÓ UM DESABAFO</title><content type='html'>Minha mãe, que foi o primeiro e talvez o maior mestre que tive, em toda a minha vida, dizia muitas vezes, para que aprendêssemos a não nos retermos no que parecia não ter saída, que o que não tem remédio remediado está.&lt;br /&gt;Meu Deus, como tenho pensado nisto esta tarde!&lt;br /&gt;Porque me assaltaram a residência e, entre outras coisas, me levaram o computador portátil, com mais de cem dias de trabalho... imensas e variadas coisas que não poderei recuperar.&lt;br /&gt;Os amigos que conhecem alguns temas aí tratados poderão dizer que assim já não preciso de destruir o que eu próprio destinava a isso: aqueles exrcícios de escrita que eram apenas execícios... de escrever e de pensar: uma espécie de recuperação meditativa do passado. E têm razão. Quem sabe se não foi para isso mesmo que me furtaram a máquina?&lt;br /&gt;O problema é que essas centenas de páginas não passam de um grão de areia no conjunto dos milhares perdidos!&lt;br /&gt;Enfim, quando se olha já para o pôr do sol da vida, fica-se a duvidar se valerá a pena recomeçar.&lt;br /&gt;O que não tem remédio remediado está. Talvez seja altura de organizar o programa crepuscular, porque crescem a sombras no horizonte.&lt;br /&gt;É só um desabafo paar algum amigo que passe por este blogue.&lt;br /&gt;Leiria, 19 de Agosto de 2009&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-8304874655510006104?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/8304874655510006104/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=8304874655510006104' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8304874655510006104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8304874655510006104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2009/08/so-um-desabafo.html' title='SÓ UM DESABAFO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-1547709448092274050</id><published>2009-07-30T14:58:00.001-07:00</published><updated>2009-07-30T15:22:01.182-07:00</updated><title type='text'>PARA O ANO SACERDOTAL</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SnIYS70SEBI/AAAAAAAAAXw/_DW77eIN17c/s1600-h/IN%C3%81CIO+DE+LOYOLA.2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364376819725373458" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 224px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SnIYS70SEBI/AAAAAAAAAXw/_DW77eIN17c/s320/IN%C3%81CIO+DE+LOYOLA.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SnIYGD0OmLI/AAAAAAAAAXo/u7l000Audzw/s1600-h/Santa+Marta.2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364376598534330546" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 193px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SnIYGD0OmLI/AAAAAAAAAXo/u7l000Audzw/s320/Santa+Marta.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O texto que se segue tem quase dezasseis anos e não é pura fantasia: nasceu num momento extremamente doloroso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao relê-lo, entre a festa litúrgica de dois antos, pareceu-me oportuno torná-lo público mais umas vez - esta é a segunda publicação - no ano sacerdotal, como sinal de gratidão para com tanta alma santa e desconhecida das multidões, que ajuda os padres a serem amis padres.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Sem ruído de palavras, o grito dos corações que amam&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Eram os pinhais da minha infância! Terrenos acidentados, encostas e vales, as quebradas que haviam escutado os primeiros gritos de revolta e os sonhos duma adolescência atribulada, empurrando para a frente a juventude, que ali, nos inícios da década de cinquenta, se tornava verdadeiramente estranha, intrigante, até para mim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Agora passava por aqueles caminhos novos, sorria aos sonhos de há quarenta anos e misturava a saudade com os ecos felizes do encontro de família onde todos queríamos gozar a recordação das origens: celebravam-se os anos, de nascimento, de vida matrimonial, de recepção do sacramento da Ordem, tanta efeméride que se desejava manter viva. Parei no cimo da colina, e quando me vi só, recordando a festa e as suas motivações, pensei que havia necessidade de fazer silêncio. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isso mesmo: calar a festa, para que nos não esqueçamos de agradecer a Deus. Porque tudo nos vem d’Ele, até a possibilidade de recordar com alegria datas históricas que às vezes os acidentes da vida ou a maldade dos homens transformam em marcos dolorosos. Calem-se os ruídos da alegria, para que nos não esqueçamos das raízes dela.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Depois, foi o correr normal dos dias: eram ainda as férias, mas diluindo-se já no choque das labutas e dos interesses que as provocam. Vieram os ruídos: o homem troca a alegria de conviver pela crueldade de ferir. Voltei àqueles pinhais, aos vales e às encostas do berço, sem o qual não consigo aguentar a cama de adulto. E apeteceu-me gritar, com mais força ainda: cale-se o alarido do escândalo, para que vejamos a nossa maldade!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não sei como foi. Há tanta coisa nesta vida que foge quando queremos analisá-la...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas era inconfundível aquele sorriso: num rosto que não poderei nunc esquecer, porque pertence à paisagem da minha adolescência desencantada, quando o era, tão habilidosa combinação da alegria com a dor.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estaa ali, ao virar da esquina, como há vinte, vinte e cinco, trinta anos... isso, trinta anos exactos, animando-me a prosseguir, porque me não faltaria o fogo do amor de Deus que lhe ardia no coração nem a caridade das orações que esse mesmo fogo inspirava. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Deitei a mão ao bolso e encontrei, entrte os papéis que lançara nele semanas antes, algumas notas rabiscadas de outros apontamentos íntimos: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Eu quero passar a minha vida sofrendo pelos pecadores e pelos sacerdotes&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Palavras de uma jovem de vinte e poucos anos, que, quatro décadas mais tarde, quando a doença a retinha no leito de dor, longe de Jesus Sacramentado, escrevia de novo: &lt;em&gt;Senhor, se me fosse possível, passaria este dia junto do sacrário a pedir-Vos pela Santa Igreja... Aceitai este dia, meu Jesus, pelos sacerdotes, pelos Vossos Padres, pelo Santo Padre. ÓMaria, Rainha do Clero, ajudai os Padres, para que sejam Santos, para que a Santa Igreja renasça com mais esplendor&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tive vontade de chorar, porque me senti, mais uma vez, profundamente indigno de uma Igreja que tem almas tão grandes. Mas vi de novo esse encantador sorriso de dor e alegria. E pensei que estava a ser cobarde, dissimilando o medo com a máscara da humildade. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-1547709448092274050?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/1547709448092274050/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=1547709448092274050' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/1547709448092274050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/1547709448092274050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2009/07/para-o-ano-sacerdotal.html' title='PARA O ANO SACERDOTAL'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SnIYS70SEBI/AAAAAAAAAXw/_DW77eIN17c/s72-c/IN%C3%81CIO+DE+LOYOLA.2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-1452721235356869556</id><published>2009-07-29T16:24:00.000-07:00</published><updated>2009-07-29T16:35:20.462-07:00</updated><title type='text'>RECOMEÇAR</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SnDa4sjuwiI/AAAAAAAAAXQ/v7Pg0LORVPs/s1600-h/Santa_Marta.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364027823766815266" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 289px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SnDa4sjuwiI/AAAAAAAAAXQ/v7Pg0LORVPs/s320/Santa_Marta.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Para resistir, resistir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o desejo de resistir ao desgaste da memória que fez surgir este blogue,que, por isso mesmo, era uma espécie de locutório onde se tentava quebrar a solidão necessária com as palavras livres, escusadas, quiçá mesmo inúteis.&lt;br /&gt;Depois, esta sensação de inutilidade foi contaminando os outros blogues... e a abundância de temas era quase sempre força inibidora, porque abundavam também as razões ou, talvez melhor, os motivos de silêncio: estar calado já não era só o mais cómodo; parecia também o mais útil.&lt;br /&gt;Conversas de quem é pessimista, dirão os que me conhecem, se é que algum se atreve a visitar esta minha Resistência.&lt;br /&gt;Pois. Eu quero precisamente resistir ao pessimismo, naquilo em que ele pode ser falta de Esperança, virtude sobrenatural, bem entendido, mas que não cabe em quem por sistema contempla o mundo com olhar vesgo: o que tanto acontece quando se realça demasaido o negativo, como quando se não vê senão o positivo. Também existe uma esperança humana, como se pode falar de um optimismo natural; mas, para além da desconfiança que nutro em relação a todos os –&lt;em&gt;ismos&lt;/em&gt;, parece-me que, em última análise, é o horizonte sobrenatural que ajuda a esperar contra toda a esperança, como diria o Apóstolo dos Gentios, alimentando assim as raízes do verdadeiro optimismo.&lt;br /&gt;Vou por isso escrever aqui, de vez em quando, sem ritmo certo, mas sempre com o desejo de não me deixar esmagar por nenhum dos dinamismos que reduzem a nossa capacidade de pensar. Como, além de outros objectivos, queria com este blogue abrir alguns janelões no cenóbio em que me vai encerrando a idade... e o resto, que é do conhecimentodos amigos, se algum dos meus visitantes quiser dar sinal, ainda que seja só para me dizer o que eu já sei – que isto não vale nada – ficar-lhe-ei muito grato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia da Santa Marta, fugura do discípulo que tende a antepôr o mais urgente ao mais importante.&lt;br /&gt;Augusto Pascoal&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-1452721235356869556?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/1452721235356869556/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=1452721235356869556' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/1452721235356869556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/1452721235356869556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2009/07/recomecar.html' title='RECOMEÇAR'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SnDa4sjuwiI/AAAAAAAAAXQ/v7Pg0LORVPs/s72-c/Santa_Marta.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-3562099174567555773</id><published>2009-05-27T15:50:00.000-07:00</published><updated>2009-05-27T16:02:53.394-07:00</updated><title type='text'>PARA RECOMEÇAR</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Sh3E9WBb3iI/AAAAAAAAAXA/QUxhGSw5hxY/s1600-h/OS+LUS%C3%8DADAS.1.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340641291293941282" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 220px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Sh3E9WBb3iI/AAAAAAAAAXA/QUxhGSw5hxY/s320/OS+LUS%C3%8DADAS.1.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Desagravar Camões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedico este post àquele amigo que, a uma proposta de reflexão poético-mística , a partir destes  versos do nosso épico, me respondeu peremptoriamente: “não quero cá esse gajo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;As armas e os barões assinalados,&lt;br /&gt;Que da ocidental praia Lusitana,&lt;br /&gt;Por mares nunca de antes navegados,&lt;br /&gt;Passaram ainda além da Taprobana,&lt;br /&gt;Em perigos e guerras esforçados,&lt;br /&gt;Mais do que prometia a força humana&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt;: I, 1-6)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande Camões! Perdido nas malhas de um temperamento indomável, atormentado por sonhos irrealizáveis, esquecido dos que a sua Musa engrandecera, pobre, doente... sem registos credíveis do seu nascimento e da sua morte, cinzas dispersas pela fúria dos tempos e a ingratidão dos homens.&lt;br /&gt;Nem a Pátria, que te engoliu a saúde e o génio, se deu alguma vez conta do que valeste para ela.&lt;br /&gt;Estou a ler o início do teu imortal poema, cuja única desgraça, no dizer de um dos teus mais autorizados intérpretes, foi ter sido escrito em português. Ainda que o mesmo estudioso afirme que nos resta a consolação de saber que, no século XVI, uma obra assim só poderia ter sido escrita em português.&lt;br /&gt;E foi.&lt;br /&gt;Porque foram portugueses – lusíadas – os homens, na sua maioria anónimos, que encarnaram essa tua visão da história humana: uma viagem fascinante, atormentada, cruel e gloriosa, permanente encadear de factos em que a pessoa se ultrapassa a si mesma, no bem e no mal... porque marcado pelas limitações da criatura a que também chamaste “bicho da terra tão pequeno”.&lt;br /&gt;E tenho pena, confesso, que, exactamente nestes dias em que se fala tanto de ti, se esqueça a tua mensagem, que não é apenas poética: o verdadeiro futuro, essa utopia de um festim em que o tempo se confunde com a eternidade, e os tormentos passados se convertem em felicidade indizível, como acontece na ilha que Tétis prepara para os heróis, é dos que, não se resignando ao que promete a força humana, se lançam por mares nunca dantes navegados e vão além da Taprobana.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-3562099174567555773?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/3562099174567555773/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=3562099174567555773' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3562099174567555773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3562099174567555773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2009/05/para-recomecar.html' title='PARA RECOMEÇAR'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Sh3E9WBb3iI/AAAAAAAAAXA/QUxhGSw5hxY/s72-c/OS+LUS%C3%8DADAS.1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-1181791043934642281</id><published>2009-04-11T09:27:00.000-07:00</published><updated>2009-04-11T09:53:57.300-07:00</updated><title type='text'>MEDITAÇÃO DE SÁBADO SANTO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SeDGAmlGLBI/AAAAAAAAAWw/VgaWBEuSnPw/s1600-h/CRUCIFIXO.3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5323472473210366994" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 191px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SeDGAmlGLBI/AAAAAAAAAWw/VgaWBEuSnPw/s320/CRUCIFIXO.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;O Silêncio de Deus&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como há muito não escrevo neste blogue, ofereço a algum visitante que por aqui passe, com todo o respeito pela sua intimidade, uma selecção dos parágrafos do meu diário deste Sábado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Começo por citar, com o coração agradecido, uma frase que alguém me escreveu já hoje:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Um Deus assim, só pode ser Deus!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Primeiro, porque esta frase me fez recordar o trecho que li de manhã, na Liturtgia das Horas e que, numa tradução que me parece empobrecer o original, começa assim:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Que vem ser isto?&lt;br /&gt;Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio uma grande solidão. Um grande silêncio porque o Rei dorme; a terra estremeceu e ficou silenciosa. Porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos. Deus morreu segundo a crane e acordou a região dos mortos&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um Deus assim, só pode ser Deus.&lt;br /&gt;É isso, claro:&lt;br /&gt;Um Deus assim, só pode mesmo ser Deus!&lt;br /&gt;E a fé neste Deus traz-me uma enorme alegria. Alegria e conforto, tão necessários num mundo perticularmente desconfortável, como é o nosso.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Insisto: é verdade que o pensar no silêncio de Deus: que não se verifica apenas na Paixão, mas sempre que os gritos da multidão se sobrepõem à busca da serenidade interior, particularmente necessária quando a dor cresce desmesuradamente; pensar neste silêncio me dá alegria e conforto.&lt;br /&gt;Este Deus que Se cala para não esmagar quem O fere... que Se cala perante a dor dos homens, que só no silêncio podem descobrir a sua dignidade e simultaneamente o carinho do autor dessa mesma dignidade.&lt;br /&gt;Houve tempo em que foi moda falar do silêncio de Deus como um escândalo, motivo invocado por certas mentes pouco esclarecidas, talvez demasiado dependentes de mitologias ancestrais, para abndonar a fé.&lt;br /&gt;Afinal, que Deus seria esse, se O não tivéssemos antes mergulhando na nossa dor, calado, porque não O entenderíamos se falasse, mais espantado do que irritado perante a maldade dos homens, morrendo connosco, quando a morte é a única saída, precisamente para nos ajudar a tomá-la como saída e não como tragédia definitiva.&lt;br /&gt;Sinto uma imensa gratidão por todos aqueles que me ajudaram - e ajudam ainda - a guardar esta fé, que, sem deixar de ser um dom de Deus, radica num sem número de mediações que nunca identificaremos na totalidade.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-1181791043934642281?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/1181791043934642281/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=1181791043934642281' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/1181791043934642281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/1181791043934642281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2009/04/meditacao-de-sabado-santo.html' title='MEDITAÇÃO DE SÁBADO SANTO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SeDGAmlGLBI/AAAAAAAAAWw/VgaWBEuSnPw/s72-c/CRUCIFIXO.3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-5645743482311524197</id><published>2009-03-06T15:11:00.000-08:00</published><updated>2009-03-06T15:24:02.773-08:00</updated><title type='text'>INTOLERÂNCIA MASCARADA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SbGvkEC0KAI/AAAAAAAAAWY/L4zJl1gLn28/s1600-h/FARISEUS.5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310218469742225410" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SbGvkEC0KAI/AAAAAAAAAWY/L4zJl1gLn28/s320/FARISEUS.5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SbGvUVc2YPI/AAAAAAAAAWQ/NfjsueAtTXc/s1600-h/FILHO+PR%C3%93DIGO.3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5310218199536918770" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 293px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SbGvUVc2YPI/AAAAAAAAAWQ/NfjsueAtTXc/s320/FILHO+PR%C3%93DIGO.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Ora, o filho mais velho estava no campo. Quando regressou, ao aproximar-se de casa ouviu a música e as danças. Chamou um dos servos e perguntou-lhe o que era aquilo. Disse-lhe ele: ‘O teu irmão voltou e o teu pai matou o vitelo gordo, porque chegou são e salvo.’ Encolerizado, não&lt;/em&gt; &lt;em&gt;queria entrar&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Lucas:&lt;/em&gt; 15, 25-28a).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Como o irmão mais velho&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Confesso que levei muitos anos a perceber onde quis chegar o redactor do terceiro evangelho, ao descrever-nos, através dos seus gestos, a figura do “irmão mais velho”, cujo diálogo com o pai encerra a belíssima parábola, dita, ainda que impropriamente, “do filho pródigo”: este, que talvez não tenha tido a alegria de ver o irmão na festa que o pai fez pelo seu regresso.&lt;br /&gt;Era porque a princípio situava demasiado este capítulo de Lucas no quadro das disputas com os fariseus.&lt;br /&gt;Mais tarde, quando me fui dando conta de que a parábola se destina sobretudo a pôr em realce a misericórdia divina, que só atinge os que, de facto, reconhecem precisar dela, comecei a dar mais importância a figuras que, como a do filho mais velho, que nunca deu nenhum desgosto ao pai, não eram puro ornamento, figuras secundárias sem importância no desenvolvimento global da narrativa.&lt;br /&gt;Depois, vieram os factos, falo só do que observei e meditei, quase sempre sozinho: o escândalo de muitos católicos do ocidente, quando, em plena guerra fria, João XXIII, dando sequência a gestos mais discretos do seu antecessor, iniciou aquilo a que se deu, por analogia, talvez injusta, o nome de “ostpolitik” do Vaticano. Paulo VI veio a seguir, com o estender da mão aos dissidentes que, após o Vaticano II, talvez com demasiada ingenuidade, haviam confundido as coisas, misturando Gramsci e o seu &lt;em&gt;eurocomunismo&lt;/em&gt;, com o afã de actualização – &lt;em&gt;aggiormento&lt;/em&gt; – que caracteriza a dinâmica mais genuína do Evangelho.&lt;br /&gt;Aliás, Paulo VI foi também o primeiro Papa que, depois do século XI, teve a coragem de se deslocar à Grécia e abraçar uma das figuras mais importantes da Igreja Ortodoxa, declarando, ao mesmo tempo, sem efeito a excomunhão deixada sobre o altar de Santa Sofia, em Maio de 1054, pelo legado do papa Leão IX, Humberto de Silva Cândida.&lt;br /&gt;Também então se ouviram vozes discordantes, no interior da Igreja, que me fizeram pensar naquele filho mais velho, escudado na sua tranquilidade de consciência.&lt;br /&gt;O que acontece é que sendo estes gestos dos papas como que sinais de uma viragem à esquerda, o escândalo foi menor, devido ao complexo hoje dominante em todos sectores culturais, políticos e religiosos, da nossa Europa decadente.&lt;br /&gt;Quando, porém, João Paulo II tomou a iniciativa de procurar as ovelhas tresmalhadas do outro lado, da área mais conservadora, o alarido foi muito maior, e as incompreensões mais profundas e difíceis de ultrapassar: para alguns católicos, que me pareceram ainda mais intolerantes do que os lefebrianos, nem a cisão entretanto surgida no seio adquele movimento e que trazia consigo sinais de esperança, serviu para desculpar o Papa.&lt;br /&gt;Agora Bento XVI, coerente com o dinamismo que imprimiu ao seu pontificado, como fizera já com a questão dos modos de celebrar a Eucaristia, tira aos discípulos mais radicais do arcebipo rebelde o pretexto de que se serviam para não se aproximarem de Roma... e parece que o Papa provoca um cataclismo na Igreja.&lt;br /&gt;E não me venham com a hipocrisia da referência à entrevista, aliás mal lida, de um dos beneficiários... uma entrevista que, intencionalmente, os seus autores só tornaram pública na altura da decisão papa, quase três meses depois.&lt;br /&gt;Faz-me pena, não que os políticos manipulem os factos à medida dos seus interesses, mas que os  cristãos de consciência limpa, como aquele filho mais velho que nunca saíu da casa paterna, na hora de festejar o regresso do pródigo, façam coro com eles.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-5645743482311524197?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/5645743482311524197/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=5645743482311524197' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5645743482311524197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5645743482311524197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2009/03/intolerancia-mascarada.html' title='INTOLERÂNCIA MASCARADA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SbGvkEC0KAI/AAAAAAAAAWY/L4zJl1gLn28/s72-c/FARISEUS.5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-3726201183944187339</id><published>2009-02-17T08:33:00.001-08:00</published><updated>2009-02-17T08:35:16.332-08:00</updated><title type='text'>A MINHA HOMENAGEM</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SZrnGLO1tgI/AAAAAAAAAVk/He6UKbmenog/s1600-h/%C3%93CULOS.1.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303805604462441986" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SZrnGLO1tgI/AAAAAAAAAVk/He6UKbmenog/s320/%C3%93CULOS.1.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Apenas uns óculos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corria o ano de mil novecentos e cinquenta. Eu entrara alguns meses antes para o Seminário... uma casa enorme, já então pouco adequada à pedagogia da formação humana e sacerdotal a que se destinava.&lt;br /&gt;Um edifício único, onde se chagava criança ou nos alvores da adolescência e donde se saía, quando se perseverava, o que acontecia em pouco mais de15% dos casos, homem feito e sacerdote carregado de sonhs.&lt;br /&gt;Era quinta-feira, dia da semana dedicado às actividades extra-escolares, que incluiam educação física, sessões culturais da parte da manhã, passeio e futebol da parte da tarde.&lt;br /&gt;Hora da ginástica. O Senhor Carlos da Silva, assim nos refríamos nós, os mais novos, aos “maiores”, que frequentavam o Seminário Maior...  O Senhor Carlos Silva estava no grupo cujos exercícios eu observava, com mais admiração do que curiosidade.&lt;br /&gt;Ineperadamente saiu em direcção a mim e confiou-me os óculos, que aceitei sem perguntas, até porque ele não me deu tempo para elas.&lt;br /&gt;Fiquei dividido entre a vaidade e o temor: como é que aquele “grande” olhara para um miúdo, que até aí não se tornava notado senão pelos defeitos, que o faziam sentir-se tão mal na sua pele?&lt;br /&gt;Entre a vaidade e o temor, passava os óculos de uma mão para a outra, a tremer, não sei se de alegria se de temor... e, de repente, não sei como nem porquê, vejo-me com os óculos feitos em duas metades, segurando em cada mão uma haste, com o respectivo aro.&lt;br /&gt;Na memória desse momento ficou-me a sensação de uma catástrofe, que não soube classificar, mas que me fez sentir vontade de desaparecer para sempre: não era só o desejo de me esconder, era um sentimento de quem experimenta total incapacidade perante ciscunstâncias, tão desumanas quanto inesperadas.&lt;br /&gt;Fugi dali, andei não sei por onde, atré que o proprietário dos óculos – o Senhor Carlos da Silva -me encontrou à saída da capela e, perante o meu balbuceio – não sei como foi isto, mas eu pago – respondeu com um sorriso: deixa lá, eu colo isso. E retirou-se agradecendo, com outro sorriso, ainda mais aberto, mais franco, o meu serviço... como se eu tivesse feito garnde coisa.&lt;br /&gt;Foi o regresso à nomalidade do mundo, que estivera do avesso por alguns momentos, ao mesmo tempo, tão curtos e tão extensos, como a eternidade.&lt;br /&gt;A referência aos óculos surgiu ainda outra vez, com uma frase que era como uma carícia de quem percebera o desarrazoado em que eu caira, à noie, no ensaio da “schola cantorum”, na qual eu desempenhava, com os seminaristas da minha idade, o papel de soprano.&lt;br /&gt;Passaram os anos, multiplicaram-se os episódios, alguns particularmente compelxos.&lt;br /&gt;Trabalhámos juntos mais de três décadas; várias vezes estivemos em desacordo.&lt;br /&gt;E se nunca consegui desfazer a distância que a idade punha entre nós, a memória que me ficou do episódio dos óculos foi sempre a grande construtora dos pilares que seguravam a ponte, essa sim, construída pela sua enorme capacidade de transpor obstáculos de relacionamento humano.&lt;br /&gt;Depois fui apreciando o artista, que era também um crente sem complexos; às vezes incompreendido na seriedade com que encarava o serviço litúrgico e a sua missão de formar para ele. A sua fé era viva, tão profunda quão transparente.&lt;br /&gt;E as melodias que continuamente lhe ouvíamos, dentro e fora dos seus aposentos, foram para mim sempre como um clarão nas trevas que tantas vezes, certamente por culpa minha, se me atravessavam naqueles corredores imensos, demasiado frios para o tarbalho que aí se nos pedia.&lt;br /&gt;Querido Dr, Carlos, não sei durante quanto tempo vou ainda ficar por aqui: mas posso garantir-lhe que a lembrança do episódio de há cinquenta nove anos, cruzando-se com a memória das suas músicas e da unção com que as executava e fazia executar, ajudar-me-á, não só a rezar por si – se é que precisa -, mas a continuar rezando esta vida, para o que Deus queira que a conserrve.&lt;br /&gt;Um abraço. Até breve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-3726201183944187339?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/3726201183944187339/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=3726201183944187339' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3726201183944187339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3726201183944187339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2009/02/minha-homenagem.html' title='A MINHA HOMENAGEM'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SZrnGLO1tgI/AAAAAAAAAVk/He6UKbmenog/s72-c/%C3%93CULOS.1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-1982121850541768642</id><published>2009-02-17T08:30:00.000-08:00</published><updated>2009-02-17T08:32:15.343-08:00</updated><title type='text'>A</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SZrmfitxOWI/AAAAAAAAAVc/rpYd649O19Y/s1600-h/%C3%93CULOS.1.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303804940751288674" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 291px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SZrmfitxOWI/AAAAAAAAAVc/rpYd649O19Y/s320/%C3%93CULOS.1.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-1982121850541768642?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/1982121850541768642/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=1982121850541768642' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/1982121850541768642'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/1982121850541768642'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2009/02/blog-post.html' title='A'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SZrmfitxOWI/AAAAAAAAAVc/rpYd649O19Y/s72-c/%C3%93CULOS.1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-4247703930615367647</id><published>2009-02-14T11:24:00.000-08:00</published><updated>2009-02-14T11:47:58.384-08:00</updated><title type='text'>PARA NÃO CALAR DE TODO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SZcbErEZaFI/AAAAAAAAAVU/MOd8SxlEJwk/s1600-h/COMA.3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302736853346642002" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SZcbErEZaFI/AAAAAAAAAVU/MOd8SxlEJwk/s320/COMA.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SZca11mZc8I/AAAAAAAAAVM/NN9t9BewHL0/s1600-h/COMA.2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5302736598475568066" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SZca11mZc8I/AAAAAAAAAVM/NN9t9BewHL0/s320/COMA.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Jurei a mim mesmo que não falaria do assunto, pelo menos para já. Tenho vindo a cumprir o juramento, apesar de não estar seguro de que seja a atitude mais correcta, sobretudo quando se vão multiplicando os discursos e os gestos tendentes a cobrir uma imensa hipocrisia, que se foi estendendo, envolvendo tudo e todos, até aqueles de quem nunca se esperaria tal coisa.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Isto não é ainda a quebra do juramento: é apenas a oferta, para quem queira recebê-la, da partilha de um raio de luz que me chegou, via ZENIT, da América do Sul.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O sacerdote Aldo Trento é, desde 1989, um dos missionários mais conhecidos da Fraternidade de São Carlos Borromeu do Paraguai. Tem 62 anos e é responsável por uma clínica para doentes terminais, em Assunção.&lt;br /&gt;Em 2 de Junho passado, o presidente da República Italiana, Giorgio&lt;br /&gt;Napolitano, havia-lhe conferido o título de Cavaleiro da Ordem da Estrela&lt;br /&gt;da Solidariedade.&lt;br /&gt;Na quarta-feira passada, o sacerdote devolveu a condecoração&lt;br /&gt;a Napolitano, por não ter assinado o decreto que teria detido o protocolo&lt;br /&gt;médico para Eluana Englaro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Como posso eu, cidadão italiano, receber semelhante honra, quando o senhor Presidente, com sua intervenção, permite a morte de Eluana, em nome da República Italiana?».&lt;br /&gt;«Tenho mais de um caso como o de Eluana Englaro: Penso no pequeno Víctor, um menino em coma, que aperta os punhos; a única coisa que fazemos é dar-lhe de comer com a sonda. Diante destas situações, como posso reagir frente ao caso de Eluana?»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Ontem trouxeram-me uma menina nua, uma prostituta, em coma, deixada na&lt;br /&gt;porta de um hospital; chama-se Patrícia, tem 19 anos; nós lavámo-la e&lt;br /&gt;limpámo-la. E ontem ela começou a mexer os olhos».&lt;br /&gt;«Celeste tem 11 anos, sofre de leucemia gravíssima, não havia sido tratada&lt;br /&gt;nunca; trouxeram-na para mim, a fim de que fosse internada. Hoje Celeste&lt;br /&gt;caminha. E sorri.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Levei ao cemitério mais de 600 destes enfermos. Como se pode aceitar&lt;br /&gt;semelhante operação, como a que se fez com Eluana?»&lt;br /&gt;«Cristina é uma menina abandonada numa lixeira; é cega, surda, treme quando a&lt;br /&gt;beijo, vive com uma sonda, como Eluana. Não reage, só treme, mas pouco a&lt;br /&gt;pouco recupera as faculdades».&lt;br /&gt;«Sou padrinho de dezenas destes enfermos. Não me importa a sua pele&lt;br /&gt;putrefacta. O senhor Presidente haveria de ver com que humildadeos meus médicos tratam deles.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aldo Trento diz experimentar uma «dor imensa» pela história de Eluana&lt;br /&gt;Englaro: «É como se me dissessem: agora vamos levar daqui os seus filhos&lt;br /&gt;doentes».&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para este missionário, «o homem não se pode reduzir a uma questão química».&lt;br /&gt;«Como pode o presidente da República oferecer-me uma estrela da&lt;br /&gt;solidariedade no mundo?  Por isso a levei à embaixada italiana no Paraguai.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Aqui o racionalismo cai, deixando espaço ao niilismo. Dizem-nos&lt;br /&gt;que uma mulher ainda viva já estaria praticamente morta. Mas então é&lt;br /&gt;absurdo também o cemitério e o culto à imortalidade que animam a nossa&lt;br /&gt;civilização.»&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Junto a fotografia de uma jovem, antes e depois do coma, no qual esteve durabte seis meses.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-4247703930615367647?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/4247703930615367647/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=4247703930615367647' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4247703930615367647'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4247703930615367647'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2009/02/para-nao-calar-de-todo.html' title='PARA NÃO CALAR DE TODO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SZcbErEZaFI/AAAAAAAAAVU/MOd8SxlEJwk/s72-c/COMA.3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-3699880754958939124</id><published>2008-12-24T10:58:00.000-08:00</published><updated>2008-12-24T11:17:05.686-08:00</updated><title type='text'>EFEMÉRIDE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SVKG2NmOj7I/AAAAAAAAAU0/6OLdmaFOOuc/s1600-h/BUTTERFLY.4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283433578780069810" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 313px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SVKG2NmOj7I/AAAAAAAAAU0/6OLdmaFOOuc/s320/BUTTERFLY.4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Puccini &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vai para um mês que não apareço neste blog; não é falta de temas, mas de outras coisas, que não vou especificar aqui.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para intimidades bastam uns parágrafos da página que escrevi no dia 22, 150º aniversário do nascimento de Puccini.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aqui vão eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;La Bohème&lt;/em&gt;, cenas finais: Mimi, consumida pela doença e a loucura da paixão, acolhe o sono da morte encostada ao peito de Rodolfo: &lt;em&gt;La Bohème&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Madame Butterffly&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Tosca&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Suor Angelica&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Turandot&lt;/em&gt;... Puccini e o seu carinho pelas mulheres infelizes... Vem-me à lembrança a afirmação de João Paulo II, segundo o qual por detrás do sofrimento de uma mulher está sempre o pecado de um homem. E se falamos do sofrimento das mulheres, então, temos de pensar nos pecados dos homens.&lt;br /&gt;Acontece, porém, que o contexto das palavras do Papa pode tornar-se algo redutor, se consideramos apenas o problema das relações entre as duas formas de existência humana, que Deus quis assim, uma para outra, mas cada uma com plenitude de significado cósmico.&lt;br /&gt;A literatura ocidental, mesmo antes da sua penetração pela cultura judeo-cristã, diríamos que desde as tradições que produziram o mito de Orfeu e Eurídice, encontrou um filão inesgotável na temática da impossibilidade de realização plena da felicidade que sempre se busca na paixão amorosa: o amor que se realiza, morre, numa espécie de suicídio fatal.&lt;br /&gt;Assim, o coração que mais ama, aquele que leva mais longe a lógica da entrega, corre maiores riscos de encontrar a infelicidade onde procura a felicidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Claro que não é uma fatalidade.&lt;br /&gt;E, sem negar que estamos perante realidades demasiado complexas, que não se compadecem com análises simplistas, temos de concordar que quando Deus sai do horizonte das nossas vidas, elas se tornam mais limitadas e consequentemente mais trágicas, porque o que define a pessoa é o seu carácter relacional... e quando as nossas relações se encerram no espaço intra-mundano, ou se quebram as fronteiras ou nos destruímos.&lt;br /&gt;Isto não tem que ver com a chamada violência doméstica.&lt;br /&gt;A violência, que já vai sendo tempo de enquadrar nas suas verdadeiras dimensões, até porque corremos o risco de misturar na mesma panela ingredientes que, não sendo da mesma natureza, acabam por inutilizar o prato que certos feminismos pretendem servir nas conversas de café e nos areópagos da comunicação social.&lt;br /&gt;Voltemos a Puccini, mesmo sem sacrificar a metafísica dos sentimentos:&lt;br /&gt;No dia em que se celebram os 150 anos do seu nascimento, talvez fosse oportuno aproveitar a efeméride para fazer outras reflexões, como, por exemplo, aprofundar as dimensões antropológicas da sua música, dos grandes dramas da humanidade, que, como acontece com a guerra e todos os aleijões da nossa caminhada histórica, vitimam sempre quem, como a mulher e a criança, está mais perto das fontes da vida e, consequentemente, menos capacitado para abusar da força.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-3699880754958939124?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/3699880754958939124/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=3699880754958939124' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3699880754958939124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3699880754958939124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/12/efemride.html' title='EFEMÉRIDE'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SVKG2NmOj7I/AAAAAAAAAU0/6OLdmaFOOuc/s72-c/BUTTERFLY.4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-791173324917180480</id><published>2008-11-27T12:48:00.000-08:00</published><updated>2008-11-27T12:57:41.387-08:00</updated><title type='text'>O CLAMOR DAS RUINAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SS8IFSscOOI/AAAAAAAAAT4/7MSMuv2GI6A/s1600-h/IC%C3%93NIO.3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5273442575684745442" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 316px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SS8IFSscOOI/AAAAAAAAAT4/7MSMuv2GI6A/s320/IC%C3%93NIO.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Podemos perfeitamente admitir que os apóstolos trabalharam em Icónio durante mais de um ano e que fizeram sortidas nos arredores... onde fundaram pequenas Igrejas aldeãs  que mais tarde se viriam a unir à Igreja principal de Icónio. Ao lado de Antioquia, Icónio foi durante muito tempo um ponto focal da Cristandade, no interior da Ásia Menor, e constituía um patriarcado com cinco cidades.&lt;br /&gt;Mas não ficaria sempre assim: Veio um tempo em que Icónio se tornou residência de sultões e sede de seitas muçulmanas radicais.&lt;br /&gt;Antes da IGuerra Mundial, Icónio tinha uma população de 60.000 habitantes, e o caminho de ferro para Bagdad fez dela novamente uma cidade importante. Os cristãos arménios mantiveram-se leais à sua fé, até serem brutalmente massacrados pelos turcos durante a guerra.&lt;br /&gt;Assim, a herança de Paulo, fruto do seu trabalho e do seu sofrimento, a amada Igreja da Galácia, caiu no esquecimento.&lt;br /&gt;Mas tudo isto está de acordo com a tragédia da vida de Paulo e do seu lugar na história.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Traduzi livremente da versão inglesa do livro de Joseph Holzner: &lt;em&gt;Paulus, seine Leben und seine Briefe.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Um texto muito naterior ao oportunismo nascido do Ano Paulino, que, sem deixar de ser uma dádiva preciosa de Bento XVI à Igreja, num mundo venalizado como o nosso, corre sérios riscos de se transformar numa ocasião perdida. São Paulo e a história das suas viagens apostólicas merecem muito mais do que tornar-se ocasião de enriquecimento para comerciantes, a maior parte dos quais inclui os herdeiros daqueles que destruiram a sua obra na Ásia Menor.&lt;br /&gt;Sai-me do fundo da alma um grito dirigido aos crentes do Ocidente que vão percorrer "os passos de São Paulo", seguindo itinerários geralmente escalonados por quem não quer saber da sua mensagem para nada, pedindo-lhes que aproveitem para tazer da Turquia mais do que lá vão deixar: A lição de São Paulo, da sua loucura por Cristo... e também a tragédia da sua vida, da qual falam as ruinas das comunidades, das Igrejas que fundou.&lt;br /&gt;Ruinas com as quais os cristãos do Ocidente se resignam num silêncio tão cúmplie como cobarde.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-791173324917180480?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/791173324917180480/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=791173324917180480' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/791173324917180480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/791173324917180480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/11/o-clamor-das-ruinas.html' title='O CLAMOR DAS RUINAS'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SS8IFSscOOI/AAAAAAAAAT4/7MSMuv2GI6A/s72-c/IC%C3%93NIO.3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-6241999228513742620</id><published>2008-11-26T08:04:00.000-08:00</published><updated>2008-11-26T08:10:45.365-08:00</updated><title type='text'>O MAU USO DAS PALAVRAS</title><content type='html'>I&lt;br /&gt;FALANDO DE LAICIDADE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mal não é de hoje: podemos até dizer que existe desde o primeiro momento em que o homem se deu conta de que podia usar determinados sons para comunicar, não propriamente o seu pensamento, mas aquilo que gostaria que os outros vissem como pensamento seu.&lt;br /&gt;Chame-se-lhe o que se quiser: manipulação da linguagem, terrorismo linguítsico, erro, falácia, ou simplesmente mentira.&lt;br /&gt;Mentira consciente, porque se quer enganar, ou mentira involuntária, porque se ignora o real significado das palavras.&lt;br /&gt;Seja como for, pode dizer-se que o combate ideológico, seja filosófico, político ou religioso, está muitas vezes marcado pelo mau uso das palavras, que tanto podem servir para ilustrar como para enganar.&lt;br /&gt;É um tema que já abordei mais do que uma vez nos meus blogues e que me traz realmente apoquentado, pois me dou conta de como, em Portugal, os formadores da opinião pública, por distracção, às vezes, por ignorância, muitas vezes, e por má fé, quando nos apanham distraídos, encobrem o erro com o véu das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um grupo delas, agora muito em moda, pertence à familia de &lt;em&gt;laico&lt;/em&gt; (latim: &lt;em&gt;laicum&lt;/em&gt;, que, por via normal, não escolar, veio a dar &lt;em&gt;leigo&lt;/em&gt;): &lt;em&gt;laicismo &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;laicidade&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Esta última palavra, porque muito do apreço de Bento XVI, aparece agora com mais frequência nos jornais, que, no entanto, não a tomam no sentido em que a emprega o Papa, mas aproximando-a subreticiamente de &lt;em&gt;laicismo&lt;/em&gt;, que é outra coisa radicalmente diferente.&lt;br /&gt;Aconselha-se a leitura de um texto publicado pelo Dr. Luís Inácio João, em &lt;em&gt;Leiria-Fátima&lt;/em&gt;, órgão oficial da diocese, sob o título: “Laicidade, serviço à pessoa e à sociedade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao autor agradeço o ter-me posto à disposição esse texto, do qual transcrevo o passo seguinte, como introdução a outras reflexões que farei sobre o mau uso desta e doutras palavras que andam por aí aos pontapés de quem quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Entre nós, um deficit manifesto de “socialização” de valores imprescindíveis, leva o Estado a voltar-se para a reforma escolar, de indesmentível urgência. Erra, não obstante, se açambarcar o que só lhe incumbe de forma parcial e subsidiária. Não seria a primeira vez que intervencionismos estatais na transmissão e (re)produção da cultura redundam em abusos de lesa democracia. Ao Estado nunca é permitido nem substituir-se às instâncias intermédias da sociedade civil, nem “professar” ou impor qualquer ideologia mesmo que a do partido maioritário. Aliás estaria a amaneirar as bases do Direito que o legitima e pelo qual deve reger-se. Decididamente, o debate ideológico e cultural não é o seu campo. Pelo contrário, incumbe-lhe criar as condições para que as instâncias competentes o assumam e levem a bom termo. Entretanto, urge estar atento à sociedade civil que, demitindo-se com facilidade, pactua, conivente, com excessivas estatizações. Renitente, às vezes em demasia, quanto à intervenção na área económica, parece não se importar que sejam negadas às famílias a prioridade e a liberdade de escolha e de intervenção na educação dos filhos.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-6241999228513742620?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/6241999228513742620/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=6241999228513742620' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6241999228513742620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6241999228513742620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/11/o-mau-uso-das-palavras.html' title='O MAU USO DAS PALAVRAS'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-4863497946412487145</id><published>2008-11-11T16:02:00.001-08:00</published><updated>2008-11-11T16:06:19.962-08:00</updated><title type='text'>EFEMÉRIDES</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SRodpPZJIII/AAAAAAAAATg/hxUBb7w1q7A/s1600-h/Martinho+V.1.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5267555308507046018" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 249px; CURSOR: hand; HEIGHT: 249px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SRodpPZJIII/AAAAAAAAATg/hxUBb7w1q7A/s320/Martinho+V.1.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onze de Novembro, festa litúrgica dessa grande figura de finais do século IV que, vinda da Europa Central, se transformou num dos principais evangelizadores das Gálias.&lt;br /&gt;São Martinho de Tours lhe chamam os livros litúrgicos, para o distinguir de outros santos e figuras da Igreja que dão pelo mesmo nome.&lt;br /&gt;Um desses é, por exemplo, Martinho de Dume, que, dois séculos mais tarde, veio da mesma região da Europa e acabou evangelizando o extremo noroeste da Península &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ibérica e a cuja acção se devem, entre outras coisas importantes, algumas das especificidades da língua portuguesa.&lt;br /&gt;E poderíamos também pensar naquele onze de Novembro de 1417, quando Otão Colonna, escolhido em Sutri para, como Papa, levar a bom termo os esforços destinados a resolver a crise criada pelo cisma de 1378, toma o nome de Martino V.&lt;br /&gt;À primeira vista parece tratar-se apenas de datas, simples efemérides que pouco ou nada têm a ver umas com as outras.&lt;br /&gt;E, afinal, não é assim.&lt;br /&gt;Pensando bem, ligando pessoas e acontecimentos, estes e outros, não perdendo nada do que caracteriza os contextos em que todos se inserem, vamo-nos dar, mais uma vez, com aquilo que nos falta, não só para compreendermos este mundo que dá pelo nome de Europa, mas também encontrarmos pistas fundamentais na solução da crise profunda que o consome.&lt;br /&gt;Agora, quando reparamos na insensatez que caracteriza os movimentos pseudo-culturais deste período, não podemos evitar uma profunda sensação de desencanto e pessimismo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-4863497946412487145?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/4863497946412487145/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=4863497946412487145' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4863497946412487145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4863497946412487145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/11/efemrides.html' title='EFEMÉRIDES'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SRodpPZJIII/AAAAAAAAATg/hxUBb7w1q7A/s72-c/Martinho+V.1.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-9030546700003541328</id><published>2008-10-30T12:15:00.000-07:00</published><updated>2008-10-30T12:21:38.766-07:00</updated><title type='text'>DESMITIFICAR A HISTÓRIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SQoIaSVmT6I/AAAAAAAAATQ/duJe-F8L_To/s1600-h/PONTE+M%C3%8DLVIO.2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263028362227896226" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 212px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SQoIaSVmT6I/AAAAAAAAATQ/duJe-F8L_To/s320/PONTE+M%C3%8DLVIO.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SQoIFDsjZjI/AAAAAAAAATI/0ULjnSfji-Y/s1600-h/PONTE+M%C3%8DLVIO.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5263027997520389682" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 263px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SQoIFDsjZjI/AAAAAAAAATI/0ULjnSfji-Y/s320/PONTE+M%C3%8DLVIO.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Da Ponte Mílvio à brecha da Porta Pia&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais uma vez, não resisto à tentação de oferecer aos visitantes deste blogue uns parágrafos da página do meu diário pessoal dedicada aos santos Simão e Judas, 28 de Outubro, quando me preparava para encerrá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente veio-me à ideia que passam hoje mil seiscentos e noventa e seis anos – quase mil e setecentos - sobre a derrota e morte de Maxêncio frente ao exército de Constantino, seu rival na luta pela hegemonia sobre a parte ocidental do Império.&lt;br /&gt;E a memória atira mais uma vez comigo para trás, para o início da década de sessenta do século passado: Roma, apesar dos seus dois milhões de habitantes, era ainda uma cidade acolhedora, e nós podíamos preencher as horas que o estudo nos deixava livres, para ver nas pedras muito daquilo que lhe dá jus ao título de cidade eterna.&lt;br /&gt;Numa pacata tarde de domingo, céu de cores esbatidas, sol outonal, temperaturas quase primaveris, subimos pela margem esquerda do Tibre, até à reconstruída Ponte Mílvio.&lt;br /&gt;Falámos da luta pelo poder ao longo dos quase dois mil anos de história do Império Romano, demorando-nos um pouco nas lendas que adornam a queda de Maxêncio e a chegada a Roma do filho de Constâncio Cloro: o ambicioso Constantino, que, apesar do apoio que lhe dera o Ocidente, não morria de amores pela cidade do Tibre e acabou por preteri-la a favor do miradouro do Bósforo, que honrou com a sua presença e o seu nome.&lt;br /&gt;Éramos ainda muito jovens, e a história, quer dos povos, em geral, quer da Igreja, em particular, não fazia parte dos estudos que nos havima levado àquela cidade: falávamos quase só por intuição, tentando estremar eventos, factos e lendas, para uma interpretação minimamente objectiva, não tanto da tomada do poder por Constantino, como sobretudo da história do Ocidente, após essa tomada.&lt;br /&gt;Com tanta juventude, não podia deixar de ser demasiado ingénua a nossa leitura.&lt;br /&gt;No entanto, hoje, volvidos mais de quarenta anos, que foram também de estudo e reflexão, parece-me que, no essencial, as nossas intuições iam na direcção certa:&lt;br /&gt;Primeiro, a luta entre Constantino e Maxêncio, não teria tido um significado mais transcedente do que uma infinidade de outras que e a precederam e seguiram, à volta de Roma e daquilo que, desde a mais remota antiguidade, ela significava para todo os povos da bacia do Mediterrâneo.&lt;br /&gt;Depois, ligar o triunfo de Constantino a um pretenso triunfo do cristianismo, teria sido um daqueles equívocos que surgem em certas épocas da história e que se matêm por interesses inconfessáveis de ideologias que se servem deles tanto para condenar como para exaltar acontecimentos e heróis.&lt;br /&gt;Escrevo isto agora, um pouco pelo orgulho, Deus me perdoe, que sinto nessas intuições dos dois jovens de batina, era assim que na altura se vestiam os alunos das faculdades eclesiásticas de Roma, junto da velha e renovada Ponte Mílvio.&lt;br /&gt;Ou eu me engano muito ou o cristianismo não ganhou mais com a tomada da Ponte Mílvio por Constantino, em 312, do que perdeu com a brecha da Porta Pia, em 1870.&lt;br /&gt;Falta apenas que alguém, com tempo e competência, empreenda um tarbalho sério de desmitificação dessa ponte e dessa porta.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-9030546700003541328?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/9030546700003541328/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=9030546700003541328' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/9030546700003541328'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/9030546700003541328'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/10/desmitificar-histria.html' title='DESMITIFICAR A HISTÓRIA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SQoIaSVmT6I/AAAAAAAAATQ/duJe-F8L_To/s72-c/PONTE+M%C3%8DLVIO.2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-3117562345014896706</id><published>2008-10-24T01:41:00.000-07:00</published><updated>2008-10-24T02:06:52.283-07:00</updated><title type='text'>RAÍZES DE OPTIMISMO</title><content type='html'>As complicações de ordem profissional que, nos últimos meses, têm marcado a minha vida, juntamente com um certo cansaço, tanto físico como psíquico, afastam-me frequentemente e por largos períodos, destes espaços, onde gosto de dizer algo do muito que me vai na alma, apesar de quase nunca ter ecos de algum amável interlocutor que eventualmente me leia até o fim.&lt;br /&gt;Hoje, cortando o deserto de comunhão que me envolve, queria oferecer aos meus visitantes, sem pressionar ninguém para que me leia, os ecos da minah luta pessoal contra o pessimismo em que permanentemente quer mergulhar-nos a comunicação social, gritando umas coisas e silenciando outras, obretudo no que se refere aos valores religiosos, ou àquilo a que dão o nome pomposo de crise da Igreja.&lt;br /&gt;Deixo para trás o falecimento, já esta semana, quando estava prestes a concluir os cem anos, da Irmã Emmanuelle, a figura mais popular da França, na segunda metade do século XX.&lt;br /&gt;Desejava apenas apresentar dois textos bíblicos, com alguns pensamentos que me inspiram, a propósito do úlitmo Sínodo dos Bispos, do qual os nossos jornais pouco mais nos trouxeram do que os episódios mais chocantes.&lt;br /&gt;Aqui vão os textos que alimentam o meu optimismo esta manhã:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Eu, o prisioneiro no Senhor, exorto-vos, pois, a que procedais de um modo digno do chamamento que recebestes; com toda a humildade e mansidão, com paciência: suportando-vos uns aos outros no amor, esforçando-vos por manter a unidade do Espírito, mediante o vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, assim como a vossa vocação vos chamou a uma só esperança; um só Senhor, uma só fé,um só baptismo; 6um só Deus e Pai de todos,que reina sobre todos, age por todos e permanece em todos&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Efésios:&lt;/em&gt; 4, 1~6)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dizia também às multidões: «Quando vedes uma nuvem levantar-se do poente, dizeis logo: ‘Vem lá a chuva’; e assim sucede. E quando sopra o vento sul, dizeis: ‘Vai haver muito calor’; e assim acontece. Hipócritas, sabeis interpretar o aspecto da terra e do céu; como é que não sabeis reconhecer o tempo presente?»&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Lucas:&lt;/em&gt; 12, 54-56)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso mesmo:&lt;em&gt;reconhecer o tempo presente&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Isto é: saber descobrir e ler os sinais da presença de Deus, que é único e que nos acompanha na nossa caminhada  histórica. Mas que se esconde aos olhos de quem não quer  ver nada para além do que lisongeia as paixões e os contra-valores da cultura actual.&lt;br /&gt;Precisamente a cultura que não conseguiu ver os sinais de esperança emergentes deste Sínodo, todo consagrado a uma reflexão sobre a Palavra de Deus no seio das comunidades crentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-3117562345014896706?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/3117562345014896706/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=3117562345014896706' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3117562345014896706'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3117562345014896706'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/10/razes-de-optimismo.html' title='RAÍZES DE OPTIMISMO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-8475001959224800883</id><published>2008-10-04T15:41:00.000-07:00</published><updated>2008-10-04T15:54:05.590-07:00</updated><title type='text'>REGRESSO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SOfz4sSWxnI/AAAAAAAAASY/seUhH6a3Ifk/s1600-h/ASSISI.8.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253435645637346930" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SOfz4sSWxnI/AAAAAAAAASY/seUhH6a3Ifk/s320/ASSISI.8.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SOfx0zLas7I/AAAAAAAAASQ/ns0IJatkR18/s1600-h/ASSISI.4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253433379744560050" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SOfx0zLas7I/AAAAAAAAASQ/ns0IJatkR18/s320/ASSISI.4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;PARA NÃO ESQUECER&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedico este “post” a todos quantos, nas últimas semanas, dentro e fora da família, com tantos gestos, alguns deles verdadeiramente surpreendentes, me mostraram como a amizade que se aprende nos livros fica muito aquém da que se consegue viver, quando nos não anima senão o desejo de que os outros se sintam o melhor possível na vida. É uma página do meu caderno diário, notas de 4 de Outubro 2008:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À sombra de São Francisco, que me recorda como se pode transformar o mundo cantando as suas belezas: o poeta e o santo unidos num só homem que, de repente decide levar até às últimas consequências a sua paixão por Cristo e por aqueles que Ele ama. Como Paulo e Agostinho, para falar apenas dos dois que maiores marcas deixaram no mundo ocidental.&lt;br /&gt;Francisco e a lembrança daquela viagem a Assis, a 29 de Dezembro, a terminar com aquele jogo – onze limões meio limão – a encurtar a viagem de regresso, tanto que quase não demos pela chegada a Roma... mergulhados num franciscanismo que espantaria o próprio Poverello.&lt;br /&gt;Francisco, que me espicaça a memória, para fazer vir de novo ao de cima aquele jantar de aniversário no Solar... o jantar dos amigos de há oito anos, no Cristal... até à festa, há dias, ali, no princípio da subida para aquela urbanização que as lembranças da juventude procuram esconder, para saborear de novo o encanto do pinhal onde, aos domingos, nos divertíamos com todo o tipo de jogos. Santo António, São Francisco... e a necessidade de espaços para revigorarmos o que há de mais precioso nas relações humanas.&lt;br /&gt;Vontade de agradecer os protagonistas desta alegria, que só não foi maior, porque sentimos a falta dos que, sobretudo no encontro de há oito dias, não puderam estar... e gostaríamos de ter visto.&lt;br /&gt;Confesso que me senti um pouco mais jovem, e isso obriga-me e ser mais agradecido.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com muito carinho para todos&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Augusto Pascoal&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-8475001959224800883?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/8475001959224800883/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=8475001959224800883' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8475001959224800883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8475001959224800883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/10/regresso.html' title='REGRESSO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SOfz4sSWxnI/AAAAAAAAASY/seUhH6a3Ifk/s72-c/ASSISI.8.gif' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-793166131478720443</id><published>2008-09-08T15:01:00.000-07:00</published><updated>2008-09-08T15:08:57.061-07:00</updated><title type='text'>MARIA E A IGREJA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SMWh4DDy7hI/AAAAAAAAASA/JGjOowToYWY/s1600-h/CRUCIFIXO.3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5243775325408783890" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SMWh4DDy7hI/AAAAAAAAASA/JGjOowToYWY/s320/CRUCIFIXO.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;No primeiro dia da última parte das minhas férias, um pouco aliviado de um certo agravamento das mazelas da idade, retomo, não sei por quanto tempo, os desabafos electrónicos, que não passam disso: desabafos para fugir à solidão, procurando, ao mesmo tempo, sugerir algumas pistas de reflexão para quem achar que pode segui-las com proveito.&lt;br /&gt;Hoje, quando se celebra a Natividade de Maria – digamos, em linguagem familiar, os anos de Nossa Senhora -, lembrei-me de oferecer esta reflexão aos familiares com quem jantei faz amanhã oito dias: estavam divinais, aquelas sardinhas; mas o que mais se me fixou na memória, foi a conversa! Que até valeria a pena continuar, não acham?&lt;br /&gt;Aqui vai o texto, que é quase todo bíblico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Junto à cruz de Jesus estavam, de pé, sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria, a mulher de Clopas, e Maria Madalena. Então, Jesus, ao ver ali ao pé a sua mãe e o discípulo que Ele amava, disse à mãe: «Mulher, eis o teu filho!» Depois, disse ao discípulo: «Eis a tua mãe!» E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;João&lt;/em&gt;: 19, 25-27).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De um modo geral, o comum das pessoas imagina que os textos bíblicos são geradores da fé: assim como se, por exemplo, após a Ascensão, os companheiros de Jesus tivessem ficado à espera de alguém escrever um livro para saber em que acreditar.&lt;br /&gt;Ora, o que sabemos é que, em primeiro lugar, para os cristãos, pelo menos, não se trata de saber em quê, mas em quem acreditar. E isso está claro, desde o princípio: acredita-se em Jesus Cristo; por isso se lhes dá o nome de cristãos; nome que, originalmente teria o seu quê de pejorativo, pelo menos quanto à forma.&lt;br /&gt;Os textos foram surgindo a pouco e pouco, uns para fixar, outros para desenvolver, outros ainda para explicar tudo o que se relacionava com a fé da comunidade.&lt;br /&gt;Nesta produção de textos, acreditamos nós, esteve presente a acção do Espírito Santo, como cumprimento das promessas do Senhor.&lt;br /&gt;E quando os textos não correspondiam à fé da comunidade, esta rejeitava-os: são os que desiganmos por apócrifos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixemos o tema para quem tenha mais tempo e competência.&lt;br /&gt;Mas, se todo o Evangelho de João é uma enorme meditação sobre a fé, estes quatro versículos, por eles e pela relação que têm com o resto, são de uma importância especialíssima. Diríamos até que serão a chave de leitura de todo o Evangelho.&lt;br /&gt;Também aqui não me meto, porque se trata de um caminho para o qual não tenho pernas.&lt;br /&gt;Direi apenas que o autor do quarto evangelho responde aqui a duas perguntas que talvez ele próprio tenha feito a si mesmo, e que hoje se fazem até muitos cristãos: como se explica o lugar que ocupa nas nossas relações com Deus a Mãe de Jesus e a Igreja?&lt;br /&gt;Aconselho a leitura do comentário a estes versículos, editado pela última versão da “Bíblia Sagrada”, da Difusora Bíblica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-793166131478720443?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/793166131478720443/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=793166131478720443' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/793166131478720443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/793166131478720443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/09/maria-e-igreja.html' title='MARIA E A IGREJA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SMWh4DDy7hI/AAAAAAAAASA/JGjOowToYWY/s72-c/CRUCIFIXO.3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-4503784256273764463</id><published>2008-07-07T15:16:00.000-07:00</published><updated>2008-07-07T15:26:35.950-07:00</updated><title type='text'>REQUIEM POR UMA EURTOPA QUE JÁ FOI</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_RYvQV7KleZ4/SHKWHh2A7bI/AAAAAAAAAL4/lygtf9v50sQ/s1600-h/EUROPA.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5220399974164000178" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_RYvQV7KleZ4/SHKWHh2A7bI/AAAAAAAAAL4/lygtf9v50sQ/s320/EUROPA.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;São as últimas cenas da &lt;em&gt;Carmen&lt;/em&gt; de Bizet: como sempre, a força mágica dos sons prendem-me ao fim trágico dos dois amantes – talvez a cigana de Merimé não seja a figura mais trágica do drama -  e penso no outro herói espanhol, que vem de Tirso a Mozart, passando por Zorrilla... Carmen e Don Juan (de &lt;em&gt;El Burlador de Sevilla&lt;/em&gt; a &lt;em&gt;Dom&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Giovanni&lt;/em&gt;). Depois, o pensamento alarga-se: Fernão Mendes Pinto, Calderón, Cervantes...&lt;br /&gt;Deixo de lado esse texto tão  mal tratado pelos que falam a língua em que foi escrito, e fixo-me nos temas da cultura espanhola, para não misturar coisas que, apesar daquilo que as apoxima, podem distrair-nos do essencial.&lt;br /&gt;Carmen e El Bulrador de Sevilla... há quem os refira como dois tipos de amor à espanhola: sem cálculos nem medida; até à morte.&lt;br /&gt;Eu diria antes: dois tipos de amor trágico, como é quaqluer paixão sem limites, quando tudo se confina no quadro da existência intramundana... e quanto mais total for  a entrega, maior é a experiência de insatisfação, porque só em Deus uma entrega total é, ao mesmo tempo, recuperação total.&lt;br /&gt;Verdade que se esconde por detrás de inúmeros tópicos literários, alguns recuperados pelos românticos, talvez nem sempre conscientes da seiva que lançavam nas veias de uma cultura que, apesar das particulariades nacionais, assim se tornava cada vez mais igual, sem deixar de ser diferente.&lt;br /&gt;Era a Europa, que antes de ser a Europa das Nações, como queria De Gaulle, fora a Europa dos valores.&lt;br /&gt;Esta, que os políticos teimam em construir à revelia dos cidadãos, está cada vez mais vazia, mais descolorida, porque cada vez menos autêntica.&lt;br /&gt;E será que a Espanha, que parece ir na frente desta corrida para o esvaziamento e o descolorido, guardará alguma coisa desse imenso repositório de dados que, sobretudo nos últimos séculos, fascinaram pensadores e artistas, na busca da complexidade do ser humano.&lt;br /&gt;É uma pena que se deixe ir assim ao fundo todo um continente, cada vez menos capaz de responder ao que o mundo dele legitimamente espera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-4503784256273764463?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/4503784256273764463/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=4503784256273764463' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4503784256273764463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4503784256273764463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/07/requiem-por-uma-eurtopa-que-j-foi.html' title='REQUIEM POR UMA EURTOPA QUE JÁ FOI'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_RYvQV7KleZ4/SHKWHh2A7bI/AAAAAAAAAL4/lygtf9v50sQ/s72-c/EUROPA.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-1564295171907032097</id><published>2008-06-17T14:03:00.000-07:00</published><updated>2008-06-17T14:10:05.099-07:00</updated><title type='text'>A VINHA DE NABOT</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SFgnbFIUq9I/AAAAAAAAALw/CCO9X5DtAQQ/s1600-h/PAISAGEM.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5212959914868386770" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SFgnbFIUq9I/AAAAAAAAALw/CCO9X5DtAQQ/s320/PAISAGEM.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aos leitores deste blogue, ofereço mais um página do meu diário:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Tempo chuvoso. Dizem os meteorologistas que não durará muito, mas à hora em que me debruço sobre a janela para contemplar a piasagem do vale, há humidade no ar e nuvens carregadas no céu. Um céu triste, a condizer com as marcas do horizonte em que se projectam as lembranças do meu domingo.&lt;br /&gt;Martelam-me os ouvidos os discursos políticos e as notícias desencorajantes que chegam de todos os lados.&lt;br /&gt;Também se fala de uma lei anti-corrupção... mais uma jogada no faz de conta, para enganar os incautos.&lt;br /&gt;E não posso evitar o regresso dos pensamentos que me despertou o trecho do livro dos Reis, lido na Eucaristia desta manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nabot de Jezrael tinha uma vinha junto ao palácio de Acab, rei da Samaria. Disse então Acab a Nabot: «Cede-me a tua vinha para que eu a transforme em horta, pois fica junto da minha casa. Dar-te-ei em troca uma vinha melhor; ou, se te convier, pagar-te-ei o seu valor em dinheiro.» Nabot disse a Acab: «Pelo Senhor! Seria um sacrilégio ceder-te a herança de meus pais!» Acab voltou para casa triste e irritado, pelo facto de Nabot lhe ter dito: «Não te darei a herança de meus pais.» Deitou-se na cama, voltou o rosto para a parede e não quis mais comer. Sua esposa veio ter com ele e perguntou-lhe: «Por que razão estás assim irritado e não queres comer?» Ele respondeu-lhe: «Porque falei a Nabot de Jezrael, dizendo-lhe: ‘Cede-me a tua vinha por dinheiro ou, se mais te convier, dar-te-ei por ela outra vinha’, e ele respondeu-me: ‘Não te darei a minha vinha.’ Então Jezabel, sua esposa, disse-lhe: «Não és tu o rei de Israel? Levanta-te, come, não te aflijas! Eu mesma te darei a vinha de Nabot de Jezrael.» Escreveu cartas em nome de Acab, selando-as com o selo real, e enviou-as aos anciãos e aos magistrados da cidade, concidadãos de Nabot. Nelas lhes dizia: «Proclamai um jejum e fazei sentar Nabot na primeira fila da assembleia. Fazei vir à sua presença dois homens malvados que o acusem dizendo: ‘Tu blasfemaste contra Deus e contra o rei!’ Levai-o, depois, para fora da cidade e apedrejai-o até ele morrer.» Os homens da cidade, os anciãos e os magistrados, concidadãos de Nabot, fizeram o que lhes mandara Jezabel, conforme o conteúdo da carta que ela lhes enviara. Proclamaram um jejum e fizeram Nabot sentar-se em lugar de honra. Vieram então os dois malvados, puseram-se na presença de Nabot e depuseram contra ele perante o povo, dizendo: «Nabot blasfemou contra Deus e contra o rei!» Fizeram-no sair da cidade, apedrejaram-no e ele morreu. Mandaram então dizer a Jezabel: «Nabot foi apedrejado e morreu.» Quando Jezabel teve conhecimento que Nabot fora apedrejado e já estava morto, disse a Acab: «Levanta-te e toma posse da vinha que Nabot de Jezrael recusara ceder-te por dinheiro; Nabot já não é vivo! Morreu!» Mal Acab ouviu dizer que Nabot tinha morrido, levantou-se logo para descer até à vinha de Nabot de Jezrael, a fim de tomar posse dela&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;1Reis:&lt;/em&gt; 21, 1-16).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para mim, que não sou especialista, mas apenas um leitor crente, é flagrante, a semelhança entre este episódio e muito do que se passa nas nossas sociedades, sempre que o poder entra como ingrediente de resolução nas relações humanas.&lt;br /&gt;Nabot defende a sua vinha apelando para valores de que o rei era suposto defensor. E terá sido por ele ter apelado para esses valores que deixou Acab tão mal disposto.&lt;br /&gt;Mas a ironia da história, aqui verdadeiarmente trágica, é assim: será precisamente a partir de tais valores, inseridos num quadro de ambições a descoberto de qualquer referência ética, que Nabot vai perder a vida e a vinha.&lt;br /&gt;A diferença hoje está em que a novidade cristã nos não permite desejar a vingança que a mesma história, como instrumento da justiça divina, vai realizar sobre os protagonistas do episódio bíblico.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-1564295171907032097?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/1564295171907032097/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=1564295171907032097' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/1564295171907032097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/1564295171907032097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/06/vinha-de-nabot.html' title='A VINHA DE NABOT'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SFgnbFIUq9I/AAAAAAAAALw/CCO9X5DtAQQ/s72-c/PAISAGEM.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-4004303895880649059</id><published>2008-06-05T07:33:00.001-07:00</published><updated>2008-06-05T07:44:01.043-07:00</updated><title type='text'>OITO ANOS ATRÁS</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SEf5_Aqp4PI/AAAAAAAAALY/_gSu3muOVl8/s1600-h/SAMARITANA.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5208406354983248114" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SEf5_Aqp4PI/AAAAAAAAALY/_gSu3muOVl8/s320/SAMARITANA.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ao invés das origens&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui vai mais uma página, esta muito recente, do meu diário.&lt;br /&gt;Ofereço-a a todos os que há oito anos estiveram comigo na realização daquele sonho espantoso que foram as Jornadas Culturais 2000-2001.&lt;br /&gt;Penso especialmente nas andanças provocadas pela ideia louca de lavar à cena &lt;em&gt;O Processo de Jesus...&lt;/em&gt; &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aqui vai a página:&lt;br /&gt;Arranquei o álbum do canto onde o guardava há muitos meses, talvez há anos.&lt;br /&gt;Nanna Mouskouri faz-me sempre lembrar aquelas férias do Natal passadas nos arredores de Paris, vai para quarenta e oito anos: eu não tinha nada que fazer e via televisão, que era ainda a preto e branco e, mesmo na França, tinha só um canal.&lt;br /&gt;Do que Nanna Mouskouri cantou então, e foi tudo particularmente fascinante, ficou-me apenas um título: &lt;em&gt;L’Enfant au Tambour.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Depois houve outros concertos, outras audições... e hoje escuto  enquanto vou subindo a serra, céu nublado, promessas de chuva, que, no, entanto, não cai.&lt;br /&gt;E a voz de prata da cantora grega afasta-me para longe, no tempo e no espaço... tanto quanto o permite a estrada solitária, agora já no cimo da serra, com todos os perigos que encerram as pequenas estradas do interior, onde as pessoas imaginam que não há mais niguém no seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;L’Etranger&lt;/em&gt;, apesar de ser uma das primeiras canções do álbum, vem-me a cada momento à memória: &lt;em&gt;Il est arrivé à l’hure où le soleil rougit&lt;/em&gt;... mais feminina,  no conteúdo e no encanto da voz que a executa, que a congénere portuguesa, que me pareceu, a primeira vez que a ouvi na toada masculina das baladas combrãs, demasiado brejeira.&lt;br /&gt;Depois vêm-me à mente outros problemas: como, por exemplo, o facto de a arte, ao invés do que aconteceu no início da evangelização da Europa, como que esvaziar a cultura da riqueza que lhe trouxe o Evangelho: diríamos que já não se inculura o Evangelho, mas, ao contrário, se desevangeliza a cultura.&lt;br /&gt;Nem sempre, claro.&lt;br /&gt;E o pensamento foge-me para a tal encenação de &lt;em&gt;O Processo de Jesus&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;Desejaria não acordar mais daquela tarde, no teatro José Lúcio da Silva, onde me foram proporcionadas as melhores interpretações que jamais vi dos personagens de Diego Fabri.&lt;br /&gt;Foram todas de primeira categoria; mas permito-me salientar a prestação da Elsa – que será feito dela?-, já que o seu personagem tem muito a ver com o poema cantado por Nanna Moukouri.&lt;br /&gt;Transcrevo do porgrama dessa tarde:&lt;br /&gt;Dois mil anos depois, Jesus de Nazaré continua a ser um mistério que resiste aos discursos lógicos mais subtis e às emoções fáceis, de circunstância.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Só os pobres, os simples, os pecadores, aqueles que fazem a experiência da perda de todas as seguranças terrenas, só esses penetram nesse mistério.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Ao terminar a peça, ficamos com a impressão de que Diego Fabri nos quis dizer apenas que Jesus Cristo não se discute, aceita-se: como Pedro, João, e Tomé; como a Madalena, como a Ruiva, como a velhinha que, além de viúva, era pobre.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-4004303895880649059?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/4004303895880649059/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=4004303895880649059' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4004303895880649059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4004303895880649059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/06/oito-anos-atrs.html' title='OITO ANOS ATRÁS'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SEf5_Aqp4PI/AAAAAAAAALY/_gSu3muOVl8/s72-c/SAMARITANA.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-65382381905654237</id><published>2008-05-23T07:58:00.000-07:00</published><updated>2008-05-23T08:08:29.884-07:00</updated><title type='text'>O URUBU E A CRIANÇA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SDbcQBGQrDI/AAAAAAAAALQ/pVI85NLt_74/s1600-h/FOME.5.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203588587203898418" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SDbcQBGQrDI/AAAAAAAAALQ/pVI85NLt_74/s320/FOME.5.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Para quem por aqui passar, deixo mais uma página do meu diário:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Andava à procura de imagens que pudessem enriquecer o meu álbum, no capítulo da fome: e deparei-me com esta, que contemplei demoradamente. Depois, no auge da emoção, veio a legenda e o texto. Este é um lindo poema em português do Brasil; que não poderíamos adaptar – como, aliás fui tentado – sem destruir, não só a beleza da sua estrutura poética, mas também o carácter acutilante da sua mensagem.&lt;br /&gt;Distraio-me um pouco dela, porque me vem à memória o absurdo dos discursos que tenho ouvido sobre a “unificação da língua”.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Primeiro, a legenda:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;O &lt;em&gt;urubu espera a morte da criança por fome e inanição. A que sonhos essa criança teve direito? Egoístas que somos, sempre estamos atormentados pelos nossos pequenos problemas e esquecemos que há pessoas que sofrem de verdade. Talvez tenhamos ficado como esse urubu da foto: a morte e o sofrimento já não nos comovem. Saibamos agradecer pelo muito que recebemos e juntemos as nossas mãos para ajudar os que precisam de socorro, até para as necessidades mais simples!! O poema Além da imaginação, parece traduzir o quão esquecidas são as pessoas que sofrem:&lt;br /&gt;ouvido sobre a “unificação da língua”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, o texto:&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;“Tem gente passando fome.&lt;br /&gt;E não é a fome que você imagina&lt;br /&gt;entre uma refeição e outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente sentindo frio.&lt;br /&gt;E não é o frio que você imagina&lt;br /&gt;entre o chuveiro e a toalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente muito doente.&lt;br /&gt;E não é a doença que você imagina&lt;br /&gt;entre a receita e a aspirina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente sem esperança.&lt;br /&gt;Mas não é o desalento que você imagina&lt;br /&gt;entre o pesadelo e o despertar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente pelos cantos.&lt;br /&gt;E não são os cantos que você imagina&lt;br /&gt;entre o passeio e a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente sem dinheiro.&lt;br /&gt;E não é a falta que você imagina&lt;br /&gt;entre o presente e a mesada. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente pedindo ajuda.&lt;br /&gt;E não é aquela que você imagina&lt;br /&gt;entre a escola e a novela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente que existe e parece imaginação.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Beati qui lugent, quoniam ipsi consolabuntur."&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-65382381905654237?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/65382381905654237/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=65382381905654237' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/65382381905654237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/65382381905654237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/05/o-urubu-e-criana.html' title='O URUBU E A CRIANÇA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SDbcQBGQrDI/AAAAAAAAALQ/pVI85NLt_74/s72-c/FOME.5.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-5616053553572678973</id><published>2008-05-02T03:30:00.000-07:00</published><updated>2008-05-02T03:44:28.866-07:00</updated><title type='text'>SÃ  LAICDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SBruHckm-ZI/AAAAAAAAAK4/eMarGc7tWIw/s1600-h/WASHINTON.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5195726931821525394" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SBruHckm-ZI/AAAAAAAAAK4/eMarGc7tWIw/s320/WASHINTON.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Apesar do acicate de tanto disparate vindo a público, consegui resistir, ao longo da toda a viagem do Papa aos EUA... também por razões de saúde, mas principalmente pelas dúvidas  que me assaltam sobre a eficácia de protestos e escalerecimentos, no momneto de editá-los, neste ou noutros blogues.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Hoje, para recomeçar, deixo algumas palavras do próprio Bento XVI, que talvez sejam úteis sobretudo para os que, em Portugal, mais falam da laiciadde do Estado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No encontro com o Senhor Presidente, na sua residência, tive oportunidade de prestar&lt;br /&gt;homenagem àquele grande País, que desde o início foi edificado sobre a base de uma&lt;br /&gt;feliz conjugação de princípios religiosos, éticos e políticos, e que constitui ainda&lt;br /&gt;um exemplo válido de &lt;strong&gt;sã laicidade&lt;/strong&gt;, onde a dimensão religiosa, na diversidade das suas&lt;br /&gt;expressões, não é apenas tolerada, mas valorizada, como “alma” da Nação e garantia&lt;br /&gt;fundamental dos direitos e dos deveres do homem. Num tal contexto, a Igreja pode&lt;br /&gt;exercer com liberdade e empenho a sua missão de evangelização e promoção humana, e&lt;br /&gt;ainda de “consciência crítica”, contribuindo para a construção de uma sociedade digna&lt;br /&gt;da pessoa humana e, ao mesmo tempo, estimulando um país como os Estado Unidos,&lt;br /&gt;para o qual todos olham como um dos principais actores da cena internacional, a &lt;br /&gt;caminho da solidariedade global, sempre mais necessária e urgente, e do exercício paciente do diálogo nas relações internacionais.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt; (Audiência Geral de 30.04.08)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-5616053553572678973?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/5616053553572678973/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=5616053553572678973' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5616053553572678973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5616053553572678973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/05/s-laicdade.html' title='SÃ  LAICDADE'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/SBruHckm-ZI/AAAAAAAAAK4/eMarGc7tWIw/s72-c/WASHINTON.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-8226552437984662823</id><published>2008-04-10T14:40:00.001-07:00</published><updated>2008-04-10T14:43:33.538-07:00</updated><title type='text'>A ORQUESTRA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R_6JkY0JveI/AAAAAAAAAKo/kcEuxkrwbs8/s1600-h/ORQUESTRA.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187735079006879202" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R_6JkY0JveI/AAAAAAAAAKo/kcEuxkrwbs8/s320/ORQUESTRA.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Muito feliz, na mesma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soube pelos jornais e como notícia do passado.&lt;br /&gt;Para quem sonhou tantos anos com uma coisa parecida, saber assim, por mero acaso, acontece sempre um momento neutro, uma espécie de terra de ninguém, no campo dos sentimentos: a gente não sabe se deve ficar contente, se dar espaço a uma certa decepção... porque o sonho se realiza sem nos pedir licença, sem mesmo nos informar.&lt;br /&gt;Mas é apenas um momento: serve para medirmos também o pouco que valemos perante o real significado das coisas.&lt;br /&gt;Leiria tem uma Orquestra Sinfónica!&lt;br /&gt;Oh, como eu desejo que não se trate de mais uma ironia do destino!&lt;br /&gt;Foi uma surpresa total... o que significa que também me não dei conta da alegria da cidade, se é que a teve.&lt;br /&gt;Mas  estou contente, muito feliz, na mesma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-8226552437984662823?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/8226552437984662823/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=8226552437984662823' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8226552437984662823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8226552437984662823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/04/orquestra.html' title='A ORQUESTRA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R_6JkY0JveI/AAAAAAAAAKo/kcEuxkrwbs8/s72-c/ORQUESTRA.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-4468394533128780973</id><published>2008-04-08T15:20:00.000-07:00</published><updated>2008-04-08T15:25:10.163-07:00</updated><title type='text'>SERÁ APENAS UM PRESSENTIMENTO?</title><content type='html'>Não é verdade que os chamados jogos pan-helénicos, nascidos à sombra dos deuses e a eles dedicados - o que acabou por ser decisivo na sua decadência e definitiva extinção, já nos últimos anos do século IV cristão -, não é verdade que esses jogos fossem totalmente alheios aos interesses, sobretudo das grandes famílias, que jogavam neles o seu prestígio social e político.&lt;br /&gt;Tinham a vantagem de serem organizados sempre na mesma cidade, de não incluirem prémios monetários e de não haver disputas senão entre os participantes, o que fazia com que tudo acabasse por ser realmente desportivo, ainda que, de facto, não pudesse competir quem não tinha dinheiro.&lt;br /&gt;O Barão de Coubertin, ao querer restaurar os jogos olímpicos como competição puramente desportiva, eliminou deles aquilo que, apesar das aparências, os mantinha, de facto no âmbito desportivo: o seu carácter de festa gratuita, ligada à transcendência e o lugar fixo da sua fixação, impedindo assim competições de prestígio entre cidades.&lt;br /&gt;Pierre de Coubertin pode bem considerar-se, não direi propriamente um precursor, mas um símbolo do que se passa com os actuais construtores da Europa:&lt;br /&gt;Há, porém, uma grande diferença: o generoso aristocrata francês, ainda que não tenha visto o vergonhoso espectáculo a que assistimos neste momento, deu-se conta bem cedo do logro em que tinha caído; os autores do tratado que agora se chama de Lisboa nunca assumirão a responsabilidade que lhes incumbe no infeliz futuro dos povos que aglutinam com ineresses puramente comerciais e estratégicos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-4468394533128780973?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/4468394533128780973/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=4468394533128780973' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4468394533128780973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4468394533128780973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/04/ser-apenas-um-pressentimento.html' title='SERÁ APENAS UM PRESSENTIMENTO?'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-812820944169735932</id><published>2008-03-28T09:11:00.001-07:00</published><updated>2008-03-28T09:32:02.455-07:00</updated><title type='text'>Só Uma Lembrança</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R-0ZEIFe3UI/AAAAAAAAAKg/2o0IihebDyQ/s1600-h/SÃO+JOSEMARIA.3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182826304853957954" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R-0ZEIFe3UI/AAAAAAAAAKg/2o0IihebDyQ/s320/S%C3%83O+JOSEMARIA.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Faz hoje 83 anos que, em Saragoça, este santo, então um jovem que mal completara os 22, recebia das mãos do bispo diocesano o sacramento da Ordem.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pouco depois, em Madrid, para onde fora residir, a fim de completar os estudos de Direito, que, por conselho do pai, iniciara em simultâneo com os estudos eclesiáticos, recebe o convite para concorrer a uma cátedra universitária nessa mesma área.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Seria, dizem-lhe, mais um professor católico num ambiente particularmente hostil à Igreja.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ao que o jovem sacerdote responde:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;-Se eu for sacerdote cem por cento, a tempo pleno, não haverá apenas mais um, mas muitas centenas de professores católicos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E foram milhares... de professores leigos e sacerdotes que descobriram o seu lugar na Igreja, graças à fideliadade deste jovem aragonês.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;É apenas uma lembrança para os que neste momento se inquietam com a falta de sacerdotes e perparam mais uma jornada mundial de oração pelas vocações.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-812820944169735932?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/812820944169735932/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=812820944169735932' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/812820944169735932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/812820944169735932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/03/s-uma-lembrana.html' title='Só Uma Lembrança'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R-0ZEIFe3UI/AAAAAAAAAKg/2o0IihebDyQ/s72-c/S%C3%83O+JOSEMARIA.3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-5324359825185404602</id><published>2008-03-12T17:28:00.001-07:00</published><updated>2008-03-12T17:32:13.181-07:00</updated><title type='text'>EFEMÉRIDE</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R9h1nZ5udgI/AAAAAAAAAJ4/_rbbAYD0208/s1600-h/CAMÃES.3.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5177017091490739714" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R9h1nZ5udgI/AAAAAAAAAJ4/_rbbAYD0208/s320/CAM%C3%95ES.3.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma efeméride para pensar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;No mais, Musa, no mais, que a Lira tenho&lt;br /&gt;Destemperada e a voz enrouquecida,&lt;br /&gt;E não do canto, mas de ver que venho&lt;br /&gt;Cantar a gente surda e endurecida.&lt;br /&gt;O favor com que mais se acende o engenho&lt;br /&gt;Não no dá a pátria, não, que está metida&lt;br /&gt;No gosto da cobiça e na rudeza&lt;br /&gt;Dhüa austera, apagada e vil tristeza.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;(&lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt;: X, 145)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, 10 de Março de 1572.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A pátria afunda-se nos obscuros jogos da política interesseira das principais famílias dinásticas da Europa e da respectiva clientela.&lt;br /&gt;Então como agora: apenas mudaram os nomes.&lt;br /&gt;E vem-me a tentação de amplificar os gritos que o grande poeta – artista, pensador e cidadão extraordinariamente lúcido - disseminou pela sua Obra. Oba que é também uma obra-prima, não apenas da literatuira universal, mas do tratamento de quinze séculos de cultura.&lt;br /&gt;Só o não faço porque, ainda que me falte o génio do grande poeta, não me falta uma certa lucidez, que me ajudará a evitar o deserto das utopias que sâo isso mesmo: utopias, espaços inexistentes fora do espírito que os cria.&lt;br /&gt;Mas que Camões merecia ser revisitado, lá isso merecia. Não apenas por causa dos erros crónicos que comprometem há séculos a governação deste país; mas pela riqueza inesgotável do pensamento que dá alma à sua poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-5324359825185404602?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/5324359825185404602/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=5324359825185404602' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5324359825185404602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5324359825185404602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/03/efemride.html' title='EFEMÉRIDE'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R9h1nZ5udgI/AAAAAAAAAJ4/_rbbAYD0208/s72-c/CAM%C3%95ES.3.gif' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-3860133699617443321</id><published>2008-03-07T03:28:00.000-08:00</published><updated>2008-03-07T03:33:26.138-08:00</updated><title type='text'>MEMÓRIA E AGRADECIMENTO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R9Enw55uddI/AAAAAAAAAJg/4vd8GCIgLCE/s1600-h/PIANO.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5174961167955555794" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R9Enw55uddI/AAAAAAAAAJg/4vd8GCIgLCE/s320/PIANO.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;«Em paz me deito e adormeço tranquilo», entoa o coro, quando inicio a subida que leva à porta de saída do cemitério, onde vim acompanhar à sua última morada mais um sacerdote que segui, a certa distância, mas sempre com admiração, quase desde a infância.&lt;br /&gt;É a segunda vez que este cântico faz explodir a minha emoção, tais circunstâncias. E como da primeira, foge-me o pensamento para a injustiça que quase sempre se instala na sepultura dos homens que serviram por servir, sem perderem tempo com jogos de prestígio pessoal.&lt;br /&gt;Quanto ao padre Manuel António Henriques, poderíamos pensar que esta multidão – de facto surpreendente – era garantia de que tal injustiça não se verificaria.&lt;br /&gt;Acontece, porém, que já vivi o suficiente para me não deixar enganar por emoções momentâneas, esperando alguma coisa de quem não garante nada.&lt;br /&gt;E lembro-me do primeiro momento em que se me fixou na memória a figura deste homem, então jovem seminarista, e cujo corpo, tão mal tratado pela doença, acabamos de lançar à terra.&lt;br /&gt;A canção, talvez demasiado sentimental, com uma letra equívoca, como todos os textos que falam de amor, chamava-se «Amor Sublime»: havia um cantor, voz de tenor particularmente aveludada e um violino, que realçava pormenores especiais da melodia... mas havia sobretudo um piano, que abria a sessão, a acompanhava com requintes que não conhecia ainda em tal instrumento e prolongava os seus ecos... de tal modo que fazia esquecer a voz, o violino, as palmas e o resto.&lt;br /&gt;Ficavam-nos as palavras, mas como que aninhando-se nas teclas do piano, cujo dedilhado as atraira para si, plenas de significado e gratidão.&lt;br /&gt;E a verdade é que, se não esqueci esse poema musicado, não  foi pelo cantor nem pelo violinista, mas pelo tocador de piano, que depois ouvi mais vezes – a sua paixão era o Danúbio Azul -, mas não tantas como todos desejávamos: durante muitos anos fiquei parado a pensar naquela dificuldade em aparecer, mostrar talentos indiscutíveis.&lt;br /&gt;Depois, o P. Manuel Henriques foi nomeado pároco de Fátima: uma freguesia enorme, em circunstâncias particularmdenet difíceis, com uma igreja em obras e uma população que, além das marcas negativas de acontecimentos recentes, ia sofrer o embate das tranformações provocadas pelo crescimento, também como impacto comercial, do Santuário da Cova da Iria.&lt;br /&gt;E Fátima – falo da paróquia – que não tinha nada, a não ser a força desagregadora de algumas instituições que vinham aninhar-se à sombra do Santuário, cresceu como comunidade religiosa e humana, de forma surpreendente.&lt;br /&gt;Que se esqueça o cavouqueiro desse crescimento é injusto, mas deve-se também ao modo de proceder deste sacerdote, cujo sorriso, quase sempre fugidio, quando me cruazava com ele, ali para os lados da Cova da Iria, parecia incitar-me a um trabalho intenso e silencioso, tanto mais silencioso, quanto intenso.&lt;br /&gt;Era o horror ao protagonismo, que assim me deixa mais claro o porquê da relutância com que cedia aos convites para mostrar as suas qualidades artísticas, como músico, em geral, mas de modo especial como pianista.&lt;br /&gt;Obrigado Padre Henriques, pela força e o conforto das tuas lições!&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-3860133699617443321?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/3860133699617443321/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=3860133699617443321' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3860133699617443321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3860133699617443321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/03/memria-e-agradecimento.html' title='MEMÓRIA E AGRADECIMENTO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R9Enw55uddI/AAAAAAAAAJg/4vd8GCIgLCE/s72-c/PIANO.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-8590046884001099321</id><published>2008-02-25T08:28:00.000-08:00</published><updated>2008-02-25T08:36:11.626-08:00</updated><title type='text'>JUNDO DO POÇO II</title><content type='html'>Aos meus amigos ofereço algumas  linhas de uma página do meu diário (o tal armazém):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá-me de beber!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Então Jesus, cansado da caminhada, sentou-se, sem mais, na borda do poço. Era por volta do meio-dia. Entretanto, chegou certa mulher samaritana para tirar água. Disse-lhe Jesus: «Dá-me&lt;/em&gt; &lt;em&gt;de beber.»&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;João:&lt;/em&gt; 4, 6-7)&lt;br /&gt;Chove.&lt;br /&gt;Calada a fúria dos ventos, ficou-nos o ruído das águas, abundantes, teimosas, a segredar à natureza que o seu autor é muito mais generso do que os homens, que estragam tudo e depois se queixam, como se os culpados fossem sempre os outros.&lt;br /&gt;É a sina do “rei da criação”, que primeiro se deixa seduzir por ela e depois tem ar de culpar o próprio Deus, porque a fez assim, tão sedutora.&lt;br /&gt;Vem-me à mente o episódio da Samaritana:&lt;br /&gt;Que Deus o nosso!&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cansado da caminhada, sentou-se, sem mais, na borda do poço.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ali, onde devia aparecer alguém profundamente marcado pelos acidentes da vida, quiçá, pela maldades dos homens.&lt;br /&gt;Que força se encerra nesta economia narrativa de João, que capta como ninguém a mensagem bíblica da mulher como símbolo do extremo carinho do Criador sobre o ser humano e dos males que lhe acrretam os gestos&lt;br /&gt;tendentes a obscuerecer esse carinho!&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Era por volta do meio-dia. Entretanto, chegou certa mulher samaritana para tirar água.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, que significa isto, de uma mulher, por volta do meio dia, quando toda a gente descansa, no conforto da sua habiatção,   vir tirara água do poço?&lt;br /&gt;As informações que tiramos da sequência do diálogo permitem-nos pensar o pior.&lt;br /&gt;E Jesus, como inicia Ele a conversa?&lt;br /&gt;Como faz Deus onnosco: Pede.&lt;br /&gt;Disse-lhe Jesus: &lt;em&gt;«Dá-me de beber.»&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;É assim o nosso Deus:&lt;br /&gt;Vem pôr-se no meio dos homens, percorrer os seus caminhos, cansar-se com eles e parar onde eles param, em busca de conforto, de algo que mate a sede de felicidade que os devora.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;«Dá-me de beber.»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Mulher, partilha comigo dessa água que vais tirar do fundo do poço; repara que não és a única que se inquieta, que sofre as durezas da vida, que tem sede, neste caminhar tão acidentado. &lt;br /&gt;A minha água?&lt;br /&gt;É doutro género: mas tê-la-ás na medida em que fizeres deste poço, não já o lugar do teu martírio, mas o ponto de encontro das indignidades humanas com as misericórdias divinas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-8590046884001099321?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/8590046884001099321/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=8590046884001099321' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8590046884001099321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8590046884001099321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/02/jundo-do-poo-ii.html' title='JUNDO DO POÇO II'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-5639164656771597046</id><published>2008-02-25T08:26:00.001-08:00</published><updated>2008-02-25T08:27:35.995-08:00</updated><title type='text'>JUNTO DO POÇO</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-5639164656771597046?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/5639164656771597046/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=5639164656771597046' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5639164656771597046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5639164656771597046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/02/junto-do-poo.html' title='JUNTO DO POÇO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-4119436356420395010</id><published>2008-02-22T08:00:00.000-08:00</published><updated>2008-02-22T08:04:06.048-08:00</updated><title type='text'>REGRESSO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R77yInJ4BAI/AAAAAAAAAJQ/jXTOmTVLLo8/s1600-h/PRAIA.2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5169835652031185922" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R77yInJ4BAI/AAAAAAAAAJQ/jXTOmTVLLo8/s320/PRAIA.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Resistir para resistir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi este blog criado para partilhar, não tanto ideias, como sobetudo emoções, sentimentos; alguns pedaços de humanidade, daqueles que podemos, sem especiais equívocos, trazer para a praça pública.&lt;br /&gt;Procurei manter o programa inicial, ainda que nem sempre com fidelidade canina... até porque não considero essa a fidelidade ideal do coração humano. Esta é muito superior, vai mais longe, torna-se mais complexa... resiste a todos os tipos de análise simplista.&lt;br /&gt;De qualquer modo, foi para resistir - ao tempo, ao cansaço, à preguiça, ao medo, aos  simplismos obnubiladores da verdade... foi para resistir a tudo isso que criei este blog&lt;br /&gt;E confesso humildemente que a minha ausência significa isso mesmo: a quebra da capacidade de resistir.&lt;br /&gt;Volto, porque não queria resistir à pressão dos amigos.&lt;br /&gt;Mas eles terão de ter paciência e perdoar-me que algumas vezes abuse do armazém em que há mais de quarenta anos venho acumulando coisas .... até que chegue a hora de o destruir por completo, porque é esse o seu destino.&lt;br /&gt;À espera do próximo post – que não demorará, se o cumputador for compreensivo – um carinhoso abraço para todos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-4119436356420395010?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/4119436356420395010/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=4119436356420395010' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4119436356420395010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4119436356420395010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/02/regresso.html' title='REGRESSO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R77yInJ4BAI/AAAAAAAAAJQ/jXTOmTVLLo8/s72-c/PRAIA.2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-7360675819968590812</id><published>2008-01-15T03:20:00.000-08:00</published><updated>2008-01-15T03:27:45.743-08:00</updated><title type='text'>ENTRE A FRUSTRAÇÃO E A SAUDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4yYG0v9WRI/AAAAAAAAAJA/J3LnDcjOW6k/s1600-h/AQUILES+ESTAÃO.9.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5155662916438808850" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4yYG0v9WRI/AAAAAAAAAJA/J3LnDcjOW6k/s320/AQUILES+ESTA%C3%87O.9.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4yXf0v9WQI/AAAAAAAAAI4/O398u1ECQf8/s1600-h/AQUILES+ESTAÃO.2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5155662246423910658" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4yXf0v9WQI/AAAAAAAAAI4/O398u1ECQf8/s320/AQUILES+ESTA%C3%87O.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;br /&gt;Fim da manhã de um lindo dia do Inverno Romano! Boa compensação para a chuva e o frio que ultimamente nos têm atormentado: adivinha-se esta preciosa claridade solar através dos janelões que dão para o pátio borrominiano – os italianos chmam-lhe cortile, palavra muito mais simpática –, onde, durante mais de dois séculos, os oratorianos rezaram, passearam, conversaram e certamente também discutiram. Discussões de bom nível intelectual, como competia a quem, graças à generosidade de um humanista português, tinha à mão, em sua própria casa, a maior e a mais bem dotada biblioteca pública, fora dos muros do Vaticano.&lt;br /&gt;Pobre Aquiles Estaço!&lt;br /&gt;Já  com o material de trabalho nos braços, antes de me retirar da sala de leitura e estudo, olho pela última vez a expressão daquele sorriso sofrido, que parece trazer consigo todo o desencanto de uma vida em que as amigos se foram escapando, um  a um, até fiacrem só os livros.&lt;br /&gt;Os livros, que acabaram também por esquecê-lo, tantas foram as amnésias que os assaltaram, desde que sairam das mãos do seu proprietário.&lt;br /&gt;Sacudo um mau pensamento que me agride com violência, como a querer que a frustração vença a saudade, e os sentimentos com que saio deste edifício da última fase do barroco romano, desdigam de tudo o que vivi o longo destas semanas: momentos altos de encontro com o passado de uma cultura mais que milenar e o presente de uma fé que só para os distraídos se confunde com ela; e ainda, horas de alegria esfusiante com amigos de tantos lados... alguns que teimam em fazer-me crer que não terei o destino de Aquiles Estaço.&lt;br /&gt;Também, diga-se em abono da verdade, as grandes frustrações que emolduram a história de certos personagens têm a medida das suas vidas: quem caminha na planície, não está em perigo de rolar pela encosta abaixo.&lt;br /&gt;Vou guardar as saudades.&lt;br /&gt;Roma é um bom sítio para rezar, estudar e divertir-se com os amigos.&lt;br /&gt;Daqui, deste portal da Chiesa Nuova, um abraço para todos os  que me ajudaram  viver de modo humano  estes dias passados nas margens do Tibre.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-7360675819968590812?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/7360675819968590812/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=7360675819968590812' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/7360675819968590812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/7360675819968590812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/01/entre-frustrao-e-saudade.html' title='ENTRE A FRUSTRAÇÃO E A SAUDADE'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4yYG0v9WRI/AAAAAAAAAJA/J3LnDcjOW6k/s72-c/AQUILES+ESTA%C3%87O.9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-1658050549999071249</id><published>2008-01-10T09:12:00.000-08:00</published><updated>2008-01-10T09:21:53.481-08:00</updated><title type='text'>O SORRISO DE DEUS</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4ZS10v9WNI/AAAAAAAAAIg/uMFK94xEVRs/s1600-h/ILUSTRAÃÃES.7.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153897908218452178" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4ZS10v9WNI/AAAAAAAAAIg/uMFK94xEVRs/s320/ILUSTRA%C3%87%C3%95ES.7.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4ZSZkv9WMI/AAAAAAAAAIY/kGjj7e4_CGc/s1600-h/GANSO.3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5153897422887147714" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4ZSZkv9WMI/AAAAAAAAAIY/kGjj7e4_CGc/s320/GANSO.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dedico esta página do meu diário aos rebentos mis tenros do "bando" Aveiro-Marques-Ramos, que deu um colorido especail à minha segunda semana de Roma:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Beijinhos para a Laura, a Matilde e a Maria. As outras ficam para depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decididamente, não posso dizer que me tenham corrido mal as coisas ao longo destas semanas - vou já na quarta e terei mais uma -, passadas no centro histórico de Roma, procurando conjugar o alarme permanente das mazelas da idade, com a força dos sonhos, que, quer se queira quer não, assim como são compatíveis com o peso dos anos, também surgem das ruinas e dos materiais que trazem consigo a memória das gerações que por eles passaram.&lt;br /&gt;Surpresas agradáveis, no meio de tanta coisa que já esperávamos fosse assim – umas boas, outras más, como em todas as circunstâncias da vida – e os percalços que não esperamos mas que dão sabor à monotonia dos dias.&lt;br /&gt;Vinha a pensar nisto, hoje, ao fim da manhã, quando procurava esquecer o incómodo dos solavancos do autocarro – condutores especialmente nervosos encontram-se em todas as latitudes – com o chilreio das crianças que vinham certamente desde o capolinea, ali,  à beira da Piazza Venezia: idade do Ensino Básico, caras geralmente irradiando luz de aurora, ocupavam todos os lugares sentados, de um modo geral, elas mais para diante, eles mais nos bancos detrás, e divertiam-se com tudo o que lhes passava diante dos olhos.&lt;br /&gt;Eu divertia-me com o seu divertimento.&lt;br /&gt;Tanto, que quase me esquecia que chegara o momento de sair.&lt;br /&gt;Reentrei no corre-corre da rua, das passadeiras de peões onde se corre um risco termendo de ser atropelado, no prosaico arrumar das coisas para que seja menos complicado retomar o trabalho... mas, sem ter feito nada para isso, senti-me com nova força para viver: aquelas crianças divertidas fizeram-me pensar mais uma vez no sorriso de Deus sobre um mundo que Lhe foge, mas que Ele não desiste de amar.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-1658050549999071249?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/1658050549999071249/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=1658050549999071249' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/1658050549999071249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/1658050549999071249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/01/o-sorriso-de-deus.html' title='O SORRISO DE DEUS'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4ZS10v9WNI/AAAAAAAAAIg/uMFK94xEVRs/s72-c/ILUSTRA%C3%87%C3%95ES.7.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-7811500979090445260</id><published>2008-01-07T10:12:00.000-08:00</published><updated>2008-01-07T10:23:59.051-08:00</updated><title type='text'>O LADO BOM DA QUESTÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4JsUUv9WLI/AAAAAAAAAIQ/QiDsY09jBbc/s1600-h/VALLICELLIANA.1.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152800020088314034" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4JsUUv9WLI/AAAAAAAAAIQ/QiDsY09jBbc/s320/VALLICELLIANA.1.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez... Quantas não foram já, desde aquele quentíssimo Julho de 1995, quando Roma guardava ainda as vestes de que se adornara para celebrar o quarto centenário da morte daquele florentino romanizado que devia passar à história como “o santo do bom humor”!&lt;br /&gt;Mais uma vez subo os cento e cinco degraus da escadaria renascentista que dá acesso à sala de leitura da Biblioteca Vallicelliana.&lt;br /&gt;Levo comigo uma suspeita, nascida na sexta-feira passada, de que alguém anda em demanda daquele manuscrito: o que isto traz consigo para o meu plano de trabalho, já tão carcomido por todo o tipo de incidentes, faz com que os horizontes do espírito se me tornem ainda mais sombrios do que o ar com que Roma despertou esta manhã.&lt;br /&gt;Depois, a pouco e pouco, os temores vão-se confirmando: na sala de leitura, alguém se sentou onde eu costumo trabalhar, por haver perto uma tomada de corrente eléctrica... da qual não tem necessidade a pessoa em questão; o que me irrita ainda mais.&lt;br /&gt;Encontro outra relativamente perto, preparo os apetrechos, peço o texto que deixei reservado da última vez, e, concentrado nas minhas inquietações, abarco de novo com o olhar o mundo que me rodeia, quando me dou conta de que os funcionários estão a braços com um problema que não sabem como resolver: afinal há dois candidatos. Eu e a pessoa ao meu lado, por sinal, dou-me agora conta disso, muito jovem. E os funcionários querem que sejamos nós a resolver o problema; cresce a minha irritação: mas não foi o manuscrito reservado por mim?&lt;br /&gt;Chegamos a acordo rapidamente, porque tenho dois poderosos argumentos a meu favor: reserva feita e... me despiace, signorina: io vengo da si lontano!&lt;br /&gt;Eh va bene! Facia lei!&lt;br /&gt;Mergulho nos meandros complicados da caligrafia do nosso humanista, lançando de vez  quando um olhar curioso sobre os velhíssimos volumes que a minha jovem companheira de mesa e concorrente na leitura de Aquiles Estaço, foi transportando para a sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego ao fim: procuro garantir a posse do manuscrito nos próximos dias, junto do funcionário que entretanto ocupou o lugar da vigilância – tenho deste funcionário gratíssimas recordações – e com uma conversa rápida de bons entendedores, com a jovem estudiosa de livros antigos.&lt;br /&gt;Quando começo a descida da escadaria, já no terceiro lanço, deixando para trás a estátua de Alexandre VII, sinto de repente uma alegria estranha: nem sequer me incomoda perceber que o céu de Roma está ainda mais carregado, que provavelmente vou ter de abrir o guarda-chuva na espera do autocarro.&lt;br /&gt;Ora, ainda bem!&lt;br /&gt;Aquiles Estaço, o hnumanista português mais conhecido,  nos séculos XVI e XVII, nos ambientes da edição e estudo das obras da Antiguidade clássica e patrística, pode não ter em Portugal quem se lembre dele. Mas eu, que alguns consideram um dinossauro dos estudos humanísticos, encontro uma jovem estudante dos arredores de Roma, que procura, na biblioteca por ele fundada, o mais precioso dos seus mansucritos.&lt;br /&gt;É ou não é o lado bom de uma péssima questão?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-7811500979090445260?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/7811500979090445260/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=7811500979090445260' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/7811500979090445260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/7811500979090445260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/01/o-lado-bom-da-questo.html' title='O LADO BOM DA QUESTÃO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4JsUUv9WLI/AAAAAAAAAIQ/QiDsY09jBbc/s72-c/VALLICELLIANA.1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-4263915642998417427</id><published>2008-01-06T03:58:00.000-08:00</published><updated>2008-01-06T04:07:53.183-08:00</updated><title type='text'>A PERTURBAÇÃO DO PODER</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4DDF0v9WKI/AAAAAAAAAII/orBxAnIOHPY/s1600-h/JERUSALÃM.2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152332478538406050" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4DDF0v9WKI/AAAAAAAAAII/orBxAnIOHPY/s320/JERUSAL%C3%89M.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4DC3Uv9WJI/AAAAAAAAAIA/SxWp7QUHnIg/s1600-h/JERUSALÃM.5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5152332229430302866" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4DC3Uv9WJI/AAAAAAAAAIA/SxWp7QUHnIg/s320/JERUSAL%C3%89M.5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Hoje decidi oferecer aos que por qualquer motivo vierem a este blogue, alguns parágrafos de uma longa reflexão desta manhã, ainda não concluída, porque nela tento reunir pensamentos que vêm de muito longe: alguns já marcados pela frustração dos desejos cujo incumprimento – aqui está uma palavra que repugna à minha sensibildade de amante da língua materna – é irremediável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de entrar na dinâmica das considerações puramente espirituais, a ordenar mais uma vez os pensamentos que a celebração do mistério há tantos anos desperta no meu coração de crente, apetece-me uma breve reflexão, pessoalíssima, ainda que, segundo creio, respeitadora do texto bíblico; e também, se me não engano, com particular actualidade, tendo em conta as leituras que se fizeram e continuam a fazer, em Portugal, do discurso do Papa aos bispos portugueses, por altura da visita &lt;em&gt;Ad sacra limina Apostolorum&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Contemplo Jerusalém, a cidade santa dos Judeus, como realidade material, humana, cultural, política, religiosa e simbólica, que assim nos fala dela o texto evangélico:&lt;br /&gt;As instituições funcionavam bastante bem, dada a plataforma de entendimento que se conseguira erguer sobre a habilidade política de Roma e o pragmatismo igualmente habilidoso da Sinagoga.&lt;br /&gt;Aparentemente, pelo menos, temos o quadro ideal para o acolhimento devido ao Messias, o Ungido do Senhor, que vinha salvar e dar sentido a tudo isso.&lt;br /&gt;E, no entanto, quando se fala dos sinais da sua chegada, &lt;em&gt;o rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;A mim, o que me espanta é esta perturbação geral:&lt;br /&gt;Que Herodes se perturbasse perante a hipótese de um novo concorrente, não espantaria quem conhecesse a história do seu reinado, vermelho do sangue das vítimas da sua ambição e dos seus medos.&lt;br /&gt;Agora a cidade, com todos os representantes de uma fé e de uma cultura que há séculos vivia da esperança daquela vinda, anunciada pelos Profetas e cultivada por tantos estudiosos, isso é que me espanta.&lt;br /&gt;E espanta-me tanto mais, quanto vemos que, na hora de agir, Herodes recupera o domínio das próprias ideias e organiza o mais maquiavélico dos planos que se conhece na história do mundo ocidental. Um plano que só não atinge plenamente os seus objectivos, porque quem conduz a história é o próprio Deus.&lt;br /&gt;Mas a frieza do tirano não desiste, perante o primeiro fracasso: e Belém, no dizer do evangelista, chorará demoradamente a chacina das suas crianças.&lt;br /&gt;E tudo, pasme-se, utilizando as armas e a impunidade resultantes daquele entendimento entre os detentores dos dois poderes.&lt;br /&gt;Como podia deixar de me doer – e já lá vão muitos anos que me dói – esta tragédia de uma cegueira que parece específica das estruturas bem montadas, das plataformas de entendimento que acabam sempre por servir os filhos das trevas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-4263915642998417427?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/4263915642998417427/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=4263915642998417427' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4263915642998417427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4263915642998417427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/01/perturbao-do-poder.html' title='A PERTURBAÇÃO DO PODER'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R4DDF0v9WKI/AAAAAAAAAII/orBxAnIOHPY/s72-c/JERUSAL%C3%89M.2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-8697245083679024775</id><published>2008-01-03T06:48:00.000-08:00</published><updated>2008-01-03T06:59:19.096-08:00</updated><title type='text'>ARRIVEDERCI (A) ROMA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R3z2x0v9WHI/AAAAAAAAAHw/tjP_lZeaT1c/s1600-h/ASSISI.5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5151263409638824050" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R3z2x0v9WHI/AAAAAAAAAHw/tjP_lZeaT1c/s320/ASSISI.5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R3z2V0v9WGI/AAAAAAAAAHo/ai6hbvoiq5Y/s1600-h/ASSISI.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5151262928602486882" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R3z2V0v9WGI/AAAAAAAAAHo/ai6hbvoiq5Y/s320/ASSISI.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;II&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O triunfo da simplicidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Princípio da tarde de um belíssimo dia de Dezembro, já quase a expirar o ano.&lt;br /&gt;De pé, dando as voltas que exige o conjugar o gozo estético com a espera dos amigos... devem ter ficado todos lá para trás, claro. Com os incentivos às compras espalhados por todos os cantos, é de crer que não tenham chegado ainda; mas, para não haver surpresas, um olho atento as chgedas e às partidas, enquanto o outro se diverte, saltando da paisagem arquitectónica para a humana, e o pensamento corre, de trás para a frente, do hoje para o ontem, esquadrinhando as marcas históricas e os desafios que apontam para o futuro.&lt;br /&gt;Assis, quando a contemplo lá em cima, casas apinhadas em magote, como que agarrando-se umas à outras para não virem pela encosta abaixo, é um grito de solidariedade: da que há e da que nos falta.&lt;br /&gt;Solidários e simples, diz-nos o jovem burguês de Assis que, no início do século XIII, ficou tão impressionado com a descoberta da sua filiação divina, que preferiu ficar nú em plena praça pública a guardar algo que o impedisse de viver essa filiação em coerência absoluta.&lt;br /&gt;Atrás de mim, as basílicas, que correspondem mais aos sonhos de garndeza de Frei Elias do que à simplicidade do Poverello: talvez precisássemos de uma réplica de tudo isto para, ao abrigo da impertinência dos turistas, continuarmos a ouvir a mensagem de Francisco: poeta e santo – dizem-me que todos os santos têm o seu quê de poetas – que desde o século treze aponta um caminho para a paz do qual só duvida quem nunca quis segui-lo: a começar pela paz interior, que nasce de não nos darmos excessiva importância, de querermos muito, mas nos contentarmos com pouco... e nos divertirmos com os nossos próprios fracassos, como pode acontecer, por exemplo, no tal jogo dos limões, do ganso, do teco e do tico, em que consumimos as duas horas de comboio entre Assis e Roma, como se fossem poucos minutos.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-8697245083679024775?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/8697245083679024775/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=8697245083679024775' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8697245083679024775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8697245083679024775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2008/01/arrivederci-roma.html' title='ARRIVEDERCI (A) ROMA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R3z2x0v9WHI/AAAAAAAAAHw/tjP_lZeaT1c/s72-c/ASSISI.5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-3605929510000951661</id><published>2007-12-31T04:09:00.000-08:00</published><updated>2007-12-31T04:22:22.380-08:00</updated><title type='text'>ARRIVEDERCI (A) ROMA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R3jdKEv9WDI/AAAAAAAAAHQ/T9gmSob4zys/s1600-h/ROMA.PINCIO.6.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150109339041486898" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R3jdKEv9WDI/AAAAAAAAAHQ/T9gmSob4zys/s320/ROMA.PINCIO.6.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R3jc0Uv9WCI/AAAAAAAAAHI/hBS2ia34n_k/s1600-h/ROMA.PINCIO.5.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5150108965379332130" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R3jc0Uv9WCI/AAAAAAAAAHI/hBS2ia34n_k/s320/ROMA.PINCIO.5.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;I&lt;/div&gt;&lt;div&gt;I&lt;/div&gt;&lt;div&gt;I&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;I PERSISTÊNCIA PINCIANA&lt;br /&gt;Dedico agora algumas mensagens aos amigos Ramos, Aveiro e Marques, como sinal de gratidão e saudade pelos dias que vivemos juntos na Cidade Eterna, incluiindo uma maravilhosa viagem a Assis, com o famoso “onze limões, meio limão").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro recorda o último passeio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quando por aqui andei, no início da década de sessenta do século passado – è  vero, sono vecchio -, ouvi muitas vezes a canção, &lt;em&gt;arrivederci Roma&lt;/em&gt;, que, depois, em Portugal, sempre me fazia recordar a Villa Borghese, com o famoso Pincio... Foi aí que contemplámos pela última vez juntos a cidade dos Papas... tinha-se aquela maravilhosa vista de São Pedro, logo que erguíamos os olhos da Piazza del Popolo, que me pareceu mais bela do que nunca, neste fim de tarde... Certamente também por influência da companhia.&lt;br /&gt;Por isso atrevi-me a juntar um som, apenas uma vogal, para exprimir as saudades, não já de Roma, mas da companhia daqueles com quem a visistei nos últimos dias do ano.&lt;br /&gt;Que nos voltemos a ver na cidade eterna, não será muito provável... os anos não perdoam, caríssimos amigos!&lt;br /&gt;Mas foi uma inesquecível prenda de Natal, a vossa vinda até aqui, nesta altura.&lt;br /&gt;Obrigado por tudo. E que Deus vos pague.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-3605929510000951661?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/3605929510000951661/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=3605929510000951661' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3605929510000951661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3605929510000951661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/12/arrivederci-roma.html' title='ARRIVEDERCI (A) ROMA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R3jdKEv9WDI/AAAAAAAAAHQ/T9gmSob4zys/s72-c/ROMA.PINCIO.6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-6260570572022734428</id><published>2007-12-25T10:22:00.001-08:00</published><updated>2007-12-25T10:46:47.840-08:00</updated><title type='text'>JANELA REABERTA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R3FK5Ev9WBI/AAAAAAAAAHA/MPnrr1Jvj48/s1600-h/ROMA.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5147978193449080850" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R3FK5Ev9WBI/AAAAAAAAAHA/MPnrr1Jvj48/s320/ROMA.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O ocupante do  quarto que me fica ao lado, vítima como eu de cansaços que só indirectamente têm algo a ver com as festas natalícias, covidou-me para sair, até à Praça de São Pedro... e regressar depois.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não, a foto que vai ao lado também pouco ou nada tem a ver com esta saída: até a "gruta", não sei porque lhe chamam assim, é parecida, mas não é a que lá estava hoje.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Parecida, por isso quase tão puco gruta como a deste ano.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Nem a presença das pessoas: porque hoje, sim,&lt;/div&gt;&lt;div&gt;havia muita  gente: uma incrível multidão, aproveitando a doçura das temperaturas, que, de repente, atiram connosco para os meses que precedem a Primavera Romana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Quem diria que estamos no Dia de Natal?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Para resistir, ao tempo e ao uso que dele fazem as pessoas, deixo que se cruzem assim na minha mente Bramante e Bernini, já não muito contentes com os gostos bizarros de Sixto V, agora enfurecidos com o emplastro desta gruta estranha.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas a gente gosta, comenta  e tira fotografias... Se é para o turismo que tanta coisa se faz neste mundo consumístico em que vivemos...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-6260570572022734428?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/6260570572022734428/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=6260570572022734428' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6260570572022734428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6260570572022734428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/12/janela-reaberta.html' title='JANELA REABERTA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R3FK5Ev9WBI/AAAAAAAAAHA/MPnrr1Jvj48/s72-c/ROMA.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-6091082118078329465</id><published>2007-11-27T09:18:00.001-08:00</published><updated>2007-11-27T09:29:32.095-08:00</updated><title type='text'>A ESTÁTUA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R0xRyH6dR7I/AAAAAAAAAGE/i-oy83j8Hc4/s1600-h/ESTÃTUA(DANIEL).2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5137571196482439090" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R0xRyH6dR7I/AAAAAAAAAGE/i-oy83j8Hc4/s320/EST%C3%81TUA(DANIEL).2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dedico este post - trecho que escrevi no meu diário depois de ler &lt;em&gt;Daniel&lt;/em&gt;: 2, 35-45 - ao meu caríssimo amigo José Henrique Domingues Pedrosa, que faz anos hoje, tem sido um dos mózinhos da minha caminhada informática e me faz sentir saudades do tempo em que trabalhávamso na mesma equipa e celebrávamos os aniversários juntos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um grande abraço, acro Zé.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ora aqui está uma belíssima metáfora do carácter efémero das construções dos homens; linda metáfora, que nos ajuda a perceber o significado transcendente da história humana.&lt;br /&gt;Alguns dirão que o autor sagrado quis apenas dar uma outra versão do mito da Idade de Ouro.&lt;br /&gt;Talvez.&lt;br /&gt;Mas isso não altera o essencial, porque também o mito da sucessão das idades fala da experiência humana dentro das fronteiras do tempo. E aí, quando não se abrem horizontes mais vastos, tudo vai de mal a pior.&lt;br /&gt;Só que esta é precisamente a diferença, uma diferença abissal, entre o mito da Idade de Ouro e a metáfora da estátua de Daniel: Porque, ao contrário da sucessão degradante das idades, esta não cai em ruinas por fatalidade, mas por falta de bases que resistam aos ataques de fora.&lt;br /&gt;Por outro lado, nesta metáfora, não se dá o ir inevitavelmente de mal a pior: a riqueza e o brilho dos metais preciosos, imprudentemente assentes em bases tão frágeis, acabam absorvidos pela realidade dessa pedra misteriosa que se desprende da montanha, e ninguém consegue deter na sua marcha purificadora, reduzindo a pó tudo o que não aceita a sua dinâmica.&lt;br /&gt;É forte a tentação de irmos à busca de correspondentes históricos para as entidades referidas nesta narrativa, em que o estilo apopcalíptico não permite dúvidas sobre o seu carácetr simbólico.&lt;br /&gt;O Profeta vê no percurso da rocha que se desprende da montanha a acção providencial de Deus, que conduz a marcha da história para a sua consumação final, numa apoteose em que entrará tudo o que não recusou a transcendência do tempo.&lt;br /&gt;Talvez os actuais senhores da Europa, que também não sabem remediar as perdas de identidade provocadas pela globalização, devessem parar algum tempo e estudar textos como este, que também pertencem às nossas raízes culturais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-6091082118078329465?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/6091082118078329465/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=6091082118078329465' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6091082118078329465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6091082118078329465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/11/esttua.html' title='A ESTÁTUA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/R0xRyH6dR7I/AAAAAAAAAGE/i-oy83j8Hc4/s72-c/EST%C3%81TUA(DANIEL).2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-2864624391397054292</id><published>2007-09-20T13:02:00.000-07:00</published><updated>2007-09-20T13:13:34.252-07:00</updated><title type='text'>MEMÓRIAS DA INFÂNCIA</title><content type='html'>Vai mais uma memória... ainda com mais metáforas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;O Móvel&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="left"&gt;Estava ali, rodeado de cadeiras e cadeirinhas, tudo no mesmo estilo, a denunciar sonhos e fantasias inconfessáveis: porque, apesar de serem cada vez mais comuns, desdizem do que se mostra a todos.&lt;br /&gt;Móvel de luxo, exigia cuidados especiais, não fossem os olhos dos visitantes descobrir desleixos inadequados à riqueza que se exibia.&lt;br /&gt;E não havia tempo nem dinheiro para mais nada... nem sequer para apreciar o móvel, que parecia ir-se tornando a pouco e pouco instância de censura, que se revelava especialmente cruel, porque o carácter silencioso do seu discurso não dava lugar a resposta de tipo nenhum.&lt;br /&gt;Era um móvel: impassivel no rigor do seu estilo, continuava naquele canto, intolerante, reclamando os cuidados da primeira hora... afinal, haviam-no colocado ali por razões que não quadram com a felicidade, que nasce do amor oblativo, sem cálculos nem condições.&lt;br /&gt;Como acontecia com o resto daquela vivenda, a sala parecia-me triste, sem luz, janelas sempre fechadas, não fosse o sol ou a poeira alterar as cores do móvel, que, à força de ser resguardado, já nem como adorno servia.&lt;br /&gt;Em minha casa era tudo muito mais simples: uma mesa grande, quase à altura da janela, bancos encostados às paredes – cadeiras, duas ou três, mas só na “casa de fora”, onde também havia um loiceira, obra do artesão da aldeia, que também fizera a cantareira da cozinha e o armário encravado na parede, ao qual tínhamos acesso livre, porque aí se guardava a boroa com que reduzíamos o espaço entre as refeições principais.&lt;br /&gt;Tudo mais pobre? Eu diria: Tudo mais à nossa medida. Aadquirido a partir de um orçamento onde o que contava eram as pessoas, e o resto só na medida em que podia servi-las: Por isso nos sentíamos tão à vontade no meio daquilo tudo, tão felizes, apesar do ar pobre que tinham as coisas.&lt;br /&gt;Que também não se revoltavam contra nós quando algum descuido, sobretudo dos mais novos provocava estragos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-2864624391397054292?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/2864624391397054292/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=2864624391397054292' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/2864624391397054292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/2864624391397054292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/09/memrias-da-infncia_4831.html' title='MEMÓRIAS DA INFÂNCIA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-758021379579769591</id><published>2007-09-20T12:55:00.000-07:00</published><updated>2007-09-20T12:57:45.704-07:00</updated><title type='text'>MEMÓRIAS DA INFÂNCIA</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-758021379579769591?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/758021379579769591/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=758021379579769591' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/758021379579769591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/758021379579769591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/09/memrias-da-infncia_20.html' title='MEMÓRIAS DA INFÂNCIA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-2367859270477721807</id><published>2007-09-20T12:33:00.000-07:00</published><updated>2007-09-20T12:50:45.706-07:00</updated><title type='text'>MEMÓRIAS DA INFÂNCIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RvLLQqxAluI/AAAAAAAAAFo/A8KPYpu3FXU/s1600-h/GRUPOS.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5112372014237128418" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RvLLQqxAluI/AAAAAAAAAFo/A8KPYpu3FXU/s320/GRUPOS.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ajudar a memória a resistir ao desgaste do tempo, há anos que vou escrevendo textos em vário estilos: Diário, Memórias, Reflexões soltas, à mercê dos acontecimentos. Tudo para entretenimento pessoal. Aos visitantes dos meus blogues já ofereci algumas páginas do diário. Agora vão alguns rabiscos das memórias: factos e metáforas que cada um lerá como achar melhor, com inteira liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;O BANDO&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;Éramos quatro, com diferenças de idade que não iam além dos dois anos.&lt;br /&gt;Eu era o mais velho, o que, dado o meu feitio, não me trazia vantagens de espécie nenhuma; só desvantagens, como a de ser permanentemente responsabilizado pelas desordens do grupo.&lt;br /&gt;O mais mimado, filho único de pais abonados, um pouco acima da média, vinha logo a seguir.&lt;br /&gt;Depois era o meu irmão, talvez o mais ladino de todos, ainda que seguido muito de perto, na idade e nas iniciativas pelo primo.&lt;br /&gt;Primo... afinal éramos todos parentes: porque o outro, que parecia um pouco mais distante, era, pelo lado da mãe, neto dos irmãos dos nossos avós.&lt;br /&gt;E divertíamo-nos imenso... até quando eu me afligia com o pressentimento de que certas brincadeiras iriam acabar mal.&lt;br /&gt;Mas nosso parente mais distante ficava muitas vezes para trás, sem saber explicar porquê: analisando os factos passadas mais de seis décadas, dou-me conta de que o cordão umbilical, quando não cortado a tempo, atrofia o desenvolvimento do ser humano; e atrofia-o precisamente naquilo em que, para ser adequado à natureza, esse desenvolvimento mais depende do tempo e do aproveitamento das oportunidades reais: ou seja, na paternidade/maternidade e na filiação.&lt;br /&gt;Será esta uma das consequências fatais da existência de um único filho no seio do casal?&lt;br /&gt;Ele era bom rapaz; nem parecia especialmente egoista: tinha muita coisa que nós não podíamos ter, mas nunca me pareceu particularmente feliz por isso; às vezes dava até a impressão do contrário. Uma certa tristeza por ter o que não tínhamos... ou talvez porque isso não nos importava absolutamente nada.&lt;br /&gt;Mas era de uma incapacidade de decisão que chegava a irritar-nos: porque a minha mãe para aqui, a minha mãe para ali... E havia ocasiões em que ficávamos com medo que as aventuras menos confessáveis chegassem aos ouvidos dos nossos pais através daquela mãe, que ainda hoje me vem inevitavelmente à memória, sempre que se fala de amor materno excessivamente possessivo.&lt;br /&gt;Assim que naquele bando de crianças, no tempo em que não havia televisão nem computadores, e o rádio, o comum das pessoas da aldeia, pura fantasia, a alegria de conviver, até para o que não seria assim tão correcto, sobretudo na mente dos adultos,  tinha as proporções do agregado familiar: mais crianças, mais imaginação, mais alegria.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-2367859270477721807?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/2367859270477721807/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=2367859270477721807' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/2367859270477721807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/2367859270477721807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/09/memrias-da-infncia.html' title='MEMÓRIAS DA INFÂNCIA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RvLLQqxAluI/AAAAAAAAAFo/A8KPYpu3FXU/s72-c/GRUPOS.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-7084157389027467760</id><published>2007-09-15T12:39:00.000-07:00</published><updated>2007-09-15T12:42:55.949-07:00</updated><title type='text'>MEMÓRIA E IDENTIDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Ruw1Wd41NAI/AAAAAAAAAFI/YXnY5cV-zj0/s1600-h/sacerdotes.4.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5110518337255060482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Ruw1Wd41NAI/AAAAAAAAAFI/YXnY5cV-zj0/s320/sacerdotes.4.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim com os indivíduos, não podia ser de outro modo com as sociedades e as nações: a perda da memória produz a perda da identidade, e sem identidade o homem não sabe de modo nenhum que fazer consigo. E quando isto acontece com as instituições, ou elas recuperam rapidamente a memória, ou o seu fim está próximo.&lt;br /&gt;Como é que, por exemplo, os crentes não se deram ainda conta de que na essência da liturgia está o memorial?&lt;br /&gt;O memorial do Senhor, que não se limita a recordar, mas que recorda... E a liturgia celebra os mistérios da fé associando-os à lembrança daqueles que melhor os viveram.&lt;br /&gt;Vêm-me estas ideias enquanto me passa pela memória a mobilização da freguesia do Souto da Carpalhosa, no dia 15 de Setembro de 1957, que também caiu ao domingo: era a festa das bodas de ouro do seu pároco, o P. Manuel Ferreira Geraldo.&lt;br /&gt;Celebravam-se nesse dia, por questões de calendário, mas aproveitando o facto de coincidir com os cinquenta anos da sua chegada à freguesia como coadjutor do P. Jacninto António Lopes, de quem fora o braço direito durarnte mais de trinta anos e ao qual sucedera na função de pároco.&lt;br /&gt;Que eu saiba, ninguém moveu uma palha. Como passara depercebido o cenetnário da nomeação do P. Jacindo António Lopes, passou agora também este.&lt;br /&gt;Quem conhece um pouco a história da freguesia sabe quanto ela deve à memória destas pessoas, cujo esquecimento não é apenas uma injustiça muito grave: constitui também um perigoso sintoma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-7084157389027467760?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/7084157389027467760/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=7084157389027467760' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/7084157389027467760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/7084157389027467760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/09/memria-e-identidade.html' title='MEMÓRIA E IDENTIDADE'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Ruw1Wd41NAI/AAAAAAAAAFI/YXnY5cV-zj0/s72-c/sacerdotes.4.gif' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-4942662730529458908</id><published>2007-09-05T17:08:00.000-07:00</published><updated>2007-09-05T17:11:30.648-07:00</updated><title type='text'>DEZ ANOS DEPOIS</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rt9FXLlaWNI/AAAAAAAAAFA/NEGG3olJK_g/s1600-h/TERESA+DE+CALCUTÃ.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106876767010445522" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rt9FXLlaWNI/AAAAAAAAAFA/NEGG3olJK_g/s320/TERESA+DE+CALCUT%C3%81.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rt9FJblaWMI/AAAAAAAAAE4/yZvZqYxUg7c/s1600-h/CRUCIFIXO.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106876530787244226" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rt9FJblaWMI/AAAAAAAAAE4/yZvZqYxUg7c/s320/CRUCIFIXO.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt; No aniversário da Beata Teresa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor, aqui me tens, esmagado mais uma vez pela dor de verificar como o mundo tem cada vez menos capacidade para perceber o que verdadeiramente significa viver da fé.&lt;br /&gt;No aniversário do último combate desse gigante de vida teologal que foi a Beata Teresa de Calcutá, causa-me uma tristeza imensa a superficialidade com que se lêem e comentam alguns dos seus escritos íntimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois reparo no que tenho diante de mim:&lt;br /&gt;Deixas-me ferido pela dor desta jovem mãe, que, no meu fraco entender, bem podias ter deixado gozar a felicidade que lhe fizeste experimentar, qundo, pela primeira vez, apertou ao peito o filho que tanto desejara.&lt;br /&gt;Vejo aquele sorriso triste, ao falar-me das perspectivas que a ciência médica – eles não são deuses, mas portam-se como se o fossem – abre no que dia rsepeito à saúde do filho: - Desejei tanto – diz ela - ter um menino... e agora...&lt;br /&gt;É reflexão de mãe, porque o olhar que lança sobre o bébé, depois daquele agora... vai ornado de um enorme carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor, olho para ti, porque tudo o que é grande na vida vem de ti, incluindo o amor dorido das mães.&lt;br /&gt;Mas tu não dizes nada... talvez para que não me distraia da grandeza que me vais fazendo descobrir através da solidão com que têm de se sofrer certas dores humanas: porque realmente não há dores que não sejam humanas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez o teu silêncio!&lt;br /&gt;Ou o clamor desses braços estendidos, coração aberto, rosto pálido, olhos cerrados... O silêncio não é teu é de Deus. Tu, aí, és o homem que quiseste ser para que me não sentisse abandonado... de um abandono tanto mais doloroso, quanto a nobreza com que procuro servir o Amor me torna mais sensível.&lt;br /&gt;Eu sei:&lt;br /&gt;A vida teologal é assim.&lt;br /&gt;Faz que não me esqueça nunca de vir aqui, quando me sentir assim!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-4942662730529458908?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/4942662730529458908/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=4942662730529458908' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4942662730529458908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4942662730529458908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/09/dez-anos-depois.html' title='DEZ ANOS DEPOIS'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rt9FXLlaWNI/AAAAAAAAAFA/NEGG3olJK_g/s72-c/TERESA+DE+CALCUT%C3%81.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-2456035679605268882</id><published>2007-09-03T12:59:00.000-07:00</published><updated>2007-09-03T13:06:32.463-07:00</updated><title type='text'>HORIZONTES DE ESPERANÇA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RtxokblaWHI/AAAAAAAAAEQ/La5lxHD5moI/s1600-h/SÃO+GREGÃRIO+MAGNO.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5106071052620552306" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RtxokblaWHI/AAAAAAAAAEQ/La5lxHD5moI/s320/S%C3%83O+GREG%C3%93RIO+MAGNO.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos no fim do Verão. Não vale a pena querer alterar o calendário, nem mesmo quando os boletins meteorológicos nos prometem isto e aquilo, a favor de umas férias que já passaram, com o mar cada vez mais distante: no meio de tudo, inquieta-me apenas que o consumismo continue ganhando terreno; o que signfica a permanência da desumanização da vida.&lt;br /&gt;Páro alguns minutos contemplando o grande crucifixo da igreja, mergulhada numa penumbra esatégica: meio de evitar o aquecimento exagerado do espaço.&lt;br /&gt;Para mim, um crucifixo é muito diferente de uma cruz nua, como aquelas que a progressiva protestantização de certos ambientes religiosos pôs em moda.&lt;br /&gt;Claro. Piores ainda, para a minha sensibilidade de crente, são as cruzes que exibem uma imagem tão estranha de Cristo, dependente de tão peculiares cânones artísticos, que não consigo descodificar a sua mensagem a tempo de reconfortar a minha fé.&lt;br /&gt;Não era assim o grande crucifixo diante do qual me pus em oração esta tarde: o artista, sem exibicionismos provocantes, preocupara-se com reproduzir a serenidade que, apesar da morte, conserva o rosto daquele que dissera, ao despedir-se dos amigos: &lt;em&gt;«Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci&lt;/em&gt; &lt;em&gt;o mundo!»&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;João:&lt;/em&gt; 16, 33).&lt;br /&gt;E lembrei-me de que há precisamente 1417 anos, o clero romano escolhia para seu bispo Gregório, patrício que, após larga experiência na administração, decidira entregar-se a Deus na vida monacal. Ao mosteiro fora buscá-lo, para difícil missão diplomática, o seu antecessor, que pouco depois morria vítima da peste, como muitos outros habitantes da velha Roma.&lt;br /&gt;Esta, como todo o mundo ocidental, não passava de um montão de ruínas.As estruturas do império haviam-se afundado por completo, e já não valia a pena esperar a ajuda de Bizâncio, que, afinal, no Ocidente nunca procurara mais do que satisfação para as suas ambições políticas e religiosas.&lt;br /&gt;Gregório, entre a incompetência dos exarcas bizantinos e o perigo das invasões dos povos do norte, percebe que tem de salvar, ao mesmo tempo, o cristiansimo e a herança cultural que lhe servira de discurso nos cinco séculos precedentes: envia missionários para as zonas ainda não evangelizadas do Ocidente e organiza a vida cultural, de modo que não falte à fé das nações que vão surgindo das ruinas, uma estrutura que lhe permita uma autêntica encarnação na vida individual e comunitária.&lt;br /&gt;Esperança e coragem operativas, que estão na raiz daquela unidade a que, precisamente dois séculos depois, um sucessor seu, menos feliz na acção, mas igualmente lúcido, perante o perigo islâmico, quis mobilizar com o nome de Europa.&lt;br /&gt;São Gregório Magno, viria a morrer em 604, nas vésperas da avalanche muçulmana – Maomé contava então trinta e quatro anos – que viria a ser detida precisamente pelo mundo cultural e religioso de que ele lançara as raízes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-2456035679605268882?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/2456035679605268882/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=2456035679605268882' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/2456035679605268882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/2456035679605268882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/09/horizontes-de-esperana.html' title='HORIZONTES DE ESPERANÇA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RtxokblaWHI/AAAAAAAAAEQ/La5lxHD5moI/s72-c/S%C3%83O+GREG%C3%93RIO+MAGNO.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-7251780693159363871</id><published>2007-08-25T11:23:00.001-07:00</published><updated>2007-08-25T11:25:37.357-07:00</updated><title type='text'>VÍTIMAS</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RtBz8blaWBI/AAAAAAAAADg/ix2Kzk6g5dk/s1600-h/REPÃBLICA.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5102705859844790290" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RtBz8blaWBI/AAAAAAAAADg/ix2Kzk6g5dk/s320/REP%C3%9ABLICA.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acabo de ler a biografia do Padre Barros Gomes (Aletheia Editores, Lisboa 2006), que os contemporâneos classificaram de “sábio e de santo”, e que morreu assassinado por agitadores republicanos, injectados de ódio às ordens religiosas, a 4 de Outubro de 1910.&lt;br /&gt;Por coincidência, termino esta leitura no dia em que se completam cem anos sobre a eleição do primeiro Presidente da República Portuguesa, Dr. Manuel de Arriaga.&lt;br /&gt;As informações que consegui colher sobre os últimos anos de vida desta figura da Primeira República levaram-me a pensar que também o Dr. Arriaga merecia que se escrevesse sobre ele com um pouco mais de objectividade, até para se perceber que afinal, só se pode dizer que o Padre Barros Gomes foi vítima da República segundo um certo sentido. E creio que todos, republicanos ou não, estamos interessados em descobrir esse sentido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-7251780693159363871?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/7251780693159363871/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=7251780693159363871' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/7251780693159363871'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/7251780693159363871'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/08/vtimas.html' title='VÍTIMAS'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RtBz8blaWBI/AAAAAAAAADg/ix2Kzk6g5dk/s72-c/REP%C3%9ABLICA.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-7174731561829181057</id><published>2007-08-23T09:41:00.000-07:00</published><updated>2007-08-23T09:48:54.665-07:00</updated><title type='text'>CANÇÃO DO MENINO PERDIDO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rs25QLlaV-I/AAAAAAAAADI/FBbDiTHABxA/s1600-h/BOTÃO+DE+ROSA.2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101937640519391202" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rs25QLlaV-I/AAAAAAAAADI/FBbDiTHABxA/s320/BOT%C3%83O+DE+ROSA.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;strong&gt;Botôes que não desabrocharam&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não se trata de obsessão, nem tão pouco de querer mexer em feridas que, quem as tem mais vivas e quiçá mais dolorosas, deseja esquecer rapidamente.&lt;br /&gt;Eu diria que é principalmente a solidariedade com esses corações, amargurados por uma táctica de morte que lhes nega alternativas sérias ao conflito que alguma vez se instalou dentro deles.&lt;br /&gt;Ofereço aos outros, aos que pensam que resolvem tudo eliminando os mais incómodos dados da questão, a tradução livre deste poema castelhano que há dias me chegou às mãos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Eu tinha um berço preparado...&lt;br /&gt;Uma nascente misteriosa&lt;br /&gt;inundava-me de sonhos de carinho.&lt;br /&gt;Um rio morno e límpido&lt;br /&gt;fluía docemente,&lt;br /&gt;e algo me repetia&lt;br /&gt;que seria torrente&lt;br /&gt;de vida que à minha vida chegaria...&lt;br /&gt;Sei que todo o botão&lt;br /&gt;sonhará como eu. No fundo do coração&lt;br /&gt;pressentia a chama; mas ainda seria&lt;br /&gt; apenas um  sonho que nascia.&lt;br /&gt;Eu fui soma de luas impacientes&lt;br /&gt;até que chegou um dia&lt;br /&gt;em que algo me desatou, tão repentinamente,&lt;br /&gt;que ao invadir-me a água da brisa&lt;br /&gt;por um bosque de sangue quente,&lt;br /&gt;me devorou o lobo enorme da morte&lt;br /&gt;nos próprios umbrais da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-7174731561829181057?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/7174731561829181057/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=7174731561829181057' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/7174731561829181057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/7174731561829181057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/08/cano-do-menino-perdido.html' title='CANÇÃO DO MENINO PERDIDO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rs25QLlaV-I/AAAAAAAAADI/FBbDiTHABxA/s72-c/BOT%C3%83O+DE+ROSA.2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-6907856363202942254</id><published>2007-08-22T04:23:00.000-07:00</published><updated>2007-08-22T04:26:14.642-07:00</updated><title type='text'>CULTURA SEM ALMA?</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RswdCrlaV9I/AAAAAAAAADA/SGKoYPufuoQ/s1600-h/AFFIEUX.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5101484409800513490" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RswdCrlaV9I/AAAAAAAAADA/SGKoYPufuoQ/s320/AFFIEUX.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Cultura sem alma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há oito dias que me andam na mente as memórias e as imagens daquele quinze de Agosto numa encantadora aldeia do Limousin.&lt;br /&gt;Almoço no seio de uma família franco-portuguesa, casa alugada pelo município, espaçosa, com sinais de desafogo talvez um pouco exagerados, dada a sua condição de trabalhadores rurais, com ar de festa, porque o quinze de Agosto, mais do que o catortze de Julho, é, em todas as aldeias francesas, dia de festa.&lt;br /&gt;Em Affieux – assim se chama essa encantadora aldeia – como por quase todo o Limousin, já não se sabe porque é festa.&lt;br /&gt;Ficou-me particularmente gavada na memória a tarde, no centro da aldeia, com aquela deliciosa paródia dos concursos hípicos: um humorismo que só os franceses do Languedoque, ainda tão próximos da cultura provençal, sabem transformar assim, em espectáculo que diverte sem ofender.&lt;br /&gt;Aproveitei uma pçausa para visitar a igreja de Saiant-Pardoux, um santo invocado para os amles da vista: igreja paroquial, marcada pela história da povoação, desde os tempos áureos da pática religiosa, até à desertificação, que se foi acentuando a partir dos anos atribulados da Revolução.&lt;br /&gt;Ficaram as relíquias da arquitectura.&lt;br /&gt;Quando parei para pensar um pouco, pojectando na linguagem das obras de arte, talvez demasiado triste para o momento, os ecos que me vinham lá de fora, e me lembrei de que ali, naquele ambiente de festa, ninguém, nem os mais antigos, se lembravam do que fizera do quinze de Agosto aquilo que ainda é, sobretudo nos meios rurais da França, tive um pressentimento, que hoje é algo mais do que isso:&lt;br /&gt;Todos caminhamos para um tempo em que da cultura europeia nos ficará apenas a máscara, um corpo sem alma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-6907856363202942254?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/6907856363202942254/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=6907856363202942254' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6907856363202942254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6907856363202942254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/08/cultura-sem-alma.html' title='CULTURA SEM ALMA?'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RswdCrlaV9I/AAAAAAAAADA/SGKoYPufuoQ/s72-c/AFFIEUX.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-8781257210654370171</id><published>2007-08-17T14:27:00.000-07:00</published><updated>2007-08-17T14:34:16.020-07:00</updated><title type='text'>A HORA DOS ZAROLHOS</title><content type='html'>Escrevo depois daquela reportagem sobre o livro que está agora no top das vendas: &lt;em&gt;The Secret&lt;/em&gt;. Vai em inglês, não só por ser o idioma original, mas também porque se trata de uma área linguística particularmente atingida pelo fenómeno da prostituição da litertaura, que campeia por aí, em todo este perdido mundo ocidental.&lt;br /&gt;Escuto os entrevistados: uns leram o livro e acham que é assim mesmo; outros não leram, mas, porque querem ser modernos, também acham que é assim mesmo...&lt;br /&gt;Fala-se de ter pensamentos positivos, querer teimosamente, atrair coisas boas... até que alguém se atreve a empregar a palavra optimismo.&lt;br /&gt;E eu venero a memória de minha mãe, que, quando nos via obcecados por coisas irremediáveis ou causas perdidas, sem discursos rebuscados, nos dava um empurrão para a frente, com uma frase que não era dela, mas que me traz de volta o seu sorriso optimista: &lt;em&gt;Deixa lá:  o que não tem remédio remediado está.&lt;/em&gt; E conhecia as outras receitas da sabedoria popular e da fé das pessoas simples: &lt;em&gt;De ora a hora Deus melhora&lt;/em&gt;. Às vezes, quando nos via pouco interessados pela luta da vida: &lt;em&gt;o dinheiro não vem cá ter pelo buraco das telhas&lt;/em&gt;, e...  &lt;em&gt;Deus ajuda quem muito madruga...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Depois penso na luta ascética: a dos meus pais, antes da que apendi na vida dos santos. Não os santos milagreiros, das hagiografias tradicionais, mas os santos de carne e osso que semeiam a paz à sua volta e arriscam tudo pelos valores nos quais, bem lá no fundo, até os que os perseguem acreditam.&lt;br /&gt;E voltei aos milhões de livros vendidos nestes últimos anos, movimentando centenas de milhões de dólares, porque na nossa cultura ocidental se perderam as luzes que iluminaram os seus criadores.&lt;br /&gt;E como sempre há quem se aproveite da ignorância dos outros, aí estão os livros que toda a gente compra: uns porque buscam soluções mágicas para os seus problemas, outros porque procuram novidades surpreendentes, outros porque tomam isso como sinal de modernidade.&lt;br /&gt;Também se dizia, quando eu era miúdo, que &lt;em&gt;em terra de cegos, quem tem olho é rei&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Estamos bem no tempo áureo dos zarolhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-8781257210654370171?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/8781257210654370171/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=8781257210654370171' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8781257210654370171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8781257210654370171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/08/hora-dos-zarolhos.html' title='A HORA DOS ZAROLHOS'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-8172576057640299342</id><published>2007-08-11T08:20:00.000-07:00</published><updated>2007-08-11T08:27:33.813-07:00</updated><title type='text'>A MORTE DO CARDEAL</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rr3UHzO_FtI/AAAAAAAAACo/X4rSCwx6Jss/s1600-h/LUSTIGER.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5097463583730505426" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rr3UHzO_FtI/AAAAAAAAACo/X4rSCwx6Jss/s320/LUSTIGER.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; Aprendi a admirá-lo desde o início do seu ministério episcopal, primeiro em Orleães, mas sobretudo após a sua nomeação para arcebispo de Paris.&lt;br /&gt;Numa hora difícil, quando a hieraraquia católica da Europa ocidental parecia paralisada por questões que, apesar de  secundárias, se consideradas em si mesmas, fechavam a muitos bispos os horizontes de uma acção corajosa que fosse também testemunho de fé no futuro da Igreja.&lt;br /&gt;Na altura não me apercebi, porque de facto isso não era importante, das raízes hebraicas do novo arcebispo; e confesso que duvido do entusiamo com que um certo judaismo apareceu agora protagonizando gestos que esconderam mal o sionismo, do qual, em meu entender, dependiam em excesso.&lt;br /&gt;O sionismo, que não perdoou a João Paulo II a canonização de Edith Stein... talvez por ela ter tanta semelhança com outro judeu apaixonado por Jesus Cristo, que era igualmente judeu.&lt;br /&gt;E também, a minha admiração pelo cardeal, que foi sempre crescendo, quase até à sua resignação, tinha pouco a ver com aquilo que agora, quando a sua morte se revelou notícia de bom consumo, as agências noticiosas internacionais puseram em evidência.&lt;br /&gt;Daí este terrível sentimento de frustração que me assalta ao ver que, mais uma vez, os “media” ditos cristãos, na sua grande maioria, tenham deixado passar uma preciosíssima oportunidade para marcarem a diferença, pondo em realce o que fez deste homem um grande bispo, um dos maiores, se não o maior, da França do final do século.&lt;br /&gt;Agradeço ao bispo português que falou da ousadia do cardeal agora defunto: Só foi pena não ter especificado essa ousadia.&lt;br /&gt;Porque teria certamente de mencionar o gesto corajoso que está na raiz da quantidade de sacerdotes ordenados para a diocese de Paris – com 2% da população francesa - durante os quase vinte e quatro anos de episcopado de Jean-Marie Lustiger: 200 acerdotes, o equivalente a 15% de todo o clero da França.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-8172576057640299342?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/8172576057640299342/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=8172576057640299342' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8172576057640299342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8172576057640299342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/08/morte-do-cardeal.html' title='A MORTE DO CARDEAL'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rr3UHzO_FtI/AAAAAAAAACo/X4rSCwx6Jss/s72-c/LUSTIGER.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-7632454127339612793</id><published>2007-08-06T15:45:00.000-07:00</published><updated>2007-08-06T15:53:53.195-07:00</updated><title type='text'>MEMÓRIA E IDENTIDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RrelIDO_FsI/AAAAAAAAACg/To5GhYo1LgU/s1600-h/TRANSFIGURAÃÃO.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5095723061118703298" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RrelIDO_FsI/AAAAAAAAACg/To5GhYo1LgU/s320/TRANSFIGURA%C3%87%C3%83O.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis de Agosto.&lt;br /&gt;O calendário litúrgico assinala: &lt;strong&gt;Festa da Transfiguração do Senhor.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;E diz ainda o mesmo calendário que as igrejas cujo titular é o Santíssimo Salvador – como acontece com a basílica de São João de Latrão (Sé de Roma, a “Mãe de todas as Igrejas”) –  celebram neste dia o seu titular.&lt;br /&gt;Santíssimo Salvador!&lt;br /&gt;Desde garoto, quando entrava na igreja paroquial, logo os meus olhos se fixavam no tecto, cujo estuque, que reproduzia figuras do catecismo da “Maison de bonne presse”, cenas da vida de Cristo rodeando o quadro central, que figurava precisamente a Transfiguração.&lt;br /&gt;Mais tarde soube que a obra desse tecto, como a disposição das tábuas policromadas do soalho, tinha sido imaginada e dirigida pelo Padre Jacinto António Lopes, já completamente cego, por efeito da doença que o atacara quase no início da sua carreira sacerdotal, mas com o fulgor do espírito e do zelo com que se encarregara da paróquia por nomeação régia, fez agora cemm anos.&lt;br /&gt;Já aqui falei do injusto esquecimento a que foi votado este centenário. Não sei se vale a pena voltar ao tema. Como, porém, uma das funções deste blogue é dar-me um espaço para desabafar, deixo-me vencer pela tentação de abrir um pouco a janela da alma, a ver se a luz do exterior diminui as sombras do choque das memórias do passado com as imagens do presente.&lt;br /&gt;E não se pense que o que do presente me atormenta é o facto de ser diferente; mas o pouco e nada ter a ver com o passado; à sua falta de coerência específica, ao apagamento de tudo o que podia ensinar as pessoas a perceber a correcção do caminho, que não se define só pelo destino: mas em coerência com a origem.&lt;br /&gt;Todos sabemos que os grupos humanos, quaisquer que eles sejam, têm necessidade absoluta da memória para salvarem a sua identidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-7632454127339612793?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/7632454127339612793/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=7632454127339612793' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/7632454127339612793'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/7632454127339612793'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/08/memria-e-identidade.html' title='MEMÓRIA E IDENTIDADE'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RrelIDO_FsI/AAAAAAAAACg/To5GhYo1LgU/s72-c/TRANSFIGURA%C3%87%C3%83O.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-3607541684565221641</id><published>2007-08-01T15:22:00.000-07:00</published><updated>2007-08-01T15:29:15.716-07:00</updated><title type='text'>LEMBRANÇAS DE SIÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RrEIaDO_FqI/AAAAAAAAACQ/FFAa1MYldDQ/s1600-h/BABILÃNIA.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093861897170523810" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RrEIaDO_FqI/AAAAAAAAACQ/FFAa1MYldDQ/s320/BABIL%C3%93NIA.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RrEIKTO_FpI/AAAAAAAAACI/3qPaaWUhNis/s1600-h/JERUSALÃM.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093861626587584146" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RrEIKTO_FpI/AAAAAAAAACI/3qPaaWUhNis/s320/JERUSAL%C3%89M.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um pouco de Camões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Cá nesta Babilónia, donde mana&lt;br /&gt;Matéria a quanto mal o mundo cria;&lt;br /&gt;Cá donde o puro Amor não tem valia,&lt;br /&gt;Que a Mãe, que manda mais, tudo profana;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá, onde o mal se afina e o bem se dana,&lt;br /&gt;E pode mais que a honra a tirania;&lt;br /&gt;Cá, onde a errada e cega Monarquia&lt;br /&gt;Cuida que um nome vão a desengana;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá, neste labirinto, onde a nobreza,&lt;br /&gt;Com esforço e saber pedindo vão&lt;br /&gt;Às portas da cobiça e da vileza;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cá neste escuro caos de confusão,&lt;br /&gt;Cumprindo o curso estou da natureza.&lt;br /&gt;Vê se me esquecerei de ti, Sião!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Camões, que, como outras grandes figuras da nossa história, é, em muitos aspectos, vítima do seu próprio génio, merece leituras mais abrangentes que aquelas que habitualmente se fazem. De facto, a vastidão da sua cultura e a profundidade do seu pensamento são frequentemente esquecidas devido ao fascínio do seu génio poético. O problema está em que não faz  uma boa análise do artista quem se sequece da cultura e do pensamento que não só enriquecem a arte, mas, na maior parte dos casos, a inspiram e lhe dão alma.&lt;br /&gt;Este soneto, por exemplo, como as redondilhas “Sôbolos rios que vão”, inspira-se no Salmo 136 (137), largamente comentado e parafraseado ao longo de todo o século XVI. Salmo que é responsável pelo alastramento a toda a literatura ocidental do tópico Babel e Sião, contrapondo-se; tópico que mergulha directamente no exílio das grandes famílias de Jerusalém, após a conquista da Assíria, em 587 a.C., mas no qual o povo hebreu sintetiza as experiências dolorosas por que passou, ao longo dos séculos, o seu afã de fidelidade ao Deus da Aliança. &lt;br /&gt;Da leitura religiosa dos acontecimentos históricos ao discurso dos místicos a respeito da sua luta ascética, vai um passo. E esse também o  nosso épico o deu, com a profundidade e o génio com que deu todos os outros.&lt;br /&gt;Poeta, teólogo, filósofo e analista político, com uma grandeza única, tudo isso foi Camões; e.na medida em que o lermos tendo isso em conta, a cada passo o encontramos a falar da nossa época, a dar voz aos nosso anseios e aos protestos que abafamos por não sabermos como veiculá-los de forma útil.&lt;br /&gt;Anseios e protestos: como podemos descobrir neste soneto, que aceita perfeitamente uma leitura política, como tantos outros poemas, de que talvez venhamos a falar neste cantinho.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Cá, neste labirinto, onde a nobreza,&lt;br /&gt;Com esforço e saber pedindo vão&lt;br /&gt;Às portas da cobiça e da vileza...&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Valha-me Deus, que isto até parece referir-se ao Portugal do início do teceiro milénio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-3607541684565221641?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/3607541684565221641/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=3607541684565221641' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3607541684565221641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/3607541684565221641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/08/lembranas-de-sio.html' title='LEMBRANÇAS DE SIÃO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RrEIaDO_FqI/AAAAAAAAACQ/FFAa1MYldDQ/s72-c/BABIL%C3%93NIA.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-6812769739481315899</id><published>2007-07-11T15:50:00.000-07:00</published><updated>2007-07-11T15:52:14.493-07:00</updated><title type='text'>APAGADA E VIL TRISTEZAA propósito de São Bento</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RpVe1GVQljI/AAAAAAAAAB4/X3Yz5ut3aSE/s1600-h/CASSINO.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5086075620510701106" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RpVe1GVQljI/AAAAAAAAAB4/X3Yz5ut3aSE/s320/CASSINO.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A propósito de São Bento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bento de Núrcia, depois de uma luta travada em várias frentes para realizar aquilo que percebeu ser a vontade de Deus a seu respeito, faleceu no cimo do Monte Cassino, o eremitério que se transformara já na abadia nais famosa de todo o ocidente, a 21 de Março de 547.&lt;br /&gt;Passa de 1460 anos.&lt;br /&gt;Roma estava à mercê de Constantinopla, cujo imperador, abusando da fraqueza do Papa Vigílio, tentava o que não conseguira um século antes com Gelásio I.&lt;br /&gt;Mas a fidelidade de Bento deixava atrás de si uma retaguarda que, passados quarenta anos, após alguns pontificados medíocres, daria a Gregório I, conhecido na história por Gregório Magno, o quadro, as ideias e as pessoas que iriam levar por diante a grande empresa de salvar a romanidade.&lt;br /&gt;Romanidade, outra palavra que podíamos usar como sinónimo de Europa: Europa, que se constitui como unidade cultural amalgamando a imensa riqueza que lhe vinha dos impérios antigos, dos faraós aos macedónios, com o  cristianismo penetrando tudo, salvando tudo o que, em qualquer cultura é verdadeiramente humano.&lt;br /&gt;Não fora o desnorte que domina os nossos políticos e o confrangedor complexo de laicidade que bloqueia os católicos portugueses, nascidos num dos países onde há mais recordações do espírito de São Bento, neste período da Presidência portuguesa... melhor não acabar, não venham a erguer-se os fantasmas que as referências a este facto na nossa comunicação social lançam no horizonte de quem não se conforma com esta “apagada e vil tristeza”.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-6812769739481315899?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/6812769739481315899/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=6812769739481315899' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6812769739481315899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6812769739481315899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/07/apagada-e-vil-tristezaa-propsito-de-so.html' title='APAGADA E VIL TRISTEZAA propósito de São Bento'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RpVe1GVQljI/AAAAAAAAAB4/X3Yz5ut3aSE/s72-c/CASSINO.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-152300694681516569</id><published>2007-07-08T08:10:00.000-07:00</published><updated>2007-07-08T09:07:20.982-07:00</updated><title type='text'>GENERALIZAÇÃO DO ATAQUE SOEZ</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RpD-v2VQlhI/AAAAAAAAABo/YzpHEAArtCY/s1600-h/APUNHALAR+PELAS+COSTAS.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5084844077293278738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RpD-v2VQlhI/AAAAAAAAABo/YzpHEAArtCY/s320/APUNHALAR+PELAS+COSTAS.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apunhalado pelas costas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um seviço noticioso que me chegava por cabo,  muito curto, como eu gostaria que fossem todos os telejornais, e ao qual dava certa credibilidade. Por isso, sempre que podia, quando suspeitava de que algo tinha acontecido a merecer atenção, à hora exacta, lá estava a ver e ouvir. Depois, comecei a andar de decepção em decepção: fui descobrindo que a desonestidade se apoderava também do jornalismo alimentado pelos nosso impostos, com a agravante de essa dcesonestidade se mascarar de independência.&lt;br /&gt;Agora ouçam como esse canal deu a notícia da publicação do Motu Proprio &lt;em&gt;Summorum Pontificum: (&lt;/em&gt;As palavras não são textuais, mas sou fiel às ideias) O Vaticano publica um doccumento que assinala o regresso do latim à liturgia católica: regozijo dos tadicionalistas e inquietação da comunidade judaica. E donde vem a inquietação desta comunidade? Da existência, no missal de São Pio V, de uma oração a pedir a conversão dos judeus.&lt;br /&gt;Pasme-se!&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, o latim, segundo as prescrições do VaticanoII, continua a ser a língua oficial da liturgia romana: não regressa, porque nunca partiu. Apenas se modifcou o modo de celebrar e se permitiu, nas celebrações com o povo, o uso das línguas vernáculas, com traduções aprovadas pela autoridade competente.&lt;br /&gt;Esse modo de celebrar, ( o modo de celebrar, não a língua vernácula) após a refeorma de 1970, tornara-se obrigatório, exceptuando alguns casos individuais, em que era permitdo o uso do missal reformado por João XXIII, em 1962. Em 1988, João Paulo II concedeu aos bispos a faculdade de autorizarem o uso deste missal sempre que isso lhes fosse pedido razoavelmente. O que o texto de Bento XVI faz é conceder a qualquer sacerdote que o deseje, no caso da celebração particular, ou entenda ser útil para os fiéis, em celebrações com o povo, autorização para isso, sem necessidade de recorrer ao bispo.&lt;br /&gt;E a inquietação dos judeus?&lt;br /&gt;É um dos casos mais espectaculares de má fé da comunicação social e de todos os que dela se fizeram eco:&lt;br /&gt;Primeiro:&lt;br /&gt;A referida oração, incluída na longa litania da sexta-feira santa, foi, como outras, totalmente refundida em 1959, ainda antes da publicação do missal de São Pio V, reformado por João XXIII, em 1962.&lt;br /&gt;Segundo, a Tríduo Pascal, nas disposições de Bento XVI, fica excluído da autroização agora concedida a todos os sacerdotes, quanto ao uso do missal de 1962.&lt;br /&gt;É ou não é, apunhalar a verdade, este modo de dizer as cosias?&lt;br /&gt;E não se fale de ignorância onde ela é tão culpada como a má fé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-152300694681516569?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/152300694681516569/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=152300694681516569' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/152300694681516569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/152300694681516569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/07/generalizao-do-ataque-soez.html' title='GENERALIZAÇÃO DO ATAQUE SOEZ'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RpD-v2VQlhI/AAAAAAAAABo/YzpHEAArtCY/s72-c/APUNHALAR+PELAS+COSTAS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-6088929346589340944</id><published>2007-07-06T13:25:00.000-07:00</published><updated>2007-07-06T13:31:21.747-07:00</updated><title type='text'>OBJECÇÃO DE CONSCIÊNCIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Ro6l7GVQlfI/AAAAAAAAABY/t6dyaMvvoVU/s1600-h/IMPOSTOS.2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5084183464078513650" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Ro6l7GVQlfI/AAAAAAAAABY/t6dyaMvvoVU/s320/IMPOSTOS.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Outro desabafo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho de utilizar a televisão por cabo, para encontrar um pouco de cultura através do pequeno écrã, que há muito deixou de ser a tal caixinha mágica de que ouvia falar quando era jovem.&lt;br /&gt;Neste canal estrangeiro, presta-se homenagem a essa grande artista falecida ontem, Régine Crspin de seu nome: partem dos anos mis recentes para os mais recuados... maneira habilidosa de no-la mostrarem cada vez mais jovem, mas também processo adequado à demonstração da precocidade do seu talento.&lt;br /&gt;Passam-me os dedos por um documento do Ministério das Finanças que me informa do que tenho a pagar, até um de Agosto, como contribuinte que entregou a tempo a sua declaração de IRS.&lt;br /&gt;E penso naquilo em que está a ser gasto o dinheiro dos nossos impostos.&lt;br /&gt;Desde muito criança aprendi que todo o cidadão devia dar o seu cotributo à promoção do bem comum. E isso traduzia-se no dever de pagar a tempo e horas os impostos.&lt;br /&gt;A única questão que se punha então era a da justiça das leis tributárias.&lt;br /&gt;Hoje, sem que deixe de ter actualidade essa questão, a pergunta mais séria, mesmo mais acutilante para a consciência de cada um, é a de saber que faz o Estado com o dinheiro que nos tira.&lt;br /&gt;Porque temos de começar a falar nos objectores de consciência relativamente aos impostos: serei eu obrigado a entregar ao Estado valores que ele emprega em práticas que violam a minha consciência?&lt;br /&gt;Não valem as maiorias votantes, já que uma democracia sã respeita os direitos das minorias. E se eu entendo que pagar os impostos é tornar-me cúmplice de graves violações dos direitos humanos, posso pelo menos fugir a esse pagamento... por todos os meios ao meu alcance... assumindo, como é óbvio, num Estado que só aparentemente é um Esatdo de direito, os riscos que isso encerra.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-6088929346589340944?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/6088929346589340944/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=6088929346589340944' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6088929346589340944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6088929346589340944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/07/objeco-de-conscincia.html' title='OBJECÇÃO DE CONSCIÊNCIA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Ro6l7GVQlfI/AAAAAAAAABY/t6dyaMvvoVU/s72-c/IMPOSTOS.2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-8306958006152963244</id><published>2007-07-05T14:14:00.000-07:00</published><updated>2007-07-05T14:19:02.968-07:00</updated><title type='text'>A MOTRTE DA DIVA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Ro1f8mVQleI/AAAAAAAAABQ/R9MkeMniuWA/s1600-h/REGINE+CRESPIN.1.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5083825049057662434" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Ro1f8mVQleI/AAAAAAAAABQ/R9MkeMniuWA/s320/REGINE+CRESPIN.1.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;Apenas um desabafo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarde de solidão pesada – às vezes assaltam-me estas fantasias – em busca de algo que me alargue os horizontes sem reduzir a lucidez com que gosto de me analisar, sobretudo quando estoui sozinho: porque se nos perdemos de nós próprios, onde havemos de fixar a ponte relacional que nos faz sentir pessoas?&lt;br /&gt;Vou de canal em canal – qual deles o mais desertificado, quanto a valores culturais – até parar ali, onde, apesar das cedências já feitas à sociedade de consumo, mais minuto, menos minuto, sempre nos mimoseiam com espectáculos que nos ajudam a perceber que somos seres superiores à besta a que este mundo economicista e massificador quer reduzir-nos.&lt;br /&gt;De repente... era ela, Régine Crespin... um pouco estragada pelos anos e pela doença, mas era ela.&lt;br /&gt;Porém, antes que começasse a falar, notícia de rodapé: (traduzo de memória) Régine Crespin faleceu este cinco de Julho de 2007. Como homenagem reproduzimos o presente programa.&lt;br /&gt;Conhecia a sua voz, pouco da sua vida e muito da sua arte; mas o que senti não foi tanto por causa dela, como pelo que pode significar, num undo como este, numa Europa que se afunda em inquietações que põem as coisas à frente das pessoas.&lt;br /&gt;Este mundo fica assim mais pobre... e ninguém se inquieta. Nem se fala disso.&lt;br /&gt;É uma tristeza, sobretudo quando reparamos no panorama da nossa comunicação social, entretida com mexericos de bairros problemáticos, sempre à busca do último boato, a ver se ganha a corrida da má língua, a ver quem diz de modo mais escabroso o que aconteceu ao cão que foi mordido pelo dono.&lt;br /&gt;Régine Crespin, Henrique Viana... e o mercantilismo em busca de novas maravilhas, para encantar espíritos vazios e encher as bolsas que guardam a lucidez necessária para o negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-8306958006152963244?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/8306958006152963244/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=8306958006152963244' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8306958006152963244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/8306958006152963244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/07/motrte-da-diva.html' title='A MOTRTE DA DIVA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Ro1f8mVQleI/AAAAAAAAABQ/R9MkeMniuWA/s72-c/REGINE+CRESPIN.1.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-4064592769409478983</id><published>2007-06-29T07:41:00.000-07:00</published><updated>2007-06-29T07:50:38.409-07:00</updated><title type='text'>SÃO PEDRO E SÃO APULO</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RoUadWVQldI/AAAAAAAAABI/f6QfVJb3vzg/s1600-h/PEDRO+E+PAULO.1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5081496846070748626" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RoUadWVQldI/AAAAAAAAABI/f6QfVJb3vzg/s320/PEDRO+E+PAULO.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ansioso? Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como há muito que não digo nada neste espaço –  por falta de tempo e não por falta de tema – decidi oferecer hoje aos visitantes mais teimosos e, consequentemente, mais fiéis, uma página do meu diário, que não é só, como já terão notado esses amigos, um repositório de memórias.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esta manhã, pisando a velha calçada da estreita Rua das Olarias, entre prédios antigos, uns exbindo despudoradamente a sua velhice e o desleixo de proprietários e inquilinos, outros, de forma ainda mais despudorada, mostrando os retoques com que fingem de novos, dei comigo a pensar nos textos da missa: esta solenidade de São Pedro e São Paulo que a nossa memória cultural desfigura com uma enorme quantidade de caricaturas.&lt;br /&gt;Destas, a grande vítima é Pedro; mas Paulo, o maior evangelizador das comunidades não hebraicas, só se pode dizer favorecido, porque, em meu entender, o esquecimento é preferível às deturpações da imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São Pedro e São Paulo.&lt;br /&gt;A leitura do livro dos Actos, 12, 1-11 (versão litúrgica):&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Naqueles dias, o rei Herodes começou a perseguir alguns membros da Igreja. Mandou matar à espada Tiago, irmão de João, e, vendo que tal procedimento agradara aos judeus, mandou prender também Pedro. Era nos dias dos Ázimos. Mandou-o prender e meter na cadeia, entregando-o à guarda de quatro piquetes, de quatro soldados cada um, com a intenção de o fazer comparecer perante o povo, depois das festas da Páscoa. Enquanto Pedro era guardado na na prisão, a Igreja orava a Deus, instantemente, por ele. Na noite anterior ao dia em que Herodes pensava fazê-lo comparecer, Pedro dormia entre dois soldados, preso a duas correntes, enquanto as sentinelas à porta guardavam a prisão. De repente, apareceu o Anjo do Senhor, e uma luz iluminou a cela da cadeia. O Anjo acordou Pedro, tocando-lhe no ombro e disse-lhe: «Levanta-te depressa!» E as correntes caíram-lhe das mãos. Então o Anjo disse-lhe: «Põe o cinto e calça as sandálias.» Ele assim fez. Depois, acrescentou: «Envolve-te no teu manto e segue-me.» Pedro saiu e foi-o seguindo, sem perceber a realidade do que estava a acontecer por meio do Anjo: julgava que era uma visão. Depois de atravessarem o primeiro e o segundo posto da guarda, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, e a porta abriu-se por si mesma diante deles. Saíram, avançando por uma rua, e subitamente o Anjo desapareceu. Pedro, voltando a si, exclamou: «Agora sei realmente que o Senhor enviou o seu Anjo e me libertou das mãos de Herodes e de toda a expectativa povo judeu.»&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A esta narrativa respodemos com  o versículo 5 do salmo 34(33),  que, na sua versão litúrgica diz: &lt;em&gt;O Senhor libertou-me de toda a ansiedade.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Claro. Depois de ouvirmos contar de forma tão pormenorizada o modo como Deus libertou Simão dos intuitos assassinos de Herodes, é compreensível que interpretemos salmo e refrão como referindo-se à queda das cadeias e à fuga da prisão.&lt;br /&gt;Não vamos negar que isso terá estado na mente dos autores da reforma litúrgica. Mas não podemos esquecer o que se diz no versículo 6 da narração: &lt;em&gt;Pedro dormia entre dois soldados, preso a duas correntes, enquanto as sentinelas à porta guardavam a prisão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, que há de mais espantoso em todo este episódio? Não será precisamente a serenidade com que Simão assiste ao desenrolar dos acontecimentos? Acontecimentos que, segundo a lógica humana, não tinham outra saída senão a morte.&lt;br /&gt;Penso nisto, enquanto espero que passe um automobilista apressado, que não respeita a prioridade dos peões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simão dorme tranquilo: Porque o Senhor, única razão das suas cadeias, o libertou da angústia, que poderia vir do medo ou da consciência de que não estava de bem com Deus. Mas estava, porque fora preso por causa d’Ele.&lt;br /&gt;Reparo que os medos da minha caminhada, a ansiedade quase patológica com que remexo nos becos sem saída que a comunicação social cria a cada momento,  não ficam bem em pessoas livres que podem gritar como Paulo: &lt;em&gt;Quanto a mim, já estou pronto oferecido em libação, e o tempo da minha partida está iminente. Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé&lt;/em&gt; (2 &lt;em&gt;Tim&lt;/em&gt; 4, 6-7).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-4064592769409478983?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/4064592769409478983/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=4064592769409478983' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4064592769409478983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/4064592769409478983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/06/so-pedro-e-so-apulo.html' title='SÃO PEDRO E SÃO APULO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/RoUadWVQldI/AAAAAAAAABI/f6QfVJb3vzg/s72-c/PEDRO+E+PAULO.1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-5324051056976666494</id><published>2007-06-13T03:33:00.000-07:00</published><updated>2007-06-13T03:33:58.647-07:00</updated><title type='text'>CEM ANOS DEPOIS</title><content type='html'>A 12 Junho de 1907, saía da chancelaria do rei Dom Carlos, o decreto que nomeava pároco da freguesia do Souto da Carpalhosa o P. Jacinto António Lopes, natural de Carvide, membro ilustre do clero da diocese de Coimbra, à qual pertencia então a referida freguesia.&lt;br /&gt;Marcado já pela doença que, além de outros estragos, poucos anos depois o privaria definitivamente da visão, realizou, no entanto, uma obra pastoral de tal ordem, que ainda hoje se podem descobrir, nas duas paróquias cujo território corresponde ao daquela que lhe foi confiada e da qual tomou posse no mês de Julho seguinte, vestígios dos quase trinta e um anos do seu ministério.&lt;br /&gt;Todos sabemos que o primeiro sintoma de decadência de um povo é a perda da memória. Aliás, isso acontece a todos os níveis, das pessoas e das instituições. Daí a importância que, desde sempre, a Igreja deu à recordação daqueles que deram um particular testemunho de vida, os santos.&lt;br /&gt;Será também por isso que assistimos hoje a uma luta de certas ideologias contra a memória histórica que define a identidade dos povos, ao mesmo tempo que se procura sistematicamente avivar feridas mais ou menos recentes, sobretudo quando podem lançar o descrédito sobre determinadas instituições.&lt;br /&gt;É por isso que não posso evitar uma  certa tristeza ao reparar que, pelo menos que eu saiba, nem a nível pessoal nem das instituições, nenhuma iniciativa tenha surgido para recordar este centenário, que podia também ter servido de pretexto à recordação de tanta gente sem a qual o P. Jacinto não poderia ter realizado a obra que realizou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-5324051056976666494?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/5324051056976666494/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=5324051056976666494' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5324051056976666494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/5324051056976666494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/06/cem-anos-depois.html' title='CEM ANOS DEPOIS'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-6631607891249925958</id><published>2007-05-18T12:56:00.001-07:00</published><updated>2007-05-18T13:07:13.676-07:00</updated><title type='text'>RECUPERAR</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rk4GojljF4I/AAAAAAAAAAU/gJ2K7rMqwHo/s1600-h/vassiviÃ¨re.France.3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5065993924655650690" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rk4GojljF4I/AAAAAAAAAAU/gJ2K7rMqwHo/s320/vassivi%C3%A8re.France.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rk4GNTljF3I/AAAAAAAAAAM/b2i8LBy94J8/s1600-h/VassiviÃ¨re.France.2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5065993456504215410" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rk4GNTljF3I/AAAAAAAAAAM/b2i8LBy94J8/s320/Vassivi%C3%A8re.France.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dedico este post à Ilda, que diz que tem uma fotografia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fugas no tempo e no espaço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha vida, é uma táctica antiga, precisamente porque vem de muito longe este multiplicar-se das circunstâncias em que a distância, pela objectivação que permite, se revela a melhor arma da fidelidade.&lt;br /&gt;Hoje vão apenas algumas imagens... a lembrar aquela outra fotografia que poderá reactivar a memória e as nascentes do estilo. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-6631607891249925958?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/6631607891249925958/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=6631607891249925958' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6631607891249925958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/6631607891249925958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/05/recuperar.html' title='RECUPERAR'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_RYvQV7KleZ4/Rk4GojljF4I/AAAAAAAAAAU/gJ2K7rMqwHo/s72-c/vassivi%C3%A8re.France.3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-117702302279004961</id><published>2007-04-19T15:35:00.000-07:00</published><updated>2007-04-19T15:50:22.806-07:00</updated><title type='text'>UMA FORMA MARGINAL DE VIDA</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/1600/535053/PADRES.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/320/519565/PADRES.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Superficialmente, a ideia de ser padre veicula uma identiadde fraca, que não tem um poder mobilizador nem atraente, e que está sobrecarregada e saturada do que há de mais limitante na experiência religiosa. Ser padre tornou-se sinónimo de uma forma marginal de vida.&lt;/em&gt; (Paulo Renato, in “Jornal de Leiria”, de 12 de Abril de 2007).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço ao meu amigo Paulo Renato, não a perturbação que, certamente sem o ter querido, provocou em muitos dos seus leitores, mas o convite  que encontrei nas saus palavras para, mais uma vez, ir ao fundo de mim mesmo, em busca das raízes da alegria que sinto pelo meu sacerdócio.&lt;br /&gt;Ocorreu-me oferecer a algum visitante deste blogue um texto que tem quase vinte um anos: escrito, nas margens da ribeira que separa  a Haute-Vienne do  verdejante departamento da Corèze, no centro sul da França, enquanto celebrava, entre familiares e amigos, as bodas de prata sacerdotais, no meu caso, pelo menos, conserva toda a sua actualidade.&lt;br /&gt;E atrevo-me a juntar-lhe um passo importante da primeira carta aos Coríntios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro o texto de há vinte um anos:&lt;br /&gt;«Misericordias Dimini in aeternum cantabo!»&lt;br /&gt;A meio de tarde do Quinze de Agosto... quando a natureza, na faixa ocidental deste continente, começa a sugerir a chegada de uma nova estação.&lt;br /&gt;A vista salta o vale da Combade até ao Monte Gargan, onde se divisam, apesar do decréscimo da luz neste fim de tarde, os sinais de uma fé que há muito se confundiu com as memórias do passado.&lt;br /&gt;Um pouco para a esquerda, mas ainda mais longe, na linha do horizonte, a silhueta dos Monadières, já perto do Planalto das Mil Nascentes – Mil Vaches, em limousin... esta língua tão parecida com o português, do qual, aliás, é parente próxima.&lt;br /&gt;Deixo as pessoas lá em baixo, no afã de matarem o tempo, cruzando os céus da memória, em viagens vertiginosas da fantasia, que dissimula as sombras do presente saltando do passado para o futuro e deste para aquele, aproveitando o cosmopolitismo de uma família que aprendeu o que raramente se consegue: assimilação e integração, sem perda da própria identidade.&lt;br /&gt;A festa foi minha; mas sinto necessidade de afastar-me por algum tempo, não vá a exclusividade da alegria comum fazer-me perder o incomunicável, que é onde realmente o mais profundo de mim mesmo se encontra com o Único, que entende tudo, porque está na origem de tudo.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Misericordias Dimini in aeternum cantabo!&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Gosto das evocações que produz no meu interior o latim do salmo, deste versículo, em concreto, que escolhi para as memórias da festa.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hei-de cantar para sempre o amor do Senhor;&lt;br /&gt;a todas as gerações anunciarei a sua fidelidade.&lt;br /&gt;Proclamarei que o teu amor é para sempre,&lt;br /&gt;e que a tua fidelidade é eterna como o céu.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;(Salmo, 89, 2-3)&lt;br /&gt;Ao cabo de vinte e cinco anos, a felicidade que sinto, a alegria que me invade, não tem outra raiz senão a lembrança do amor irreversível e consequentemente misericordioso de Deus.&lt;br /&gt;É por isso que tal alegria e felicidade se tornam incomunicáveis... e para gozá-las de modo mais profundo, tenho de retirar-me: a vastidão do horizonte que se abre ao meu olhar, ajuda a penetração do espírito, a abertura do coração, onde posso ler, no abismo das misérias pessoais, o abismo misteriso das misericórdias divinas.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hei-de cantar para sempre o amor do Senhor.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;(Combe Boyer, 15 de Agosto de 1986)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora o texto de Sõ Paulo:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por um tribunal humano. Nem eu me julgo a mim mesmo. (...)  Pois, quem te faz superior aos outros? Que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, porque te glorias, como se não o tivesses recebido? Já estais saciados! Já sois ricos! Sem nós, já vos tornastes reis! Oxalá o tivésseis conseguido, para que também nós pudéssemos reinar convosco. De facto, parece-me que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, no último lugar, como se fôssemos condenados à morte, porque nos tornámos espectáculo para o mundo, para os anjos e para os homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo! Nós somos fracos, e vós, fortes! Vós, honrados, e nós, desprezados! Até este momento, sofremos fome, sede e nudez, somos esbofeteados, andamos errantes, e cansamo-nos a trabalhar com as nossas próprias mãos. Amaldiçoados, abençoamos; perseguidos, aguentamos; caluniados, consolamos! Tornámo-nos, até ao presente, como o lixo do mundo e a escória do universo (1 Coríntios: 4, 3. 7-13).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-117702302279004961?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/117702302279004961/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=117702302279004961' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/117702302279004961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/117702302279004961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/04/uma-forma-marginal-de-vida.html' title='UMA FORMA MARGINAL DE VIDA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-117493831695518621</id><published>2007-03-26T13:40:00.001-07:00</published><updated>2007-03-26T13:45:16.956-07:00</updated><title type='text'>TRISTEZAS DO CRESPÚSCULO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/1600/856974/GUIMAR??ES.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/320/796297/GUIMAR%3F%3FES.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Também fiquei triste, claro: eu, que nunca quis ver nenhum dos programas sobre essa tal escolha do português mais ilustre, pensei em ver o que havia na televisão – era só para matar a curiosidade, antes de me deitar... até me esquecera de que a “televisão de todos os portugueses” guardara para o dia da comemoração dos cinquentas anos da União Europeia a votação final.&lt;br /&gt;Abri a televisão e dei-me com aquele espectáculo deprimente de pessoas cujo talento merecia melhor aplicação, discutindo uma vitória que, afinal, ninguém – pelo menos durante o tempo que gastei a ver o programa – teve a coragem de vir defender abertamente.&lt;br /&gt;Claro que fiquei muito triste!&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, pelo espectáculo... e pelos discursos que ouvi, todos ou quase todos, de uma pobreza confrangedora, quanto  a ideias. Eles deram-me, ao mesmo tempo, a principal explicação daquelas votações e consequentemente novos motivos para sofrer com  aquelas.&lt;br /&gt;Não fico triste propriamente por ter sido Salazar o mais votado, nem mesmo pensando na percentagem de votos que teve: para mim, qualquer dos três que ocuparam os primeiros lugares merecia outro tratamento: pelo que sei deles, penso que nenhum gostaria de subir ao pódio tendo como fundo a música que se executou na distribuição das medalhas.&lt;br /&gt;Lamentável que os espectadores habituais da televisão pública tenham tão pouca cultura! Repare-se que falo de cultura e não saber... porque isto de escolher pessoas que mereçam o título de maiores portugueses de sempre não é ofício que se cumpra só com os conhecimentos fornecidos por uma televisão que joga sobretudo na busca de audiências, agudizando muitas vezes até ao paroxismo os dados polémicos que, em vez de esclarecerem a verdade, semeiam a confusão.&lt;br /&gt;Gostaria também de frisar que não é o medo de Salazar ou Cunhal que me aflige: o que me atormenta é que este concurso – alguns quiseram tranquilizar-se insistindo que se tratava apenas de um concurso – revela, como, aliás outros concursos que enxameiam por aí, a crescente falta de cultura dos Portugueses. E sem cultura não há cidadania nem identidade nacional que se aguente. Democracia? Ditadura? Isto que significa para um povo que está cada vez mais desenraizado?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-117493831695518621?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/117493831695518621/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=117493831695518621' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/117493831695518621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/117493831695518621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/03/tristezas-do-crespsculo.html' title='TRISTEZAS DO CRESPÚSCULO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-117493810559157651</id><published>2007-03-26T13:40:00.000-07:00</published><updated>2007-03-26T13:41:45.603-07:00</updated><title type='text'>TRISTEZAS DO CRESP´</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-117493810559157651?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/117493810559157651/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=117493810559157651' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/117493810559157651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/117493810559157651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/03/tristezas-do-cresp.html' title='TRISTEZAS DO CRESP´'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-117486392867456492</id><published>2007-03-25T16:57:00.000-07:00</published><updated>2007-03-25T17:05:28.690-07:00</updated><title type='text'>AINDA OS 50 ANOS!</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Os quadros da hipocrisia&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Contrariamente ao que acontece normalmente, hoje segui, quase cem por cento, “As esolhas de Marcelo”: mais porque me pareceu a alternativa menos má ao mundo de superficialidades que a essa hora se instala nas nossas televisões, do que por me interessarem as escolhas do Professor. Já lá vai o tempo...&lt;br /&gt;O pior é que, no fim, o pouco ou quase nada que disse sobre as referências do Papa ao aniversário da Europa, me deixaram a margura de perceber, mais uma vez, como os políticos e os intelectuais que têm acesso à grande comunicação social não entenderam e teimam em não entender a questão da referência às raizes cristãs, pela qual se bateu o Papa João Paulo II.&lt;br /&gt;O Professor Marcelo, por exemplo, pelo brevíssimo comentário que fez, parece que não vê nesta questão senão um roblema de respeito pelas religiões que &lt;em&gt;estão na&lt;/em&gt; Europa: dá-lhe assim uma vertente pluralista.&lt;br /&gt;Claro. Tirando os que o fizeram por má fé, muitos se opuseram a que se mencionassem as raízes cristãs da Europa, por pensarem que se estava a privilegiar uma religião frente a outras.&lt;br /&gt;Ora, além de que não é disso que se trata,  como definir a identidade da Europa ignorando por compelto os valores universais que estiveram na base da sua construção?&lt;br /&gt;E sem essa identidade, onde irá parar o projecto dos seis que, a 25 de Mrço de 1957, se reuiram em Roma e assinaram um tratado, que, segundo eles, devia fazer do velho continente um conjunto de pátrias, todas diferentes, mas unidas por um conjunto de valores que lhes dariam capacidade suficiente para criar um espaço economicamente viável e humanamente exemplar?&lt;br /&gt;Falar das raizes cristãs da Europa não tem nada a ver com o pluralismo religioso ou a falta dele: a não ser na mediada em que, de facto, se a Europa chegou primeiro que os outros ao respeito por esse pluralismo o deve às suas raízes cristãs.&lt;br /&gt;É por isso que me apetece terminar com mais este texto de João Paulo II:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Europa do terceiro milénio, não deixes cair os teus braços; não cedas ao desânimo, não te resignes a formas de pensar e de viver que não têm futuro, porque não assentam na sólida certeza da Palavra de Deus.&lt;br /&gt;Europa, que estás no início do terceiro milénio, volta a encontrar-te. Sê tu mesma. Descobre as tuas origens. Reaviva as tuas raízes&lt;/em&gt; (João Paulo II).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-117486392867456492?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/117486392867456492/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=117486392867456492' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/117486392867456492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/117486392867456492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/03/ainda-os-50-anos.html' title='AINDA OS 50 ANOS!'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-117477012968922053</id><published>2007-03-24T14:57:00.000-07:00</published><updated>2007-03-24T15:02:09.703-07:00</updated><title type='text'>CINQUENTA ANOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/1600/406307/EUROPA.png"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/320/258299/EUROPA.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A memória e as mágoas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai longe, no seu recuo, o meu pensamento: emtre Roma e Lisboa/Leiria – ali, mal saído da adolescência, sonhara sem medida, deixando que a razoabilidade se perdesse na loucura... aqui, depois de passar pelo encanto da Alta Baviera, onde assistira a uma campanha eleitoral civilizada, debato-me entre o desencanto e a necessidade de continuar a sonhar.&lt;br /&gt;Depois, porque o tempo não pára, vim saltando de etapa em etapa, tentando que o realismo das visões afogasse o menos possível dos valores que se encerravam nos sonhos da idade juvenil.&lt;br /&gt;Não sei bem o que consegui salvar em tanto acidente de percurso, para além de um optimismo inveterado, que tem as suas raízes na virtude sobrenatural da Esperança.&lt;br /&gt;E porque tem essas raízes, tal optimismo não pode confundir-se com nenhum entusiasmo balofo, alheado das realidades que há que encarar de fronte, dispostos a dar o que se nso exugir para que o mundo melhore.&lt;br /&gt;Reabro a “Resistência” para permitir o arejamento da memória, que, neste momento de comemorações – fala-se dos cinquenta anos da União Europeia – se sente abafada pelas mágoas que vieram marcando estes cinquenta anos de reflexão pessoal, talvez demasiado dependente da lembrança daqueles seis homens de Estado que dificilmente se reveriam na Europa que os políticos construiram sobre as ruinas dos seus projectos: porque tais projectos assentavam numa visão do homem inacessível à mioria dos actuais dirigentes do velho continente.&lt;br /&gt;E aqui, se me não valesse mais uma vez o optimismo assente na Esperança, reunir-me-ia a todos os que não auguram nada de bom a esta Europa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-117477012968922053?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/117477012968922053/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=117477012968922053' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/117477012968922053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/117477012968922053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/03/cinquenta-anos.html' title='CINQUENTA ANOS'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-117147024802376334</id><published>2007-02-14T08:18:00.000-08:00</published><updated>2007-02-14T08:47:23.303-08:00</updated><title type='text'>NO RESCALDO.I</title><content type='html'>Em jeito de homenagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destina-se este espaço, que se abre no dia dos dois padroeiros da Europa, Santos Cirilo e Metódio, a partilhar com quem queira visistá-lo algumas reflexões, umas antigas, outras recentes, inspiradas nos valores contra os quais se têm erguido, na Europa Ocidental, sobretudo após a última Guerra, muitas campanhas tendentes a modificar as leis que os protegiam.&lt;br /&gt;Entre nós, a última foi a da legalização do aborto. Eles falaram de despenalização da interrupção voluntária da gravidez, até às dez semanas, a pedido da mulher, em clínicas aprovadas. Discurso hipócrita, destinado a enganar os ignorantes e ingénuos, pois todos sabemos o que tem acontecido nos países cujo “progresso” se diz querer imitar.&lt;br /&gt;Em qualquer dos casos, gostaria que esta primeira reflexão – que também publico após uma longa semana de privação da NET-, fosse uma homenagem muito sincera a todos os que deram corajosamente a cara na luta pelo não, que era uma luta pelo sim à vida.&lt;br /&gt;E, antes de mais, um texto de São Paulo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;De facto, parece-me que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, no último lugar, como se fôssemos condenados à morte, porque nos tornámos espectáculo para o mundo, para os anjos e para os homens. Nós somos loucos por causa de Cristo, e vós, sábios em Cristo! Nós somos fracos, e vós, fortes! Vós, honrados, e nós, desprezados! Até este momento, sofremos fome, sede e nudez, somos esbofeteados, andamos errantes, e cansamo-nos a trabalhar com as nossas próprias mãos. Amaldiçoados, abençoamos; perseguidos, aguentamos; caluniados, consolamos! Tornámo&lt;/em&gt;-nos, até ao presente, como o lixo do mundo e a escória do universo (1 &lt;em&gt;Coríntios:&lt;/em&gt; 4, 9-13).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mensagem dos detractores de Paulo, na Igreja de Corinto, traduzida em termos adequados ao discurso publicitário do século XXI, passou com a facilidade própria da mentira, que, como demonstra a história das ideias, não selecciona os seus instrumentos.&lt;br /&gt;Agora, para nós, que, como Paulo, não queremos ser libertados senão pela verdade - &lt;em&gt;Se permanecerdes fiéis à minha mensagem, sereis verdadeiramente meus discípulos,&lt;/em&gt;&lt;a name="BM8_32"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;João:&lt;/em&gt; 8, 31b-32a) – tudo se transforma em estímulo, para novos combates em defesa do que veradeiramente vale.&lt;br /&gt;Coragem, pois! Nada de deixar cair os braços, poque as vozes que gritam por socorro vão aumentar numa proproção que nem eles, na sua grande maioria, imaginaram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-117147024802376334?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/117147024802376334/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=117147024802376334' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/117147024802376334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/117147024802376334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2007/02/no-rescaldoi.html' title='NO RESCALDO.I'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-116752450626788288</id><published>2006-12-30T16:18:00.000-08:00</published><updated>2006-12-30T16:21:46.270-08:00</updated><title type='text'>CONTRA A HUMANIDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/1600/117943/retrato-iraque.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/320/416399/retrato-iraque.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Claro que estou triste. Muito triste mesmo:&lt;br /&gt;Como homem, ocidental, eu ropeu e cristão.&lt;br /&gt;Triste pelo enforcamento dos Sadam Hussein, como ficara triste com a notícia dos crimes de que era acusado. Evergonho-me da execução do ditador iraquiano, tal como senti vergonha de pertencer a este mundo, quando reparei que o ocidente, mascarado de cavaleiro andante da democracia, para encontrar o ouro negro do petróleo, destruía uma a uma as estruturas de um país, lançando numa feroz guerra civil.&lt;br /&gt;Triste e envergonhado, também porque, como aconteceu noutras ocasiões, com a gravíssima necrofilia de que enferma a nossa cultura, toda a comunicação social, televisão, jornais e revistas, anda à busca dos lucros que pode tirar do evento&lt;br /&gt;E ninguém forma ninguém, porque todos querem ser informadores.&lt;br /&gt;Estou triste, porque não se criam espaços de reflexão serena, para podermos ver a extensão da tragédia, sobretudo para nós, ocidentais e cristãos, que pode denunciar uma morte como esta.&lt;br /&gt;Tragédia já em curso, mas que poderemos ainda remediar se não continuarmos a ser infiéis à nossa missão histórica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-116752450626788288?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/116752450626788288/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=116752450626788288' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116752450626788288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116752450626788288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/12/contra-humanidade.html' title='CONTRA A HUMANIDADE'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-116752384056332751</id><published>2006-12-30T16:06:00.000-08:00</published><updated>2006-12-30T16:10:40.596-08:00</updated><title type='text'>NO INTERVALO DOS EXCESSOS</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/1600/196854/DOMUS%20AUREA.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/320/13655/DOMUS%20AUREA.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Tarde de domingo, sob céu plúmbeo de uma Roma indecisa, que desde os Tarquínios – quiçá mesmo de há mais tempo – constrói a sua história sobre as ruinas de um passado que não consegue rejeitar na totalidade e que a cada passo se intromete nos seus mais belos sonhos.&lt;br /&gt;Roma dos Césares e dos Papas, com o que de melhor e pior evocam tais nomes, também me diverte com os jogos das crianças que ocupam os jardins erguidos no sítio das Termas de Trajano.&lt;br /&gt;Trajano, que levou a língua e a cultura latinas às montanhas da Dácia... onde se viria a formar o único país moderno que conserva o nome da cidade dos imperadores. Coluna de Trajano, Termas de Trajano... e começamos a descer uma escada íngreme. É a entrada para a Domus Aurea... o palácio dourado de Nero, diz-se.&lt;br /&gt; No interior daquelas salas – privadas da luz do sol durante séculos – tudo se mistura: o ar fresco, ligeiro conforto após a canícula da superfície, envolve-nos entretanto nos fantasmas de mais de dois mil anos de história.&lt;br /&gt;Vou-os afastando como quem sacode teias de aranha que dificultam a visão do espaço.&lt;br /&gt;Fantasmas do passado, imagens do presente, tentações de pessimismo, hesitações de adolescente que começa a duvidar do futuro.&lt;br /&gt;Sala das orgias, vomitório.&lt;br /&gt;Diz o  nosso guia, exibindo a sua erudição de prontuário turístico: no tempo de Nero organizavam-se aqui banquetes que duravam seis meses; quando os comensais estavam fartos vinham vomitar nesta sala, para poderem continuar no banquete.&lt;br /&gt;O exagero da informação, em vez de me provocar cepticismo, quase me fazia vomitar. Por isso não tardei em sair do local.&lt;br /&gt;Mas fico a pensar na tragédia de uma civilização que, em vez de corrigir os seus excessos busca expedientes para mantê-los, apressando a sua ruina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordei-me desta página, escrita há mais de quarenta anos, quando vi as imagens da televisão, com toda aquela série de portugueses, principalmente senhoras, que, nesta época de  crise, praticam o tal ciclismo fixo... para poderem praticar na passagem de ano os excessos que praticaram no Natal &lt;br /&gt;Teremos nós regressado aos tempos da decadência do Império Romano, dos palácios dourados, com as suas orgias e os seus vomitórios?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-116752384056332751?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/116752384056332751/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=116752384056332751' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116752384056332751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116752384056332751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/12/no-intervalo-dos-excessos.html' title='NO INTERVALO DOS EXCESSOS'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-116689950504292465</id><published>2006-12-23T10:31:00.000-08:00</published><updated>2006-12-23T10:45:05.133-08:00</updated><title type='text'>EM JEITO DE HOMENAGEM</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/1600/547138/L??GRIMAS.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/320/311398/L%3F%3FGRIMAS.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas vésperas do Natal, pensando nesse mistério de um Deus que Se faz embrião humano no ventre de uma mulher, dedico a todas as mães, cujo heroismo não cesso de admirar, mais uma página do meu diário que fala delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ladeio o Lis, em sentido contrário ao da sua marcha para o mar... Para o mar? Quem diria? A dois passos da nascente, lento, cantarolando a alegria da vida que, apesar do Outono, ainda sorri nas suas margens, não se vê nenhum sinal daquela inquietação em que irá mergulhar, alguns quilómetros mais abaixo.&lt;br /&gt;Dizemos “mais abaixo”, porque na nossa mente, as águas sempre descem.&lt;br /&gt;No entanto, lá diz a canção que eu aprendi ainda antes de conhecer a cidade: &lt;em&gt;Em Leiria, tudo assim é:/ O rio corre para cima,/ A rua Direita é torta/ E a torre está fora da sé.&lt;br /&gt;Corre para cima.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Talvez por isso seja tão lento.&lt;br /&gt;Volto à esquerda,  atravesso a ponte da nora – aquela nora que há muito é apenas imagem da memória – viro à direita e inicio a subida: estrada tortuosa, como todos os caminhos de montanha, também ela carregada de lembranças com todos os coloridos da vida.&lt;br /&gt;Vou pensando nos discursos desencontrados que ouvi na véspera sobre direitos e deveres da mulher grávida... quase todos dominados pela ideia de que a mulher é senhora do seu corpo, pelo que nada nem niguém pode obrigá-la a deixar que se desenvolva nela uma vida que não desejou ou pode vir a alterar os seus hábitos; e falava-se também no seu direito de exigir do Estado todas as condições para eliminar essa vida com segurança.&lt;br /&gt;Quase instintivamente lamentava que ninguém falasse no direito a exigir do Estado as condições necessárias à realização do que, no fundo, deseja toda a mulher que se dá conta da presença de um novo ser, no ventre que Deus lhe deu para O ajudar a desenvolver o dom da vida.&lt;br /&gt;A dada altura, pelas ondas herzianas chega-me aos ouvidos uma voz de ouro que, acompanhada do som dolente de instrumentos antigos, raros, me traz o lamento da Llorona... e a riqueza semântica da lenda mexicana, assumida, adornada – quem dera que não desfigurada – pela cultura e pelos artistas do Ocidente europeu, da era colonial.&lt;br /&gt;E sinto um estremecimento: A Llorona transformava-se em Medeia e já não era a mãe corroída pelo remorso procurando em vão os próprios filhos, nas águas em que os afogara: era a amante que se vingava da traição nos frutos do seu amor louco, da paixão que antes a levara a trair o seu próprio passado.&lt;br /&gt;A mãe, a mulher, sempre procurada e traída, mas nunca arrependida de ser o que é, mulher e mãe, como o amor de Deus, que da morte sempre faz ressurgir a vida.&lt;br /&gt;E recordei aquele poema belíssimo, pescado nos espaços confusos da blogosfera:&lt;br /&gt;LÁGRIMAS DE MÃE E MULHER&lt;br /&gt;Um garotinho perguntou à sua mãe:&lt;br /&gt;- Mamãe, por que você está chorando?&lt;br /&gt;E ela respondeu:&lt;br /&gt;- Porque sou mulher...&lt;br /&gt;- Mas... eu não entendo.&lt;br /&gt;A mãe se inclinou para ele, abraçou-o e disse:&lt;br /&gt;- Meu amor, você jamais irá entender!&lt;br /&gt;Mais tarde o menininho perguntou ao pai:&lt;br /&gt;- Papai, porque mamãe às vezes chora sem motivo?&lt;br /&gt;- Todas as mulheres sempre choram sem motivo...&lt;br /&gt;Era tudo o que o pai era capaz de responder...&lt;br /&gt;O garotinho cresceu e se tornou um homem. E, de vez em quando, fazia a si mesmo a pergunta: "por que será que as mulheres choram, sem ter motivo para isso?"&lt;br /&gt;Certo dia esse homem se ajoelhou e perguntou a Deus:&lt;br /&gt;- Senhor, diga-me... por que as mulheres choram com tanta facilidade?&lt;br /&gt;E Deus lhe disse:&lt;br /&gt;- Quando eu criei a mulher, tinha que fazer algo muito especial.&lt;br /&gt;Fiz seus ombros suficientemente fortes, capazes de suportar o peso do mundo inteiro... porém suficientemente suaves para confortá-lo.&lt;br /&gt;Dei a ela uma imensa força interior para que pudesse suportar as dores da maternidade e também o desprezo que muitas vezes provém de seus próprios filhos!&lt;br /&gt;Dei-lhe a fortaleza que lhe permite continuar sempre a cuidar de sua família, sem se queixar, apesar das enfermidades e do cansaço, até mesmo quando outros entregam os pontos!&lt;br /&gt;Dei-lhe sensibilidade para amar seus filhos, em qualquer circunstância, mesmo quando esses filhos a tenham magoado muito...&lt;br /&gt;Essa sensibilidade lhe permite afugentar qualquer tristeza, choro ou sentimento da criança, e compartilhar as ansiedades, dúvidas e medos da adolescência!&lt;br /&gt;Porém, para que possa suportar tudo isso, meu filho... eu lhe dei as lágrimas, e são exclusivamente, para usá-las quando precisar. Ao derramá-las, a mulher verte em cada lágrima um pouquinho de amor. Essas gotas de amor desvanecem no ar e salvam a humanidade!&lt;br /&gt;O homem respondeu com um profundo suspiro...&lt;br /&gt;- Agora eu compreendo o sentimento de minha mãe, de minha irmã, de minha esposa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Autor Desconhecido [extraído de um blogue brasileiro]).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-116689950504292465?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/116689950504292465/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=116689950504292465' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116689950504292465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116689950504292465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/12/em-jeito-de-homenagem.html' title='EM JEITO DE HOMENAGEM'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-116600846917303736</id><published>2006-12-13T03:05:00.001-08:00</published><updated>2006-12-13T03:19:21.476-08:00</updated><title type='text'>É isso mesmo!</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/1600/531763/CRIAN??A"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/320/34267/CRIAN%3F%3FA%20FELIZ.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querida Lena,&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, muito obrigado pela tua colaboração, incluindo esta linda imagem da Maria, que me atrevo a publicar sem autorização dos pais, na certeza de que não me levarão a mal…&lt;br /&gt;Respondo aqui ao teu comentário, com esperança de que assim a minha resposta seja mais lida:&lt;br /&gt;Concordo contigo cem por cento.&lt;br /&gt;É pena com essa mentalidade do “dou para que me dês” seja cultivada por pais e educadores com fé, muitas vezes no seio de instituições de inspiração cristã, beneméritas a tantos títulos, mas que não sabem fazer uso da imaginação, para fazer com que  o Natal seja uma verdadeira experiência de amor gratuito – dou porque amo -, e  não a imensa feira de consumismo egoísta, que é a grande chaga deste pobre mundo ocidental&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-116600846917303736?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/116600846917303736/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=116600846917303736' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116600846917303736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116600846917303736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/12/isso-mesmo_13.html' title='É isso mesmo!'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-116519244673425324</id><published>2006-12-03T16:30:00.000-08:00</published><updated>2006-12-03T16:34:06.736-08:00</updated><title type='text'>UM DESABAFO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/1600/294084/ILUMINA????ES.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/320/956053/ILUMINA%3F%3F%3F%3FES.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;É só um desabafo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao princípio da noite, olhando a cidade por uma clareira que o Outono abriu no arvoredo da encosta: é um lindo espectáculo, este mar de luz... e a memória das ruas iluminadas, a anunciar a proximidade do Natal: montras gritando pelo nosso dinheiro, cabeças em água para se decidirm sobre as prendas         que têm de comprar, iniciando um longo processo de intenções à raiz das que vão recber.&lt;br /&gt;No meio de tudo isto, a incoerência das festas de empresa, a distrairem as crianças das aflitivas condições de vida dos pais, que, quando chega esta quadra andam mais nervosos, passam menos tempo com os filhos.&lt;br /&gt;Assim, o Natal, no nosso mundo de hipocrisia e consumismo, é tudo menos a recordação do mistério de um Deus que Se faz criatura, pobre, pequenino e desarmado, para que nos sintamos menos sós na nossa caminhada ao longo da história.&lt;br /&gt;Apetece-me desabafar: Porque não experimentam as empresas a poupar  o que gastam no seu Natal consumístico, para melhorar as condições de vida dos seus colaboradores, deixando-os mesmo mais livres para estar com a família nestes dias de festa?&lt;br /&gt;É só um desabafo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-116519244673425324?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/116519244673425324/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=116519244673425324' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116519244673425324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116519244673425324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/12/um-desabafo.html' title='UM DESABAFO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-116519222111747838</id><published>2006-12-03T16:23:00.000-08:00</published><updated>2006-12-03T16:30:21.150-08:00</updated><title type='text'>CORAGEM E SERENIDADE</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/1600/39100/istambul.4.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/320/297094/istambul.4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/1600/14874/istambul.3.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/1530/976/320/235224/istambul.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um exemplo para a Europa decadente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para algum visitante que ainda se perca por aqui, depois de tão longo silêncio, vai a indicação de um dos aspectos da minha resistência aos furacões que tenatm teimosamente destruir-me a memória:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Roma a Roma, depois do percurso espinhoso, muitas vezes solitário, entre Ratisbona e Istambul: Bento XVI, conjugando como poucos o souberam fazer antes, as exigências da honestidade intelectual com a missão de pastor universal do Povo de Deus, acaba de dar a este mundo de interesses imediatos, gestos hipócritas e fugas cobardes, um testemunho de fé em Deus e confiança nos homens, que não podemos deixar perder no imenso deserto de ideias que caracteriza a nossa comunicação social.&lt;br /&gt;Um deserto que, nesta Europa cada vez mais no fundo abismo, se agrava com as tentativas de classificar os que pensam, do modo a apagar o seu pensamento; a  ver se se conseguem neutralizar as ideias que incomodam a mediocridade geral.&lt;br /&gt;Teríamos necessidade de alguèm que se desse ao trabalho de, abstraindo de comentários e polémicas, fizesse uma recolha, tanto quanto possível completa, das palavras e dos gestos do Papa, ao longo destes dois meses e meio, e os oferecesse assim, puros, com a transparência que lhes roubam as agências noticiosas e respectivos comentadores.&lt;br /&gt;Não sei se isso seria possível.&lt;br /&gt;Sei, no entanto, que quem tivesse amor e coragem para empreender essa tarefa, estaria a prestar um serviço incalculável a toda a humanidade, e faria o papel de bom samaritano, acudindo a este velho continente, tragicamente caído nas mãos de todo o tipo de salteadores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-116519222111747838?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/116519222111747838/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=116519222111747838' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116519222111747838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116519222111747838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/12/coragem-e-serenidade.html' title='CORAGEM E SERENIDADE'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-116103498072405840</id><published>2006-10-16T14:31:00.000-07:00</published><updated>2006-10-16T14:43:00.966-07:00</updated><title type='text'>DIMAS, O JUMENTINHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/burros.4.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/burros.4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, bonito não é, apesar da graça que lhe dá o ser pequeno e muito jovem.&lt;br /&gt;Diria até que, visto de certos ângulos, é mesmo um animal feio.&lt;br /&gt;Mas gosto de descer aos terrenos cobertos de relva onde ele se diverte retouçando a erva fresca... para burro, não é pequena liberdade deixá-lo comer assim, porque o demasiado verde, sabemos que faz mal aos da sua espécie.&lt;br /&gt;Não sei se me considera um desses, se não: porque logo que me aproximo dos espaços do seu lauto banquete, ele ergue a cabeça, põe em riste as orelhas, que, se não fossem de burro, seriam desproporcionadas, vem para mim, mais com ar de divertimento que de curiosidade.&lt;br /&gt;E, visto assim, de frente, com toda a sua aparelhagem de comunicação em funcionamento – orelhas, olhos, narinas e focinho global (falta apenas abrir as goelas e zurrar) – tem quase o ar de pessoa que se quer meter comigo, comunicar algo de importante.&lt;br /&gt;Reparo que dá bem pelo nome que lhe puseram há meses, quando lhe deram as honras, certamente mais merecidas que as que se concedem a alguns humanos que por lá passam, de um programa televisivo.&lt;br /&gt;Chama-se Dimas, o jovem burro.&lt;br /&gt;Não sei qual foi a ideia dos que lhe puseram este nome: certamente não quiseram homenagear o “bom ladrão”, que descobriu a tempo em Cristo o verdadeiro caminho da felicidade; talvez tenham pensado nos que confundem a felicidade com o prazer de roubar. Prazer para o qual inventaram nomes adequados a todas as classes sociais e todas as situações.&lt;br /&gt;Dimas, o burrito dos jardins do nosso parque, tem ar de me dizer que deixe de me inquietar: que não perca a serenidade com pensamentos tão complicados.&lt;br /&gt;Assim como assim, não será por entreter-me com reflexões profundas que vou deixar de ser burro. E tenho o prejuízo de outros comerem a relva de que me distraio pensando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-116103498072405840?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/116103498072405840/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=116103498072405840' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116103498072405840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116103498072405840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/10/dimas-o-jumentinho.html' title='DIMAS, O JUMENTINHO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-116095812993619832</id><published>2006-10-15T17:16:00.000-07:00</published><updated>2006-10-15T17:32:54.163-07:00</updated><title type='text'>A FORÇA DE UM MANDATO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/missionarios.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/missionarios.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/missionarios.jpg"&gt;&lt;br /&gt;Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá. É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros (João 15, 16-17)»&lt;br /&gt;Estas palavras de Jesus ficam muitas vezes na sombra das que as precedem: não fostes vós que me escolhestes.&lt;br /&gt;E se é certo que não devemos ficar parados na advertência de que não fomos nós que escolhemos o Senhor, que os dons de Deus são dons por isso mesmo, porque não tínhamos direito a eles, não é menos verdade que Ele tudo nos dá com um objectivo. Dom e missão são inseparáveis.&lt;br /&gt;É importante recordar a cada momento que não foi nossa a iniciativa sem a qual nem sequer existiríamos: nem como seres, nem como homens, nem como cristãos. Mas não podemos ficar pr aqui, sob pena de cairmos no mar encapelado das revoltas e dos desesperos que marcam a vida de tantas pessoas, nomeadamente no mundo pos-moderno da Europa deste início do terceiro milénio.&lt;br /&gt;Mais importante do que saber que não fomos nós que escolhemos o Senhor, é saber que foi Ele que nos escolheu. Escolheu, quer dizer: somos o resultado de uma preferência, já como seres... porque em vez de nós, de qualquer de nós, há um número infinito de seres possíveis.&lt;br /&gt;Depois, como não podia deixar de ser, tratando-se de Deus, essa preferência, essa escolha traz consigo uma missão, um objectivo concreto, para realizar o qual, o mesmo Deus dispôs de muitos subsídios, que concede, uns com o próprio ser, outros ao longo da vida, consoante a nossa fidelidade e as necessidades da missão.&lt;br /&gt;A missão!&lt;br /&gt;Fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça.&lt;br /&gt;A ir e a dar fruto.&lt;br /&gt;Nas últimas décadas, os ambientes eclesiásticos têm cultivado uma forma de analisar a posição da Igreja perante o mundo contemporâneo, ou deste perante a Igreja, que parece ter esquecido por completo esta e outras precisões de Jesus sobre a vocação cristã.&lt;br /&gt;Com gáudio dos defnsores de um secularismo total, passa-se rapidamente da dúvida ao medo, dos fracassos, que se analisam mal, ao pessimismo... como se já não houvesse nada a fazer. E, afinal, está tudo por fazer.&lt;br /&gt;E somos nós que temos de fazê-lo: não com os meios que o mundo nos oferece; esses precisamente que, pela sua ineficácia, fazem nascer a ideia de que não vale a pena.&lt;br /&gt;Se foi Ele que nos escolheu, e escolheu-nos para isto, como podemos ainda hesitar.&lt;br /&gt;Frutos?&lt;br /&gt;É absolutamente certo que os teremos: destinei-vos para ir e a dar fruto, e fruto que permaneça.&lt;br /&gt;O Senhor diz ir e dar fruto. Não diz ir e colher fruto.&lt;br /&gt;Vejamos se não está aqui o grande equívoco das nossas tácticas erradas e dos nosso desânimos?&lt;br /&gt;&lt;/a&gt; &lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/missionarios.jpg" border="0" /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-116095812993619832?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/116095812993619832/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=116095812993619832' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116095812993619832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116095812993619832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/10/fora-de-um-mandato.html' title='A FORÇA DE UM MANDATO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-116086874459066494</id><published>2006-10-14T16:23:00.000-07:00</published><updated>2006-10-14T16:42:40.046-07:00</updated><title type='text'>Diante do Crucifixo</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/CRUCIFIXO.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/CRUCIFIXO.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Ao retomar este blog, após as férias, aos amigos que me lêem, pensando especialmente na Inês, que acaba de passar por momentos difíceis, do meu diário ofereço esta página, escrita num dia particularmente doloroso:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E Eu, quando for erguido da terra, atrairei todos&lt;/em&gt; &lt;em&gt;a mim.&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Mateus:&lt;/em&gt; 12, 32).&lt;br /&gt;Todos, Senhor?&lt;br /&gt;Não vês quantos corações feridos, magoados pela vida, que se lhes tornou num peso insuportável, enchem as ruas das nossas cidades, a caminho do desespero?&lt;br /&gt;Claro, meu Jesus, meu Deus... é porque não Te conhecem, não Te encontram como eu Te encontrei, a meio da via dolorosa, para que também acabam de me atirar a mim, não a vida, que me deste com tanta generosidade, mas as circusntâncias em que me calhou vivê-la.&lt;br /&gt;Obrigado, meu Deus!&lt;br /&gt;Ver-Te pregado nessa cruz – suprema ignomínia de uma humanidade que não aceita o incómodo de amar até ao fim – dá-me um especial conforto nesta hora difícil:&lt;br /&gt;Saber que o Deus em que acredito se fez verdadeiramente homem, assumindo da minha natureza tudo o que é compatível com a Sua divindade, incluindo o medo perante o sofrimento e o desejo de afastá-lo na medida do possível, dá-me mais coragem do que os milagres, que parecem às vezes introduzir excepções para servir a nossa curiosidade, quando não a nossa cobardia.&lt;br /&gt;E que milagre maior do que o de um Deus que Se deixa matar para salvar a vida dos Seus carrascos?&lt;br /&gt;É verdade Senhor: que loucura a minha, sempre em ânsias de auto-defesa, quando o que importa é amar até ao fim: amar a verdade das coisas, mas sobretudo a verdade do homem, que emerge de forma espectacular nesse Teu modo de ser solidário com os que sofrem... mormente quando o sofrimento é injusto, mais da alma que do corpo.&lt;br /&gt;Como o que produz as lágrimas – que conforto, Senhor, saber que também choraste! – que venho derramar diante de Ti, não para Te pedir que me tires o sofrimento, mas para que me ajudes a viver nele a lógica do amor que Te mantém amarrado a essa cruz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-116086874459066494?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/116086874459066494/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=116086874459066494' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116086874459066494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/116086874459066494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/10/diante-do-crucifixo.html' title='Diante do Crucifixo'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-115850046836263878</id><published>2006-09-17T06:21:00.000-07:00</published><updated>2006-09-17T06:41:08.423-07:00</updated><title type='text'>FÉ E MANIPULAÇÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/ramos2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/ramos2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tinha de ser: a sensibilidade dos Muçulmanos anda tão à flor da pele, a sua desconfiança é de tal modo profunda, que o mais ligeiro descuido dos outros – e os outros são todos aqueles que não se afirmam crentes da sua fé - habilidosamente aproveitado por cabeças bem enquadradas em ideologias de rejeição, enche as ruas e as praças de gritos violentos.&lt;br /&gt;A ironia da história, verdadeiramente trágica, é que desta vez a violência foi despoletada pela erudição de um ex-professor universitário que, numa espécie de “última aula”, discurso de jubilação, desenvolve o tema: &lt;strong&gt;&lt;em&gt;Fé, razão e universidade&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;A sua intenção é sobretudo demonstrar o absurdo da violência em nome de Deus. Uma violência que não se evita senão procurando o entendimento da fé e da razão.&lt;br /&gt;Bom conhecedor da matéria que escolheu para a sua última aula, o ex-catedrático de Ratisbona decide, no entanto, apresentar como ponto de partida para o seu discurso, a mais antiga discussão dos tempos modernos, até agora conhecida, sobre o assunto.&lt;br /&gt;Nessa discussão entram um imperador bizantino, grande erudito, como eram geralmente os imperadores de Bizâncio, e um intelectual persa, por sua vez, muçulmano convicto.&lt;br /&gt;O ex-Professor Joseph Ratzinger – actualmente Papa Bento XVI - antes de referir a argumentação de Manuel II Paleólogo, que se ocupa da chamada Guerra Santa, para a condenar, tem o cuidado de dizer que certamente ele conheceria o versículo do Corão que atribui a Maomé a ordem expressa de não se impor a fé pela força. E chega mesmo a insinuar que o facto de o referido diálogo ser transmitido pelo imperador bizantino faz com que não conheçamos a argumentação do seu interlocutor muçulmano.&lt;br /&gt;E a lição termina com um apelo à universidade para que, dando à teologia, como diálogo da razão e da fé, o lugar a que tem direito no quadro das ciências, tornem de facto possível o diálogo entre as culturas.&lt;br /&gt;Fui dos que tomaram posição contra as tristemente célebres caricaturas, publicadas em muitos meios de comunicação social do Ocidente.&lt;br /&gt;Mas também achei exagerados os protestos que provocaram.&lt;br /&gt;Agora entendo-os melhor:&lt;br /&gt;Se certas cabeças pensantes, com boa ou má fé, conseguem manipular os crentes contra algo que nem sequer indirectamente ataca a sua fé, que não serão elas capazes de conseguir quando essa fé é realmente ofendida?&lt;br /&gt;Bem vistas as coisas, estamos perante fenómenos claros de manipulação de massas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-115850046836263878?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/115850046836263878/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=115850046836263878' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/115850046836263878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/115850046836263878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/09/f-e-manipulao.html' title='FÉ E MANIPULAÇÃO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-115728936613415784</id><published>2006-09-03T06:05:00.000-07:00</published><updated>2006-09-03T06:16:06.400-07:00</updated><title type='text'>NA SOMBRA DE CASSANDRA</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/CASSANDRA.2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/CASSANDRA.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A cidade está perturbada. Entre o medo e o entusiasmo: a euforia da falsa retirada dos inimigos, o discurso manipulador da vítima fingida, o cavalo de Minerva, as serpentes de Juno, a morte da Lacoonte, o cruzamento da tragédia com a comédia, e o povo embriagado que não sabe pensar.&lt;br /&gt;Alagam-se as muralhas; ninguém toma a sério os gritos premonitores de Cassandra.&lt;br /&gt;Pobre Cassandra! Sempre atenta, sem emenda nos avisos que ninguém escuta, sozinha nas madrugadas da ruína e da morte.&lt;br /&gt;Lembrei-me do teu destino, esta tarde, quando escutava o final do segundo acto de &lt;em&gt;Os Toianos&lt;/em&gt;, de Berlioz.&lt;br /&gt;Melhor, não propriamente de ti, mas dessa cidade emblemática, cujo destino os educadores da aristocracia grega utilizavam como símbolo do que acontece sempre que os indivíduos ou as sociedades sacrificam o bem comum às paixões particulares.&lt;br /&gt;Tu e a tua querida Tróia, consumida pelo fogo dos inimigos que teus próprios concidadãos introduziram nela, fazem–me pensar noutras cidades que fazem cair as muralhas para introduzir nelas os incendiários da noite, porque têm medo do destino de Lacoonte e desprezam a voz de Cassandra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-115728936613415784?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/115728936613415784/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=115728936613415784' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/115728936613415784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/115728936613415784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/09/na-sombra-de-cassandra.html' title='NA SOMBRA DE CASSANDRA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-115584367092530802</id><published>2006-08-17T12:39:00.000-07:00</published><updated>2006-08-17T12:41:10.953-07:00</updated><title type='text'>SAUDADE E GARTIDÃO</title><content type='html'>&lt;em&gt;Felizes os que habitam na vossa casa, Senhor;&lt;br /&gt;Eles vos louvarão eternamente.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Soa o canto final, que pretende ser de alegria: a alegria da esperança, que, no dizer do Apóstolo, não engana, porque assenta na fidelidade do próprio Deus.&lt;br /&gt;Mas em que medida um cântico final, marcado pela saudade e a despedida, que só para quem acredita e vê para além das aparências, não é definitiva, torna-se difícil dizê-lo.&lt;br /&gt;Sinto-me mergulhado, mais uma vez, numa profunda orfandade: é que pais, verdadeiramente pais, quando fazemos da resistência à mediocridade a dinâmica da nossa existência, não encontramos muitos, ao longo da vida.&lt;br /&gt;Olho o tecto da catedral, como que a procurar coragem para me fixar de novo na pregação daquela caixa que guarda os restos mortais do homem que mais marcas deixou na minha personalidade.&lt;br /&gt;E dou-me conta de que, ainda aqui, me está a dizer o que mais apreciei no seu modo de estar entre os homens: para a frente, trabalhar, fazer o máximo, sem se preocupar com protagonismos de qualquer espécie.&lt;br /&gt;Num país de medíocres, não vale a pena esperar que reconheçam o nosso valor, nem isso é importante. Talvez seja mesmo um sintoma de que estamos acima da média, o facto de não falarem de nós, a não ser por inveja.&lt;br /&gt;Este funeral, de um homem que, sem favor, pode considerar-se figura de primeira grandeza, no nosso tão desertificado panorama intelectual, mas do qual, nem mesmo na Igreja, as pessoas parece terem-se dado conta, dá-me um enorme conforto, a mim, que não consegui, como sonhei um dia, ainda muito novo, imitar as qualidades que já então admirava no jovem professor recém-chegado de Roma.&lt;br /&gt;Dá-me conforto, porque me ajuda a perceber onde estão os verdadeiros valores da vida, porque é ainda uma última lição do mestre que mais admirei ao longo da minha carreira humana, sacerdotal e académica.&lt;br /&gt;Obrigado, Dom Américo, por mais esta lição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-115584367092530802?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/115584367092530802/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=115584367092530802' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/115584367092530802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/115584367092530802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/08/saudade-e-gartido.html' title='SAUDADE E GARTIDÃO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-115255657955867624</id><published>2006-07-10T11:26:00.000-07:00</published><updated>2006-07-10T11:36:19.606-07:00</updated><title type='text'>MUNDIAL 2006</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/MUNDIAL.2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/MUNDIAL.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O fim da utopia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém esperava o contrário: na final do Campeonato Mundial de Futebol, os Portugueses tinham necessariamente de torcer pela Itália.&lt;br /&gt;Agravos antigos e o facto de ter sido a França a impedir Portugal de ir mais além, juntavam - se a uma simpatia quase instintiva por aqueles que, tão meridionais como nós, como nós sofrem da sobranceria dos que estão um pouco mais a norte, neste velho continente.&lt;br /&gt;Apesar de tudo, penso que sofri tanto como qualquer francês, quando vi sair do campo, por expulsão directa, esse gigante do futebol, que tem o nome quase mítico de Zidane e foi quem marcou o golo que levou à eliminação de Portugal.&lt;br /&gt;Tive pena. Muita pena mesmo; e fui dizendo comigo: logo no último jogo do campeonato. Não sabemos o que se passou entre ele e adversário agredido. Mas todos vimos a agressão, e ninguém duvida da justeza do cartão vermelho. Por isso ficámos ainda com mais pena.&lt;br /&gt;E estávamos ainda a digerir esta pena, talvez um pouco diluída na alegria de ver a Itália vitoriosa, quando se anuncia que os jornalistas escolheram como jogador do Campeonato - pasme-se! - este Zidane, que precisamente no último jogo, comete uma das faltas mais graves que se podem cometer em futebol.&lt;br /&gt;Eu já sabia que a ética andava muito mal tratada nos ambientes jornalísticos.&lt;br /&gt;Mas sempre esperei maior sentido de responsabilidade por parte daqueles que pretendem ter também uma função pedagógica:&lt;br /&gt;Será que, neste Mundial de 2006, não tenha havido jogadores mais exemplares?&lt;br /&gt;Ou têm razão os pessimistas que recusam ao futebol actual a classificação de escola de virtudes?&lt;br /&gt;Perante isto, onde vai já a utopia do desporto como fonte de paz e união entre os povos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-115255657955867624?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/115255657955867624/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=115255657955867624' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/115255657955867624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/115255657955867624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/07/mundial-2006.html' title='MUNDIAL 2006'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-115206367793829931</id><published>2006-07-04T18:32:00.000-07:00</published><updated>2006-07-04T18:41:17.980-07:00</updated><title type='text'>SUBSTITUIÇÕES REDUTORAS</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;A propósito da festa litúrgica da Rainha Santa Isabel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Bem sei que a questão não é de uma importância por aí alem: dizer Rainha Santa Isabel ou dizer, como vem nos livros litúrgicos, Santa Isabel de Portugal, não faz muita diferença, pelo menos aparentemente.&lt;br /&gt;Pelo menos aparentemente, note-se: porque se aprofundarmos a questão, talvez descubramos uma diferença com certa importância:&lt;br /&gt;O povo português, que a canonizou, antes do pronunciamento canónico propriamente dito, sempre a designou por Rainha Santa, indicando claramente, embora talvez sem se dar conta, que a heroicidade das suas virtudes tinha a ver principalmente com o modo como vivera a sua condição de rainha. Rainha, esposa e mãe.&lt;br /&gt;Claro que se é rainha de Portugal, a sua prática da virtude tinha necessariamente de contar com a sua condição de portuguesa.&lt;br /&gt;Mas ela é portuguesa porque é rainha de Portugal; por isso não pode ser uma santa portuguesa se não for uma rainha santa.&lt;br /&gt;Será que estamos a voltar à questão de o que é nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?&lt;br /&gt;E se estivéssemos? Será assim tão evidente a resposta para a pergunta sobre se foi o ovo ou galinha que nasceu primeiro?&lt;br /&gt;Pessoalmente acho até que o problema da prioridade no nascimento, se do ovo se da galinha, é um bom exemplo de perguntas que nascem da nossa observação da natureza, e às quais o que responde mais vezes é a superficialidade de quem não observa a mesma natureza.&lt;br /&gt;Voltando ao modo de nos referirmos à princesa de Aragão (c.1270-1236) que, em 1282, pelo casamento com o rei D. Dinis, se tornou rainha de Portugal, esquecer a sua condição de rainha, seria pôr de lado exactamente o que foi, digamos assim, o instrumento de que se serviu para viver aquela heroicidade das virtudes que a Igreja exige para elevar alguém à honra dos altares.&lt;br /&gt;Santa Isabel de Portugal ou Rainha Santa Isabel?&lt;br /&gt;Qual a diferença, do ponto de vista da semântica teológica?&lt;br /&gt;Alguns não acharão nenhuma; outros pensarão até que a primeira forma é melhor, porque evita títulos actualmente pouco prestigiados.&lt;br /&gt;Eu penso de outro modo:&lt;br /&gt;Primeiramente porque ser rainha de Portugal não era um título, mas uma função que se adquiria, ou pelo casamento, ou, em certos casos, que alteravam o conteúdo dessa função, por herança…&lt;br /&gt;Ao contrário do que acontece com a nacionalidade, o tornar-se rainha, mesmo só por casamento, dá à pessoa uma nova condição, que tem de entrar no modo de realizar a sua vocação à santidade.&lt;br /&gt;E, no caso de Santa Isabel, já é tempo de a historiografia, que nesse campo tem reparado algumas injustiças, começar a ter mais eco nos escritos e na pregação a que dão azo efemérides com a deste 4 de Julho.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-115206367793829931?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/115206367793829931/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=115206367793829931' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/115206367793829931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/115206367793829931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/07/substituies-redutoras.html' title='SUBSTITUIÇÕES REDUTORAS'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-115082562250642993</id><published>2006-06-20T10:34:00.000-07:00</published><updated>2006-06-20T10:53:54.336-07:00</updated><title type='text'>UMA TERCEIRA VIA?</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/AV??"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/AV%3F%3F%20E%20NETOS.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Vão aqui alguns apontamentos, preparados para a última reunião do grupo do MCE da Escoala Domingues Sequeira, reunião que, afinal, não se realizou. Eu tinha-lhes prometido uma terceira via para a questão do ser ou não ser católico praticante. Deixo aqui os apontamentos, tendo como ilustração uma fotografia que sugere o quadro onde decorre a maior parte da nossa vida. E deixo-os com muita amizade e alguma saudade: vai-me fazer falta aquela juventude ruidosa e radiosa. Gostaria de ter falado do assunto directamente, pois assim seria mais fácil desfazer dúvidas e desenvolver o tema. Mas fico à disposição para quem quiser dar ou pedir esclarecimentos. Ou discutir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A TERCEIRA VIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A terminologia é de tal modo aceite, que muitos católicos aceitam com toda a naturalidade classificar-se a si próprios de católicos praticantes ou não praticantes, consoante os casos.&lt;br /&gt;Será que existem, de facto, do ponto de vista do empenhamento evangélico estas duas categorias de católicos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (A pergunta poderia fazer-se, de um modo geral, em relação a qualquer crente, pelo menos, cristão, judeu ou muçulmano.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta a que dou o nome de terceira via, baseada numa reflexão de muitos anos sobre os conceitos e a psicologia das pessoas que usam os termos praticante/não praticante, começa por pôr em realce o formalismo escondido por detrás de tal classificação. Formalismo que é o vírus mais perigoso de todas as religiões e contra o qual o Novo Testamento é portador das mais fortes invectivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E começo por distinguir FÉ de RELIGIÂO: é sobretudo nesta que se mete o formalismo. Formalismo que existe tanto na prática religiosa, como na sua ausência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser cristão (ser católico) é, antes de mais e acima de tudo, ter uma fé, com os seus elementos objectivos, bem entendido (crer nisto ou naquilo), mas que corresponde sobretudo a uma adesão vital a Deus, que se revela em Jesus Cristo. Como tal, a fé é um dom absolutamente gratuito, infundido, com a esperança e a caridade, no momento do Baptismo, mas que se deve desenvolver à medida que se desenvolve a própria vida, com o esforço pessoal e com a ajuda directa e indirecta de Deus.&lt;br /&gt;Nisto consiste a essência do ser cristão (católico).&lt;br /&gt;Em meu entender, todo o baptizado que, segundo a sua condição específica (idade, sexo, estado, cultura, profissão, economia, nível social, saúde, etc), procura levar por diante aquela adesão vital, mesmo que uma vez por outra não o consiga, pode dizer-se católico praticante.&lt;br /&gt;Aquilo que habitualmente se usa para classificar um católico de praticante/não praticante, ou seja, de um modo geral, a assiduidade a certas práticas religiosas é, de facto, muito importante, mas unicamente para ajudar aquela adesão vital. O crente que se esforça por viver coerentemente essa adesão descobrirá, não só a importância e necessidade das práticas oficiais, mas de outras, que o próprio Deus em que acredita e ao qual vai buscar a luz de que precisa para a sua vida concreta lhe inspirará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incluirá isto a sugestão de um caminho fácil?&lt;br /&gt;É evidente que não.&lt;br /&gt;Muito pelo contrário: Para o que se aponta é para uma maior responsabilidade; em primeiro lugar dos educadores da fé, a começar pelos pais, que, se não pediram o baptismo para os filhos por mero formalismo, sabem que eles adquiriram com Deus uma relação vital que tem de se desenvolver ao ritmo da vida física e cultural.&lt;br /&gt;Depois dos próprios crentes, que, precisamente porque não querem viver fechados em puros formalismos, cuidam de formar bem a sua fé, de ser crentes adultos – que assumem os seus gestos, sem se escudar em atitudes de terceiros - e esclarecidos, isto é, sabem ou procuram saber distinguir o que, no seio da comunidade crente, é verdade indiscutível e o que é simples opinião.&lt;br /&gt;Assim, é fácil perceber que, crente ou se é ou não se é. Independentemente da prática ou da ausência dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-115082562250642993?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/115082562250642993/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=115082562250642993' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/115082562250642993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/115082562250642993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/06/uma-terceira-via.html' title='UMA TERCEIRA VIA?'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-114955405313825569</id><published>2006-06-05T17:14:00.000-07:00</published><updated>2006-06-05T17:34:13.153-07:00</updated><title type='text'>SANTA SÉ E VATICANO</title><content type='html'>Apresentar, em espaço que se possa considerar razoável num blogue e aceitável para a maioria dos que me visitam, a distinção/confusão entre Vaticano e Santa Sé, não me parece fácil… diria mesmo impossível.&lt;br /&gt;Como, porém, a amizade manda muito, às vezes até mais do que certos escrúpulos de perfeição científica e estilística, deixo aqui, a pensar sobretudo no meu caríssimo Abílio Lisboa, algumas notas, ficando à espera de oportunidade para uma resposta mais cheia, digamos assim.&lt;br /&gt;De um modo geral, poderíamos dizer que a Santa Sé é o Papa, com os órgãos de governo de que dispõe como cabeça do Colégio Apostólico; digamos, em linguagem mais profana, como Chefe da Igreja Universal. Corresponde, “grosso modo”, à Cúria, nas dioceses. Aliás, também se usa o termo Cúria Romana, com o significado de Santa Sé. Não esquecer, no entanto, que o Papa é cabeça da Igreja porque é bispo de Roma: e como tal tem a sua cúria, que, como é fácil de entender, mesmo para quem sabe pouco Direito Canónico, não se pode confundir com a Santa Sé, no sentido explicado acima.&lt;br /&gt;E o Vaticano?&lt;br /&gt;Geograficamente, o Vaticano é uma das sete colinas cantadas pelos poetas clássicos de Roma. Na sua história ligada ao cristianismo, começou por ser o local onde a tradição venerava a memória do martírio e da sepultura de Pedro.&lt;br /&gt;Longe de ser o local preferido pelos papas para sua morada, foi, no entanto, após Constantino, um ponto de mira dos grandes construtores, por devoção ou vaidade, sobretudo a partir do Renascimento.&lt;br /&gt;Daí a grandiosidade da Basílica de São Pedro, que nem sequer é a Sé de Roma, e dos edifícios que a rodeiam.&lt;br /&gt;As muralhas, construídas no século IX por Leão IV, mais tarde aumentadas por Alexandre VI, em pleno Século XVI, ofereciam um refúgio seguro ao Papa, quando vinham inimigos de fora, ou o povo se amotinava contra ele.&lt;br /&gt;Foram também uma boa sugestão para Pio IX, que, quando as tropas de Vítor Manuel II, comandadas por Garibaldi, se aproximavam de Roma, na qual entraram a 20 de Setembro de 1870, abandonou o palácio do Quirinal e se refugiou no palácio do Vaticano.&lt;br /&gt;Mas o que deu uma nova importância a seta colina foram os Acordos de Latrão, assinados em 11 de Fevereiro de 1929, pelas delegações da Santa Sé e do Governo Italiano. Acordos que puseram fim à chamada Questão Romana, criada precisamente pela conquista de Roma por parte de Vítor Manuel II, rei do Piemonte, que, entretanto, se autoproclamara rei de Itália.&lt;br /&gt;De facto, para garantir a independência política da Santa Sé – ou seja do Papa e dos seus órgãos de governo para Igreja Universal, foi criado o Stato della Cità del Vaticano (SCV) – o Estado da Cidade do Vaticano, com total autonomia política, em relação ao Estado Italiano. O Papa, além de bispo de Roma e, como tal, cabeça visível da Igreja de Cristo, é também o Chefe de Estado do Vaticano.&lt;br /&gt;Fora do Vaticano propriamente dito, pertencem ao novo Estado, como seu território, os palácios das Congregações e os edifícios das embaixadas junto da Santa Sé.&lt;br /&gt;Para não nos alongarmos mais:&lt;br /&gt;Digamos que a Santa Sé é conjunto das instituições que ajudam o bispo de Roma no ministério petrino – o ministério confiado a Simão dentro do Colégio Apostólico, para o serviço de toda a Igreja – enquanto o Vaticano é a organização territorial e política que assegura a essas instituições a conveniente liberdade.&lt;br /&gt;O que acontece é que hoje, devido à ignorância que campeia nos órgãos de comunicação social, se usa muitas vezes a palavra Vaticano, quando devia usar-se Santa Sé, ou, segundo uma norma recente, Sé Apostólica.&lt;br /&gt;Acrescente-se a isto que o Papa, como bispo de Roma, não tem mais autonomia em relação ao Estado Italiano do que qualquer outro bispo daquele país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-114955405313825569?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/114955405313825569/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=114955405313825569' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/114955405313825569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/114955405313825569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/06/santa-s-e-vaticano.html' title='SANTA SÉ E VATICANO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-114566472016829649</id><published>2006-04-21T17:01:00.000-07:00</published><updated>2006-04-21T17:12:00.190-07:00</updated><title type='text'>APESAR DOS PESARES</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/NO%20HORTO%20(El%20Greco).0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/NO%20HORTO%20%28El%20Greco%29.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meu caríssimo amigo David Nogueira, dedico esta página do meu diário, escrita uma tarde destas, como lembrança de um combate entre o desânimo e o conforto… combate de que fui arrancado pela lembrança dos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A meio da tarde, enquanto, trazida pelas ondas hertzianas, me chega aos ouvidos a voz de ouro de Catherine Ferrier cantando a belíssima ária da Paixão Segundo São Mateus (Pedro chora a sua traição):&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Have mercy Lord,&lt;br /&gt;My God, because of this my weeping!&lt;br /&gt;Look thou here,&lt;br /&gt;Heart and eyes now weep for thee&lt;br /&gt;Bitterly.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pena que cante em inglês!&lt;br /&gt;Apesar de aparentemente menos doce, o alemão, como me habituei a ouvi-lo, no contexto de toda a obra, parece-me tanto mais expressivo!...&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Erbarme dich,&lt;br /&gt;Mein Gott, um meiner Zähren willen!&lt;br /&gt;    Schaue hier,&lt;br /&gt;    Herz und Auge weint vor dir&lt;br /&gt;    Bitterlich.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, sinto-me envolvido por esta música, sobretudo pela força espiritual que jorra das palavras e da música postas por Bach na boca do discípulo traidor.&lt;br /&gt;O discípulo traidor?&lt;br /&gt;Geralmente, quando se ouve falar do discípulo traidor, pensa-se imediatamente em Judas. E é pena:&lt;br /&gt;Pena, porque a traição de Judas não foi maior que a de Simão:&lt;br /&gt;Pena sobretudo porque isso desvia o pensamento do que está no âmago da mensagem transmitida pelos relatos canónicos da Paixão: Tudo é dominado pelo amor… tanto amor, que até quando se atraiçoa, só o orgulho, a incapacidade de se deixar envolver pela lógica do amor, faz com que as coisas terminam em tragédia.&lt;br /&gt;Simão Pedro, que traiu o Mestre e os companheiros, no momento em que todos precisavam mais da sua coragem, reencontra um e outros, porque a sua loucura por Cristo era também a raiz da amizade que o unia a eles.&lt;br /&gt;A amizade!&lt;br /&gt;Talvez nós, à força de insistirmos na caridade como essência do cristianismo, tenhamos perdido o sentido da amizade, daquilo precisamente que torna humanas as nossas relações e sem o qual a caridade, mesmo se autêntica, terá o seu quê de postiço, de árvore desenraizada, prestes a tombar irremediavelmente à primeira rajada de vento.&lt;br /&gt;  &lt;em&gt;Erbarme dich, Mein Gott, um meiner Zähren willen!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não sei porquê, mas não consigo imaginar um discípulo a chorar assim, fora do contexto de uma grande amizade entre ele e os condiscípulos.&lt;br /&gt;Sem essa amizade… acontece o desespero de Judas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-114566472016829649?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/114566472016829649/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=114566472016829649' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/114566472016829649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/114566472016829649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/04/apesar-dos-pesares.html' title='APESAR DOS PESARES'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-114290621809034515</id><published>2006-03-20T17:33:00.000-08:00</published><updated>2006-03-20T18:21:52.156-08:00</updated><title type='text'>À SOMBRA DO CASTELO II</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/CRIAN??AS"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/200/CRIAN%3F%3FAS%20DIVERTIDAS.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/leiria.2.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/leiria.2.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Continuo à sombra do castelo, olhando a cidade lá em baixo, agora ainda menos acolhedora, devido às obras de maquilhagem levadas a cabo pelo programa pólis.&lt;br /&gt;Menos acolhedora, cada vez menos humana, porque as pessoas continuam a confundir desenvolvimento com crescimento, agravando, nas margens do Lis, as consequências de um progresso que tem vindo a perder a alma. E uma cidade sem alma não pode contribuir para o bem-estar real das pessoas.&lt;br /&gt;E o que parece ser para servir o homem está, de facto, na maior parte dos casos, ao serviço do egoísmo, individual e colectivo. Vem-me à memória a afirmação daquele sociólogo denunciando o facto de, no mundo ocidental, as pessoas que custam mais dinheiro à família e à sociedade são os velhos e as crianças: estas porque todos as querem, aqueles porque ninguém os quer. Isto é, o que se paga não é a qualidade de vida de idosos e crianças, mas os egoísmos de quem não é nem idoso nem criança.&lt;br /&gt;E digam lá se isto não é precisamente o que se descobre na parte final dessa parábola cruel que é sem dúvida a &lt;em&gt;Metamorfose&lt;/em&gt; de Kafka?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto traz-me à memória as recomendações da encíclica &lt;em&gt;Deus caritas est&lt;/em&gt;, da qual transcrevo dois parágrafos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Todos os que trabalham nas instituições caritativas da Igreja devem distinguir-se pelo facto de que não se limitam a executar habilidosamente a acção conveniente naquele momento, mas dedicam-se ao outro com as atenções sugeridas pelo coração, de modo que ele sinta a sua riqueza de humanidade.&lt;br /&gt;Só se contribui para um mundo melhor, fazendo o bem agora e pessoalmente, com paixão e em todo o lado onde for possível, independentemente de estratégias e programas de partido. O programa do cristão — o programa do bom Samaritano, o programa de Jesus — é «um coração que vê». Este coração vê onde há necessidade de amor, e actua em consequência. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-114290621809034515?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/114290621809034515/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=114290621809034515' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/114290621809034515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/114290621809034515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/03/sombra-do-castelo-ii.html' title='À SOMBRA DO CASTELO II'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-114259611414137461</id><published>2006-03-17T03:45:00.000-08:00</published><updated>2006-03-17T03:48:34.163-08:00</updated><title type='text'>À SOMBRA DO CASTELO I</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/KAFKA.5%20(1924.M.3.6).jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/KAFKA.5%20%281924.M.3.6%29.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/leiria.1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/leiria.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;Depois saíram todos juntos, como já não acontecia há mais de seis meses, e apanharam um eléctrico que os levasse até ao campo, já fora da cidade. Não havia outros passageiros no compartimento em que se sentaram, o qual estava quente e brilhante de sol.&lt;br /&gt;Recostados, com ar despreocupado, nos seus assentos, começaram a falar do futuro. Reflectindo bem, chegaram à conclusão de que, afinal de contas, as coisas não tinham sido tão más como poderiam ter sido, pois – coisa que até então lhes passara despercebida – os três haviam encontrado ocupações realmente interessantes, as quais poderiam ser, no futuro, ainda mais promissoras. Decidiram tomar, o mais cedo possível, uma providência que lhes parecia da máxima importância: Deviam mudar-se da casa que ocupavam naquele momento. Alugariam uma outra mais pequena, mais barata, porém mais prática e, o que era mais, num bairro melhor do que aquele em que estavam a morar, e que fora escolhida por Gregor.&lt;br /&gt;Enquanto assim conversavam e olhavam para a filha, cada vez mais vivaz, Herr e Frau Samsa aperceberam-se ao mesmo tempo que ela ultimamente, e apesar de todos os tormentos que lhe haviam roubado a cor das faces, florira numa rapariga bonita e torneada.&lt;br /&gt;Cada vez mais em silêncio e comunicando inconscientemente através de olhares, pensaram ambos que era já tempo de começar a procurar-lhe um bom marido.&lt;br /&gt;E foi como uma confirmação dos seus novos sonhos e boas intenções que no final da viagem viram a filha levantar-se em primeiro lugar e distender diante deles o seu corpo jovem. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim termina o conto. Fecho o livro e fico a pensar, não propriamente na cena, mas naquele exame de Teoria da Literatura – há que anos isso foi! –  em que o professor (um homem de meia idade que viria a morrer, de morte súbita, dois anos depois, numa das zonas mais agitadas da baixa lisboeta, talvez por supor que eu devia ter mais conhecimentos bíblicos do que os outros), foi conduzindo as minhas reflexões até classificar todo o conto como uma parábola.&lt;br /&gt;A parábola da solidão do homem moderno, intuída de modo profético por Kafka, judeu boémio, de língua e cultura alemã… que excelente mistura!&lt;br /&gt;Este final é como que a chave de leitura de todo o conto: Os protagonistas, uma família cujo filho mais velho acorda certa manhã com o corpo transformado num insecto gigante… talvez uma barata. E os meses que se seguem, até à morte de Gregor, esse filho metamorfoseado, gastam numa luta insana dos outros membros da família, primeiro para perceberem o que se passa, depois para se verem livres daquela coisa.&lt;br /&gt;Segundo Vladimir Nabokov, a profunda ironia do texto está na apresentação de um ser humano disfarçado de insecto, que acaba destruído por três insectos disfarçados de seres humanos.&lt;br /&gt;Como não pensar em Bertold Brecht e no seu Cículo de Giz caucasiano?&lt;br /&gt;A meus pés agita-se a cidade, perdida em tantos projectos, que, apesar das aparências, não têm feito mais do que descaracterizá-la… um pouco à imagem do que os políticos estão a fazer desta Europa, cujo drama foi assim intuído e descrito pró artistas como Kafka e Brecht. E não falo de santos como Teresa Bendita da Cruz e Maximiliano Colbe, curiosamente todos da mesma área geográfica e quase mesmo meio cultural.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-114259611414137461?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/114259611414137461/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=114259611414137461' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/114259611414137461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/114259611414137461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/03/sombra-do-castelo-i_17.html' title='À SOMBRA DO CASTELO I'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-114227611996436075</id><published>2006-03-13T10:37:00.000-08:00</published><updated>2006-03-14T17:10:31.866-08:00</updated><title type='text'>À SOMBRA DO CASTELO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/leiria3.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/leiria3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É um belo dia de Primavera, esta segunda-feira de Março: sol radioso. ainda que com um certo tosquenejar de noites mal dormidas, temperatura amena, e um galopar da imaginação, empurrada pela concorrência que às pedras negras do castelo, fazem os telhados irregulares das casas, coniventes com a algazarra da juventude que passa, mochilas às costas, a caminho das aulas. Começo a ter saudades... nem sei bem de quê. Sento-me de costas para o fundador da cidade... o fundador e os fundamentos e as fundações... Será por isso que a imaginação galopa desenfreada; mas há que pôr-lhe de novo o freio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O meu amigo Padre Zé, com aquela da &lt;em&gt;Metamorfose, &lt;/em&gt;de Franz Kafka, veio despertar alguns fantasmas da minha juventude, e nasceu-me a tentação de ficar por aqui uns tempos a pensar em voz alta, recordando e insinuando, ideias do passado e quiçá algum projecto para o futuro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se algum dos meus visitantes, caso os haja, quiser fazer-se eco, ou entrar a dialogar comigo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vamos a ver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-114227611996436075?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/114227611996436075/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=114227611996436075' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/114227611996436075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/114227611996436075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/03/sombra-do-castelo.html' title='À SOMBRA DO CASTELO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-114038132687493140</id><published>2006-02-19T12:21:00.000-08:00</published><updated>2006-02-19T12:35:27.020-08:00</updated><title type='text'>NO LUGAR DO ESSENCIAL</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/PASTORINHOS%201.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/PASTORINHOS%201.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/fatima1.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/fatima1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Refugiado da  intempérie – o vento empurrava a chuva, teimosa e fria - em luta permanente contra os protestos do corpo e as distracções da alma, por ali me deixei ficar, entre a solidão dos muros inóspitos e o anonimato da multidão, que cantava acenando lenços brancos.&lt;br /&gt;Lenços brancos… Primeiro para saudar a urna que trazia os restos mortais da que afirmara ter visto ali a Senhora, que a prima dizia ser mais brilhante do que o sol, e lançara no mundo uma inquietação sem precedentes, proclamando que a mesma Senhora lhe dissera que a origem de todos os males estava no esquecimento da seriedade do amor com que Deus nos ama.&lt;br /&gt;Oitenta e nove anos, enquanto o mundo reincide nas mesmas loucuras, já não é a voz simples, sem rodeios literários, mas firme, de uma criança de onze anos que repete os avisos do Céu: são os seus restos mortais, encerrados numa caixa desprovida de adornos especiais, que clama, ainda com mais firmeza, porque este nosso pobre mundo está mais dependente do supérfluo, que &lt;em&gt;só Deus basta&lt;/em&gt;, como dizia já a Santa fundadora do instituto no seio do qual os últimos cinquenta oito anos da sua vida.&lt;br /&gt;Os lenços brancos… acenam agora à imagem da Senhora… que vem e que vai.&lt;br /&gt;E regressa à capelinha, com o mesmo sorriso magoado que nos contaram as três crianças, finalmente juntas, na frieza do sepulcro e na veneração dos fiéis… Só falta que estes tomem mais a sério o recado do Céu.&lt;br /&gt;O recado do Céu…&lt;br /&gt;Cantado o &lt;em&gt;Salve Regina&lt;/em&gt;, todos dispersam… eu com mais rapidez, para escapar a olhares indiscretos, encontros pouco adequados ao tormento de alma que ma nascia desta lembrança do recado do Céu.&lt;br /&gt;Porque Fátima é algo de muito mais sério do que essas questões em que teimosamente a envolve a comunicação social, muitas vezes com a conivência dos crentes, cujos responsáveis se perdem frequentemente com o acidental, a propósito de um santuário, que, como qualquer outro e mais do que qualquer outro, é o lugar do essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-114038132687493140?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/114038132687493140/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=114038132687493140' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/114038132687493140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/114038132687493140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/02/no-lugar-do-essencial_19.html' title='NO LUGAR DO ESSENCIAL'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-113855497249117686</id><published>2006-01-29T08:46:00.000-08:00</published><updated>2006-01-29T09:16:12.573-08:00</updated><title type='text'>DOM E TAREFA</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/QUANDO%20A%20TERNURA%20SE%20SENTE.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/QUANDO%20A%20TERNURA%20SE%20SENTE.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/AV??.FILHA.NETA.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/AV%3F%3F.FILHA.NETA.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Como há muito não escrevo nada neste blogue, aproveito o facto de se andar por aqui a falar da vida para transcrever uma página do meu diário, que erscrevi no dia em que meu pai completaria cento e cinco anos. Vai a repetição da homenagem; as fotogarfias - espero que os meus amigos me perdoem a ousadia - querem homenagear, além da amizade, as mulheres, em geral, e as mães em particular, porque é no seu regaço que, de modo especial, o dom da vida se transforma em tarefa carinhosa. Aí vai o texto:&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Dom e tarefa&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Em tempo de reflexão: pedaços de alma que procuro introduzir nestes dias de repouso que queria fossem também de revigoramento espiritual.&lt;br /&gt;De repente, a quebrar uma ligeira fuga do pensamento para outras áreas, ouço o pregador:  &lt;em&gt;porque isto de sermos criados à imagem e semelhança de Deus, não tem nada a ver com uma forma donde pudéssemos ter saído perfeitos: em nós, a imagem de Deus, é um Dom e uma tarefa, tanto no natural como no sobrenatural.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E fiquei mais distraído, a pensar nos fundamentos e nas consequências desta doutrina.&lt;br /&gt;A olhar para o chão onde punha os pés, não fosse o diabo tecê-las, e puxando pela cabeça, um pouco azamboada, chego aos meus aposentos, com poucas comodidades, mas suficientemente provido de livros, a área onde não encontrei ainda nenhum amigo que me traísse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abro a Bíblia e leio:&lt;br /&gt; &lt;em&gt;Então disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança. Que  ele reine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.&lt;br /&gt; Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; criou-os homem e mulher. Deus abençoou-os e disse-lhes: Crescei e multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que rastejam sobre terra.&lt;br /&gt; E disse Deus ainda: Eis que vos vou toda a erva que dá semente sobre a terra, e todas as árvores em que há fruto que dê semente, para que vos sirvam de alimento. E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes servirá de alimento. E assim se fez.&lt;br /&gt; Deus contemplou toda a sua obra e viu que era muito bom. Houve tarde e manhã. Foi o sexto dia (Gen 1, 26-31).&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Bem se vê que quem continua a dizer que a perspectiva da Bíblia sobre a Criação é pessimista, ou não a leu, ou, o que é pior, leu-a com os olhos dos seus detractores.&lt;br /&gt;E, ainda por cima, esquece-se de como toda a cultura ocidental, mesmo em ambiente de supino secularismo, como é aquele em que vivemos, está marcada pela festa que caracteriza o “descanso” de Deus, ao sétimo dia:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tendo Deus terminado no sétimo dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho. Ele abençoou o sétimo dia e consagrou-o, porque nesse dia repousara de toda a obra da Criação (Gén 2,2-3).&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas acontece que todo o texto de Gén 1, 26 a 2, 3, que, segundo os especialistas, assenta numa profunda reflexão teológica sobre o conteúdo de Gén 2, 4-25, contém dados que os próprios crentes tendem a esquecer, não tirando deles a luz que oferecem para o seu modo de estar no mundo e para a luta que devem travar para que se salve a sua verdade; essencial, porque a verdade do mundo é também a verdade do homem.&lt;br /&gt;Quando eu era estudante de Teologia falava-se muito de fixismo e dinamismo (entenda-se evolucionismo), no modo de conceber a acção criadora de Deus.&lt;br /&gt;Naturalmente que já então se considerava o fixismo definitivamente ultrapassado, não só por imposição das ciências, mas também por exigência de uma correcta interpretação dos textos – Escritura, Tradição e Magistério.&lt;br /&gt;Mas a preocupação de estabelecer uma noção correcta de evolucionismo, sempre com os olhos nos erros dos outros, fez com que não se aprofundasse devidamente o conteúdo da Revelação, que nos fala da criação do mundo para o homem e deste “à imagem e semelhança de Deus”... imagem e semelhança, que constituem, ao mesmo tempo, &lt;strong&gt;um dom e um tarefa&lt;/strong&gt;; dom e tarefa, que se estendem, nas palavras do próprio Criador, ao mundo dos outros seres.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, Deus diz ao homem – que Ele fizera macho e fêmea, (para usarmos o realismo do texto original), um para o outro, mas sem se confundirem um com o outro, com uma autonomia que se afirma quando a mútua dependência assenta na respectiva dignidade, que não deslustra em nada – ao homem, assim referido, Deus diz, em primeiro lugar: “crescei e multiplicai-vos”.&lt;br /&gt;Tendemos todos a interpretar estas palavras como uma ordem de Deus para o exercício da procriação, uma explicitação do que estava implícito na diferenciação dos sexos, que não fora um acidente biológico, mas algo querido expressamente pelo Criador, com um significado que ia muito para além das relações puramente físicas.&lt;br /&gt;Ora, precisamente, assim como a diferenciação sexual não foi querida por Deus só em função da geração de novos seres, também aquele “crescei e multiplicai-vos” significa muitas outras coisas que tendemos a esquecer.&lt;br /&gt;Significa sobretudo que essa imagem de Deus, estendida a todo o mundo criado, é algo a realizar continuamente: porque o seu aperfeiçoamento se confia à liberdade do homem, e porque a cada momento ela é posta em risco pelo mau uso dessa liberdade.&lt;br /&gt;A dinâmica do progresso encontra aqui os seus fundamentos teológicos.&lt;br /&gt;Mas o texto não nos dá apenas os fundamentos: ele fornece também os critérios de leitura que nos permitem distinguir o verdadeiro progresso do falso.&lt;br /&gt;Fica bem recordar aqui uma frase do Cardeal Ratzinger, o actual Papa Bento XVI: &lt;em&gt;Ser homem recomeça do princípio em cada ser humano.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Ou seja, se a minha interpretação é exacta: a nível do &lt;em&gt;esse&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;ser em acto&lt;/em&gt;, como diriam os escolásticos, a pessoa humana – homem ou mulher – como pessoa, nunca está totalmente formada: o primeiro momento da sua existência, que é aquele em que no ventre materno, da união de dois elementos fornecidos, um pelo pai e outro pela mãe, surge uma terceira vida, que se desenvolverá naturalmente, se lhe não forem postos obstáculos, esse primeiro momento é o princípio no qual começa, para essa pessoa, o ser homem, membro de pleno direito do género humano.&lt;br /&gt;Começa, para cada pessoa; mas devemos afirmar que esse começo, na perspectiva da humanidade, é um recomeço. E um recomeço que urge proteger, para que o ser homem se torne cada vez mais real, em todas as fases queridas pela natureza: no ventre materno, no berço, na escola, em todas as suas fases, na profissão, na teia das relações humanas, até à consumação da história individual de cada um.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Que encanto fazer estas reflexões no centésimo quinto aniversário do nascimento do homem que Deus escolheu para me transmitir o dom da vida! E que não se limitou a uma pura transmissão biológica: mas procurou, como lhe cumpria, realizar o mandato em plenitude e até ao fim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="left"&gt;Crescei e multiplicai-vos, diz o Criador à humanidade, deixando a todos, cada qual segundo as próprias circunstâncias, a tarefa de crescer e fazer que cresçam os outros, também segundo as próprias circunstâncias.&lt;br /&gt;Antes de irmos por diante com as reivindicações de rua, inspiradas em egoísmos individuais e corporativos, é necessário que nos perguntemos que ideia de progresso é a nossa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-113855497249117686?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/113855497249117686/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=113855497249117686' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113855497249117686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113855497249117686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/01/dom-e-tarefa.html' title='DOM E TAREFA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-113712063516905377</id><published>2006-01-12T18:15:00.000-08:00</published><updated>2006-01-12T18:50:35.220-08:00</updated><title type='text'>A DOR COMO JANELA</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/ADVENTO.2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/ADVENTO.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um pouco na linha do que dizia no meu último "post", que, de facto, quis a Providência me fosse particularmente presente nas duas semanas que passaram, não apenas como eco de uma teoria abstracta, mas como luz para os momentos mais ignificativos. Luz que ilumina e força que ajuda a resistir... resistir à morte onde é a vida que chama por nós.&lt;br /&gt;Chamo janela à dor e não estrela, porque a dor não tem luminosidade suficiente: mas ela é verdadeira janela aberta para o clarão da estrela que mostra o caminho e alumai a caminhada.&lt;br /&gt;Para os meus amigos mais íntimos transcervo parte do que ecsrevi no meu diário, na terceira página deste 2006.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Foi o funeral do Filipe.&lt;br /&gt;Pobre rapaz! De saúde menos que débil, sem grande disciplina na alimentação e nos cuidados médicos, sempre imaginei que a morte o colheria cedo; e, quando os pais e os irmãos desabafavam, lamentando aquela falta de cuidado, repetia-lhes que o deixassem viver feliz. Porque o Filipe, embora não tivesse ar de infeliz, tinha um carácter reservado, com alguns assomos de teimosia que me deixavam pensativo, suspeitando de que, lá bem no fundo do coração guardava mágoas antigas… talvez a recusa em aceitar o estatuto de “diminuído” que demasiado cedo lhe aplicaram, privando-o assim de alguns bens, nomeadamente de uma certa cultura, a que tinha direito como os outros e de que teria certamente sido capaz.&lt;br /&gt;Afinal, a morte veio colhê-lo, minutos depois de expirar o ano, na estrada do regresso a casa, após a festa… que ele gostava de se divertir.&lt;br /&gt;Estimado pela generosidade com que ajudava as pessoas – havia até quem explorasse essa generosidade –, poucos apreciaram devidamente a sua inteligência e o bom senso com que resolvia situações complicadas da vida.&lt;br /&gt;É o segundo sobrinho que acompanho à sepultura.&lt;br /&gt;Chego a casa noite cerrada, e, por estranho que pareça, sinto que acabo de viver um especial momento natalício:&lt;br /&gt;Pelo rejuvenescimento que significa para mim qualquer encontro com as raízes, mesmo quando se trata de um funeral, sobretudo se vivido assim, em constante apelo para os valores que alimentam essas raízes e que nos ajudam a resistir, para que a morte não tenha a última palavra.&lt;br /&gt;E não tem mesmo, porque, ao arrepio da vida que actualmente nos obrigam a viver, e talvez graças à intercessão do membro cuja morte nos reune, antes de nos separarmos, como banho reconfortante, conseguimos criar um ar de festa de família, e sempre regressamos com o propósito de repetir os encontros em circunstâncias diversas.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não será isto unir o Natal ao Calvário, encontrar na dor a janela que nos mostra a estrela do Messias?&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-113712063516905377?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/113712063516905377/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=113712063516905377' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113712063516905377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113712063516905377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2006/01/dor-como-janela.html' title='A DOR COMO JANELA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-113537787897115148</id><published>2005-12-23T14:27:00.000-08:00</published><updated>2005-12-23T14:53:30.856-08:00</updated><title type='text'>DO CALVÁRIO PARA O PRESÉPIO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/PRES??PIO.PERUGINO.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/PRES%3F%3FPIO.PERUGINO.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/CALV??RIO"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/CALV%3F%3FRIO%20%282003%29.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Como há muito que não escrevo na blogosfera, pensei que poderia hoje, nas vésperas do Natal, contrariando alguns sentimentos que, apesar das aparências, talvez não estejam cem por cento de acordo com o sentido mais profundo do mistério, trtazer para aqui mais uma página do meu diário. É uma forma de manter a orientação incial deste blogue e de homenagear os artistas - hoje penso principalmente nos artistas - que me têm ajudado a emocionar-me com os grandes mistériso da minha fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tenebrae factae sunt, dum crucifixissent Jesum Judaei; et circa horam nonam exclamavit Jesus, voce magna: «Deus meus, ut quid me derelequisti?». Et inclinato capite, emisit spiritum. Exclamans Jesus voce magna, ait «Pater, in manus tuas commendo spiritum meum». Et inclinato capite…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez-se noite, quando os Judeus crucificaram Jesus ; e, por volta da hora nona, Jesus exclamou em alta voz:  «Meu Deus, porque me abandonaste?». E, inclinando a cabeça, expirou.&lt;br /&gt;Exclamando em alta voz, diz, «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito». E, inclinando a cabeça….&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;É a parte final da &lt;em&gt;Passione secondo Giovanni&lt;/em&gt;, de Francesco Corteccia. Executa a Schola Cantorum “Francesco Coradini”, dirigida por Fosco Corti.&lt;br /&gt; Nas vésperas do Natal, tenho a grata surpresa de encontrar uma jóia de arte – como pude deixar tão longamente este CD, silencioso, no fundo da gaveta, entre os objectos sem direito a especial interesse? – uma joia que me reconcilia com a quadra que estamos vivendo.&lt;br /&gt;Devo a Corteccia e aos que interpretam a sua música o encanto que me ajuda a perceber como no mistério de Cristo tudo se harmoniza, se cruza e se entrelaça: a serenidade que esta música introduz no Calvário, ilustrando o amor sem limites daquele “inclinato capite”, atira comigo para o carinho e a ternura do Presépio:&lt;br /&gt;Cristo suspenso da cruz e o Menino dormindo no regaço da mãe, são duas faces do mesmo amor sem limites, da mesma loucura de um Deus que permanentemente se excede no dar-se aos homens.&lt;br /&gt;Os homens, que, assim como nesta quadra O trocam pelas alegrias efémeras do consumismo reinante, na Páscoa Lhe voltam as costas em direcção às estâncias de prazer fácil.&lt;br /&gt;E Ele, que, na sua bondade infinita, continua a oferecer a todos o mesmo perdão: parece-me mais encantador o sorriso do Menino do Presépio, porque ele me recorda a prece da cruz: Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem.&lt;br /&gt;Assim, já não encontro sentido nas recriminações que me vêm teimosamente ao espírito, perante os natais que se celebram por aí: se são errados, e estou em crer que o são, em muitos casos, o Presépio projectado na Cruz, ou esta como reflexo daquele, obrigam-me a transformar as recriminações em apelos, a revolta interior em exercícios de tolerância.&lt;br /&gt;Tolerância, que, assim enquadrada, está muito longe de ser um comodista deixa correr.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-113537787897115148?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/113537787897115148/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=113537787897115148' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113537787897115148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113537787897115148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2005/12/do-calvrio-para-o-prespio.html' title='DO CALVÁRIO PARA O PRESÉPIO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-113450200821262507</id><published>2005-12-13T11:23:00.000-08:00</published><updated>2005-12-13T11:32:23.690-08:00</updated><title type='text'>OS DEFICES DE PORTUGAL</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/JER??NIMOS.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/JER%3F%3FNIMOS.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu que fiz Portugal e que o perdi&lt;br /&gt;em cada porto onde plantei o meu sinal.&lt;br /&gt;Eu que fui descobrir e nunca descobri&lt;br /&gt;que o porto por achar ficava em Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu que matei roubei eu que não minto&lt;br /&gt;se vos disser que fui pirata e ladrão.&lt;br /&gt;Eu que fui como Fernão Mendes Pinto&lt;br /&gt;o diabo e o deus da minha peregrinação.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Manuel Alegre, do poema, &lt;em&gt;Lusíada Exilado&lt;/em&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está em moda falar-se de défice por toda a parte – os meus amigos do liberalismo linguístico diriam, por tudo quanto é sítio… É o défice nas finanças, o terrível défice das contas públicas, que parece medrar com as referências que lhe fazem políticos e economistas, o défice da balança comercial, o défice de cultura que amarfanha regiões e povos… e, veja-se, o défice de democracia, que alguns gostam de atribuir a certas formas de autonomia regional.&lt;br /&gt;Ainda se não tinha dado o nome a uma das mais crónicas doenças deste país à beira mar plantado, ao cantar o qual, Camões, põe em realce, com a perspicácia do seu génio e grandeza inultrapassada do seu canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Enfim, não houve forte capitão,&lt;br /&gt;Que não fosse também douto e ciente,&lt;br /&gt;Da Lácia, Grega, ou Bárbara nação,&lt;br /&gt;Senão da Portuguesa tão somente.&lt;br /&gt;Sem vergonha o não digo, que a razão&lt;br /&gt;De algum não ser por versos excelente,&lt;br /&gt;É não se ver prezado o verso e rima,&lt;br /&gt;Porque, quem não sabe arte, não na estima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Como disseram outros, com mais ciência do que eu, sob esta referência de Camões ao desprezo da poesia, há a denúncia a vários vícios da governação pública que, desde o século XVI, não têm feito mais do que agravar-se. E o resultado tem sido, como seria inevitável, a progressiva perda da identidade nacional.&lt;br /&gt;Veio agora um candidato à Presidência da República, que também é poeta – por vezes com sabor camoniano – no calor da polémica sobre os défices que nos amarguram os dias, dizer alto e bom som, que o pior dos nossos défices é o défice de Portugalidade. Não sei exactamente o quis dizer Manuel Alegre, que leio com agrado há muitos anos, ao empregar a expressão… ele diz da, não de; mas se percebi aonde queria chegar, parece-me que a ausência de artigo ficaria melhor; está, pelo menos mais de acordo com o que eu próprio quero dizer quando afirmo que, neste ponto, o candidato à Presidência tem razão. Só não sei – e não saber é muito mais negativo do que duvidar – só não sei se será votando nele que estaremos a caminho de resolver esse défice.&lt;br /&gt;Porque está ideologicamente muito perto dos que, nas últimas décadas, têm confundido democratização do ensino com descida de nível das respectivas exigências; e acabam de anunciar o fim da obrigatoriedade do Português para cursos frequentados por uma grande parte dos jovens portugueses.&lt;br /&gt;Os versos de Manuel Alegre que transcrevo no início fazem parte de um poema que considero emblemático, sobretudo pelo enorme conjunto de referências culturais e históricas que contém, com uma muito feliz intuição sobre o que define o modo português de estar no mundo.&lt;br /&gt;Mas duvido - aqui trata-se de uma verdadeira dúvida – que a política educacional seguida pela maioria dos que pertencem à sua área ideológica ajude as futuras gerações a entendê-lo.&lt;br /&gt;Não escrevi uma linha sequer com intuitos eleitorais.&lt;br /&gt;Só gostaria que se pensasse mais no que realmente faz de Portugal um país dependente. Porque se fosse a pobreza natural dos nossos recursos, não teríamso satdo tão sujeitos à Europa no século XVIII, como estivemos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-113450200821262507?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/113450200821262507/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=113450200821262507' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113450200821262507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113450200821262507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2005/12/os-defices-de-portugal.html' title='OS DEFICES DE PORTUGAL'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-113400816151215838</id><published>2005-12-07T17:55:00.000-08:00</published><updated>2005-12-07T18:16:01.526-08:00</updated><title type='text'>NASCER E TORNAR-SE</title><content type='html'>Este texto é especialmente dedicado ao Zé, que nos seus estudos de catequética, tem aprendido coisas muito interessantes, mas está a guardar tudo para depois… Como no seu último comentário às minhas reflexões sobre o episódio – o quadro, como ele lhe chama – da samaritana, citou um dos escritores eclesiásticos – tecnicamente não se pode incluir entre os Santos Padres – que muito admiro e cuja sorte me causa uma certa pena, lembrei-me de ir buscar o contexto da frase referida e acrescentar alguns pensamentos pessoais; digo &lt;em&gt;acrescentar&lt;/em&gt;, não completar, nem muito menos corrigir… por razões óbvias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos no &lt;em&gt;Apologético&lt;/em&gt;, capítulo XVIII, 1-4.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fogoso advogado da África romana, que neste capítulo usa também outra expressão muito célebre – o testimonium animae naturaliter christianae! – imagina que os seus leitores pagãos mais cultos ridicularizam os artigos de fé dos cristãos; por isso, depois de comparar as virtudes cívicas de uns e de outros, e de contrapor às crenças dos pagãos a fé dos cristãos, acrescenta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Haec [dogmata christiana] et nos risimus aliquando. De vestris sumus. &lt;strong&gt;Fiunt non nascuntur cristiani.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(Uma tradução brasileira de que não gosto)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Um dia, tais coisas foram para nós, também, tema de riso. Nós somos de vossa geração e natureza:&lt;/em&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;os homens tornam-se, não nascem cristãos! &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A quem percebe italiano, ofereço uma tradução que me parece melhor.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Anch'io ho riso un tempo di ciò.&lt;/em&gt; &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Provengo dai vostri. Cristiani si diventa, non si nasce&lt;/strong&gt;.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a sua linguagem incisiva, aprendida na prática forense, Tertuliano faz uma afirmação que é ainda mais importante para os cristãos do que para os pagãos, a quem se dirige neste livro. E, como acontece com outras frases lapidares, da Sagrada Escritura e da Tradição, a profundidade do seu conteúdo perde-se quando a citamos como um lugar comum.&lt;br /&gt;Que não se nasce cristão… bem o sabe a Igreja, que nunca celebra um mistério da fé sem fazer dessa celebração uma catequese, que pode ir da multiplicação das leituras e respectivo comentário, com cânticos e intervenções explicativas, como acontece na celebração da Eucaristia, até à curtíssima frase bíblica que o sacerdote pronuncia quando recebe ou despede o penitente na celebração individual do sacramento da Reconciliação. E os outros tipos de catequese, para os diferentes níveis etários, destinam-se primordialmente a ajudar a crescer na fé; a tornar-se cristão.&lt;br /&gt;Fico à espera do comentário do nosso estudante romano… Pessoalmente, estou convencido de que grande parte das dificuldades com que, neste campo, lutam os pastores, provêm do esquecimento deste objectivo primordial.&lt;br /&gt;Mas o que agrava tudo é que os cristãos, sacerdotes e leigos, na sua grande maioria, se esqueceram de que se ninguém nasce cristão, temos de estar permanentemente a construir a nossa identidade: o baptismo não é um documento de pasta, mas um sacramento pelo qual Deus nos introduz na vida, que exige cuidados permanentes.&lt;br /&gt;Para terminar este arrazoado, que vai já excessivamente longo, diria que a frase de Tertuliano – não nascemos cristãos, tornamo-nos – implica uma dupla atenção: em relação a nós, que não podemos parar, porque o tornar-se cristão supõe uma dinâmica que só termina com o fim da nossa existência histórica (leia-se morte); em relação aos outros, que temos de ser permanentemente dádiva e acolhimento… para que todos em conjunto e cada um individualmente, crentes e não crentes, caminhemos sem cessar para a identificação com a mediada perfeita, que nos é dada pela humanidade de Cristo (cf. Ef 4,13).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-113400816151215838?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/113400816151215838/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=113400816151215838' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113400816151215838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113400816151215838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2005/12/nascer-e-tornar-se.html' title='NASCER E TORNAR-SE'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-113304747872108676</id><published>2005-11-26T14:57:00.000-08:00</published><updated>2005-11-26T15:24:38.736-08:00</updated><title type='text'>VOLTANDO ATRÁS</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Volto àquela questão das perguntas sobre a fé de cada um. Não é ainda para discutir o significado da palavra crente na linguagem dos jornalistas, mas para partilhar com os visitantes do meu blogue, caso tenham paciência para me ler, alguns pensamentos que me nascem do cruzamento da memória daquela entrevista com as imagens de uma página do Evangelho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aqui vai um extracto da página que tenho meditado mais nos últimos dias:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és um profeta! Os nossos antepassados adoraram a Deus neste monte, e vós dizeis que o lugar onde se deve adorar está em Jerusalém.&lt;br /&gt;Jesus declarou-lhe: mulher, acredita em mim: chegou a hora em que, nem neste monte, nem em Jerusalém, haveis de adorar o Pai. Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;Jo&lt;/em&gt; 4, 19-22)&lt;em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;A primeira tentação que me veio, ao recordar aquela pergunta do entrevistador da rádio à escritora, foi a de identificá-lo com a samaritana, ao inquirir do judeu que lhe pedira de beber, que pensava ele daquela velha questão, que opunha judeus e samaritanos, como uma das raízes fundamentais dos ódios que os separavam.&lt;br /&gt;Depois, meditando mais longamente sobre a narrativa joanina, dei-me conta das diferenças: e, assim como não posso identificar a escritora, naquele diálogo, com o judeu que, à hora da sesta, cansado do caminho, pede de beber uma mulher samaritana, também seria muito mau identificar com esta o entrevistador curioso; ele que, como pude concluir pela sequência da entrevista, se identificava com a entrevistada, não pela necessidade que tinham ambos de um acolhimento verdadeiro e dignificante, mas pela má vontade em relação a uma terceira realidade, que poderíamos designar, em termos genéricos, pelo enquadramento institucional da comunidade crente.&lt;br /&gt;Não vem aqui ao caso discutir as causas dessa má vontade, nem mesmo do direito de ambos a encontrar quem os ajude a superar essa má vontade, que, enquanto má, é contrária à dignidade humana.&lt;br /&gt;Temos de nos ater ao contexto da entrevista, igual a tantas outras em que são profícuos os meios de comunicação social: não há nele nenhuma dinâmica de acolhimento, porque ninguém se apresenta com sede ou fome dele, ao contrário do que acontece junto do “poço” de Jacob, onde os dois protagonistas, cada qual a seu modo, começam por pôr em comum a respectiva sede, esperando que seja o outro a satisfazê-la.&lt;br /&gt;É claro que quem pede primeiro de beber é o que tem uma sede mais profunda, porque mais humana, nascida, não apenas da violência dos raios solares e da dureza do caminho, mas da consciência dos aleijões de que são vítimas as pessoas que ao longo dele se encontram.&lt;br /&gt;A samaritana só começou a perceber a verdadeira dimensão da sua sede, quando alguém, no momento em que lhe mostra que pode ser útil, a leva a descobrir que, afinal, do que precisa não é tanto da água do poço, como do dom de Deus, que se lhe apresenta na figura de um judeu que, sem deixar de o ser, deita por terra o judeu das tradições e preconceitos em que ela própria tinha sido criada.&lt;br /&gt;Em que ficamos, afinal?&lt;br /&gt;Se alguém, na rua ou noutro sítio, me perguntar se sou crente, devo responder sim ou não?&lt;br /&gt;Creio que sim ou não, são dois advérbios demasiado curtos, na forma e no conteúdo, para dizerem tudo o que pode encerrar uma resposta, positiva ou negativa.&lt;br /&gt;O que eu diria, e esta é a grande lição da narrativa joanina, é que me falta ainda libertar-me de muita coisa para recuperar a capacidade de espanto que, ao identificar a samaritana com as crianças inocentes, a torna igualmente capaz de descobrir, naquele que lhe pede de beber, o Messias, o Salvador do mundo, como dirão aquelas que ela traz aos pés de Jesus.&lt;br /&gt;Isso impedir-me-á também de cair na cumplicidade que verifiquei naquele diálogo, jornalista/escritora: pergunta-se, não para aprender, mas para terçar armas em conjunto contar algo.&lt;br /&gt; Nestes casos, Jesus, que encontrou muitos no seu caminho, também não respondia, a não ser indirectamente, deixando indicações especaiais para os seus discípulos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-113304747872108676?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/113304747872108676/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=113304747872108676' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113304747872108676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113304747872108676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2005/11/voltando-atrs.html' title='VOLTANDO ATRÁS'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-113279376293694566</id><published>2005-11-23T16:46:00.000-08:00</published><updated>2005-11-23T16:56:02.956-08:00</updated><title type='text'>Optimismo e esperança</title><content type='html'>Copio uma das páginas mais recentes do meu diário, para não edixar este espaço mais tempo sem algo meu: «Ligo o carro, e ouvem-se ainda as últimas palavras do &lt;em&gt;communio&lt;/em&gt;, ...  &lt;em&gt;quia pius&lt;/em&gt; &lt;em&gt;es...&lt;/em&gt; Depois entra a voz solene do barítono – &lt;em&gt;libera me...&lt;/em&gt; – o coro, os outros solistas... e sinto que tenho de reorientar os pensamentos que me animam, no momento em que inicio a viagem de regresso a casa, depois daquela tão reconfortante partilha de ideias e projectos de vida espiritual.&lt;br /&gt;Assim, quase sem esforço, torna-se-me claro como a perda da visão cristã da morte pode falsificar toda a nossa vida: porque, se não pensamos nela, vendo-a à luz da fé, acabamos por tomá-la como o que não é: ou tragédia sem remédio, ou esconderijo para não viver a vida em plenitude.&lt;br /&gt;Continuo a viagem: Fischer Diskau, Victoria de los Angelis, Fauré... o criador e os intérpretes... Sinto necessidade de agradecer a Deus o génio que concedeu aos artistas e esta capacidade de me emocionar, de sentir a beleza da música... mas mais ainda, a graça de poder rezar com ela.&lt;br /&gt;E na oração, quase sem dar por isso, o espírito vai-se ocupando de coisas tão sérias como a de o pensamento da morte poder transformar-se numa tentação... Tentação que, na nossa cultura, dominada pela absolutização das coisas efémeras, se esconde por detrás do medo da morte; que não deixa de ser um enorme tabu, pelo facto de se começar a falar dela: como aconteceu com o sexo, talvez se fale tanto pra banalizá-la, para se não ver o seu real significado.&lt;br /&gt;Isto é: hoje, o comum das pessoas pensa na vida como se ela fosse o fim; vive-se sofregamente, porque se não tem esperança: a morte é o último fim, a queda no abismo do nada, que tem de se adiar o máximo, procurando mesmo não pensar nela, já que tal pensamento inquina os poucos dias de que podemos usufruir.&lt;br /&gt;Os crentes seguem o caminho inverso: meditam frequentemente na morte para não perderem nunca de vista o que dá sentido à existência de todos e de cada um. Meditam na morte para se não esquecerem da Vida.&lt;br /&gt;Para nós, urge recordá-lo uma e muitas vezes, a felicidade não tem nada de obsessivo ou angustiante: é apenas o cuidado de não delapidar o tempo, moeda insubstituível na conquista da eternidade.&lt;br /&gt;É daqui que brota a radicalidade cristã vivida pelos santos e à qual todos somos chamados.&lt;br /&gt;Leio e copio:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mas a “radicalidade” não é “fundamentalismo”: não há nada de rígido na vida cristã autêntica; pelo contrário, a “perfeição evangélica” não admite “perfeições”; nada é perfeito e bastante para quem ama. Admite fraquezas, defeitos, quedas, e pecados até; o que não admite é conformismo, nem desistências, nem desânimos. É um romance de amor que só aceita um final feliz: a plena união com Deus. (Boletim do Oratório de São Josemaria, Novembro de 2005).&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;E fico a pensar na multidão de pessoas que conheci já – desde o lar onde aprendi os valores essenciais da vida, e onde se rezava todos os dias pelos mortos, cujos nomes, quando deles falávamos, se faziam sempre seguir de um belíssimo “que Deus haja” (os mais velhos diziam, “Deus lhe perdoe”, e eu ainda era jovem quando se começou a dizer, “que Deus tem”)... fico a pensar nessa multidão de pessoas que viveu e vive assim a sua condição humana e cristã. E sinto invadir-me uma onda de optimismo  e esperança, porque, apesar dos pesares, o mundo não está tão mau como parece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-113279376293694566?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/113279376293694566/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=113279376293694566' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113279376293694566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113279376293694566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2005/11/optimismo-e-esperana.html' title='Optimismo e esperança'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-113209778180955766</id><published>2005-11-15T15:35:00.000-08:00</published><updated>2005-11-15T15:36:21.823-08:00</updated><title type='text'>SER OU NÃO SER CRENTE</title><content type='html'>-É crente?&lt;br /&gt;Uma pergunta que ouvi ainda hoje, naquela estação de rádio que sempre tomo como alternativa à confrangedora mediocridade das nossas emissoras, dos canais, todos os canais da nossa televisão… mas também o entrevistador deste programa, pretensamente cultural, achou que devia informar-se sobre a crença, ou ausência dela, no caso do seu entrevistado, ou entrevistada, porque se tratava de uma senhora, uma escritora espanhola que entrou na moda da literatura disfémica, que está a ser uma autêntica mina de ouro para as editoras.&lt;br /&gt;A senhora respondeu como geralmente respondem os que tomam a sério essa pergunta, sem, no entanto se preocuparem com o essencial, que, em meu entender, seria o de esclarecer o verdadeiro significado da palavra crente.&lt;br /&gt;Muito preocupada com a sua imagem, evitando uma resposta que despertasse nos “crentes” a suspeita de que não nutria respeito por eles, mas fornecendo ao entrevistador elementos suficientes para não a incluir entre aqueles que no fundo despreza.&lt;br /&gt;Por uns instantes subiu-me à superfície da memória todo o cortejo de pessoas públicas que, ao ser-lhe dirigida tal pergunta, nos dão um triste exemplo de malabarismo, em busca de respostas que não comprometam demasiado… até porque, mais uma vez, dando à pergunta uma seriedade que não pode ter, ficam à mercê dos preconceitos que a inspiram.&lt;br /&gt;Foi pensando nesse triste espectáculo que decidi sintetizar, para quem queira ver mais um aspecto da minha resistência ao nivelamento por baixo da nossa capacidade de pensar livremente, um artigo que encontrei numa revista espanhola que me chegou à mãos ontem.&lt;br /&gt;Eis algumas das ideias aí expostas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;«Se um dia, na rua, alguém me perguntasse:&lt;br /&gt;- O senhor é crente?&lt;br /&gt;Com toda a sinceridade e com desejo de escandalizar um poucochinho, responderia:&lt;br /&gt;- É claro que não.&lt;br /&gt;Seria uma forma como qualquer outra, de dizer que sou católico, uma vez que nesta sociedade moderadamente pagã e laicista, nós cristãos distinguimo-nos dos que o não são, não tanto por aquilo em que acreditamos, como pelas coisas em que nos não apetece acreditar.&lt;br /&gt;O paganismo é foi e é crente; é mesmo crédulo, supersticioso, idólatra, devotamente assustadiço diante das forças ocultas que imagina nos abismos das montanhas. (…)&lt;br /&gt;Por outro lado, o laicismo, versão século XXI, criou um elenco interminável de dogmas politicamente correctos que se apresentam a si próprios como artigos de fé covil, se proclamam por todos os meios e cristalizam em frases-tópico que todo o bom democrata deve repetir de vez em quando e aceitá-las religiosamente se não quer ser anatematizado pelos inquisidores e mandado para as trevas da reacção e do fundamentalismo.&lt;br /&gt;Por isso digo que não sou “crente” nem estou disposto a sê-lo.»&lt;br /&gt;Quem tem ouvidos para ouvir ouça.&lt;br /&gt;(&lt;em&gt;Mundo Cristiano&lt;/em&gt;, nº 535, pg. 8)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-113209778180955766?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/113209778180955766/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=113209778180955766' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113209778180955766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113209778180955766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2005/11/ser-ou-no-ser-crente.html' title='SER OU NÃO SER CRENTE'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-113190783979648259</id><published>2005-11-13T10:37:00.000-08:00</published><updated>2005-11-13T10:50:39.826-08:00</updated><title type='text'>O JUIZ INÍQUO</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/JUSTI??A"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/JUSTI%3F%3FA%201.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Esta tarde, num momento de divagação, a poupar as alavancas do racicínio sério, deixei que deambulassem pela memória, entre outras coisas, alguns factos relacionados com a aplicação da justiaça, nos últimos meses, em Portugal. E lembrei-me do que escrevi no meu diário, ontem, ao fim da manhã.&lt;br /&gt;Aí vai um pedaço:&lt;br /&gt;Assim… mergulhado na penumbra silenciosa da catedral, enquanto não chegam… (os clientes, sussurra, no fundo de mim mesmo, entre a seriedade e a brincadeira, uma voz que me irrita e que procuro silenciar, influenciado pelo sentido menos nobre da palavra cliente), enquanto não chegam as pessoas que, cada qual a seu modo, vêm pedir-me ajuda.&lt;br /&gt;Tento, antes de mais, saborear o belíssimo hino à Trindade com que iniciei a recitação da Liturgia das Horas.&lt;br /&gt;Depois, aquele &lt;em&gt;embora seja noite&lt;/em&gt;, as sombras que me envolvem e uma persistente névoa interior, atiram comigo para o evangelho que li e comentei há menos de uma hora:&lt;br /&gt;Sábado da semana XXXII, um texto típico de São Lucas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Naquele tempo, Jesus disse ais discípulos um parábola sobre a necessidade de orara sempre, sem desanimar: “Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havai naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente´.&lt;br /&gt;Escutai o que diz o juiz iníquo!... E Deus não havia fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas, quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra? (Lc 18, 1-8)&lt;br /&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Juiz iníquo…&lt;br /&gt;É evidente que o objectivo primeiro da parábola, segundo o testemunho do próprio evangelista, é ilustrar a necessidade da perseverança na oração e a sua eficácia.&lt;br /&gt;Mas podemos perguntar-nos onde está a iniquidade deste juiz, tão severamente censurado pela narrativa:&lt;br /&gt;Não é, com toda a certeza, no facto de, como ele próprio confessa, não temer a Deus, nem respeitar os homens. Isso, quando muito, merecia que o classificássemos de ímpio, sem religião e sem simpatia pelas pessoas. Mas se o classificamos de juiz iníquo é porque falha no exercício da sua profissão: a iniquidade de um juiz, portanto, é uma questão profissional, não religiosa.&lt;br /&gt;E, de facto, o protagonista da nossa parábola, é um péssimo profissional.&lt;br /&gt;Sem perdermos tempo em análises mais complexas, é evidente que um juiz que age só sob pressão, mesmo que no fim lavre uma sentença tecnicamente justa, não dá corpo àquilo que é essencial a todo o sistema judiciário: acessível, rápido, objectivo e isento.&lt;br /&gt;Na nossa tradição cultural, a justiça representa-se normalmente com uma figura de mulher, de olhos vendados, segurando uma balança.&lt;br /&gt;De olhos vendados, para não ver nada que possa levar o juiz a influenciar o pendor dos pratos da balança.&lt;br /&gt;Estou em crer que hoje, no império dos meios de comunicação social, deveríamos representar a justiça também de ouvidos tapados.&lt;br /&gt;Aliás, Pilatos, que bem se pode tomar pelo protótipo do juiz iníquo, agiu mais sob a pressão do que ouviu do que sob a influência do que viu.&lt;br /&gt;Talvez fosse bom não fecharmos os olhos aos Pilatos dos nossos dias, que abundam no meio judiciário, com outros tantos Cristos julgados sob pressão, e que podemos ser também nós –Cristo ou Pilatos, ou os dois simultaneamente…&lt;br /&gt;Quem tem ouvidos para ouvir ouça... como no Evangelho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-113190783979648259?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/113190783979648259/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=113190783979648259' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113190783979648259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113190783979648259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2005/11/o-juiz-inquo.html' title='O JUIZ INÍQUO'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-113175682608978329</id><published>2005-11-11T16:44:00.000-08:00</published><updated>2005-11-11T16:53:46.103-08:00</updated><title type='text'>A SAGA DO VÉU</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/V??U"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/V%3F%3FU%201.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;De repente, tive a sensação de me encontrar nos finais do século XVIII, quando expressões como &lt;em&gt;liberdade religiosa&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;separação da Igreja e do Estado&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;sociedade laica&lt;/em&gt;, significavam, tanto na mente dos seus utilizadores como nos factos que inspiravam, antes de mais e acima de tudo, cerceamento das liberdades relacionadas com a religião e o culto, intromissões inaceitáveis do poder político na esfera religiosa, perseguição aberta à Igreja: &lt;br /&gt;Foi o período difícil da gestação dos grandes princípios que regeriam a futura sociedade democrática; e, ou por falta da linguagem adequada, ou por representações mentais não suficientemente superadas, a novidade não sabia impôr-se sem atacar as instituições que traziam consigo as nem sempre positivas marcas da história.&lt;br /&gt;Dois séculos depois, tudo parecia superado, apesar  da teimosa permanência de certos hábitos legislativos.&lt;br /&gt;O pior é que alguns desses hábitos se têm agarrado como cogumelos ao tronco carcomido desta Europa sem alma, cujo envelhecimento se torna tanto mais crónico, quanto mais cresce a tirania do económico e do politicamente correcto.&lt;br /&gt;Qualquer espírito lúcido se dá conta disto e descobre nessa tirania as raízes da crise por que estamos a passar.&lt;br /&gt;Não presumo ser um desses espíritos, mas a inquietação que se apoderou de mim quando, vai para dos anos, a França saiu como saiu, se é que saiu, da ridícula crise do véu, transforma-se em angústia, quando um tribunal internacional – a funcionar na Europa – vem dizer que o governo turco o cumpre o seu dever ao proibir uma jovem muçulmana de entrar na Universidade com o chamado “véu islâmico”: tal proibição, ensina o referido tribunal, corresponde à tutela dos direitos humanos.&lt;br /&gt;Mas que direitos?&lt;br /&gt;Será que a liberdade religiosa se defende proibindo os crentes de manifestar a respectiva crença?&lt;br /&gt;O que é, afinal, a tolerância?&lt;br /&gt;Será verdadeiramente democrático um regime que ignora a dimensão religiosa dos cidadãos? E quando proíbe que eles vivam essa dimensão no que ela tem de político ( isto é, de relação com a polis)?&lt;br /&gt;Que humanismo tem a União Europeia para oferecer à Turquia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-113175682608978329?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/113175682608978329/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=113175682608978329' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113175682608978329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113175682608978329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2005/11/saga-do-vu.html' title='A SAGA DO VÉU'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-17554383.post-113170194781495099</id><published>2005-11-11T01:31:00.000-08:00</published><updated>2005-11-11T01:39:07.826-08:00</updated><title type='text'>A TRAGÉDIA DA ARANHA</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/1600/TEIA%202.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/1530/976/320/TEIA%202.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A história, muito adornada com imagens de todo o tipo, encheu de encanto a minha adolescência, um pouco perdida na floresta de sonhos que quase a esmagavam, retardando o corte das amarras que a impediam de superar-se a si própria.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Era uma vez…&lt;/em&gt; começava o pregador – esquecia-me de dizer que estávamos em retiro, (o “retiro anual”, que, nesse tempo, durava cinco dias completos) –&lt;em&gt;era um vez uma jovem aranha que, no seu afã de autonomia e aventura, depois de percorrer bosque em busca de um espaço para se instalar, segundo as exigências da sua natureza de sugadora de insectos voadores, escolheu uma preciosa clareira, onde, pondo em acção toda as capacidades da sua juvenil tecnologia, instala uma teia que, a uma altura suficiente para não sofrer os embates dos animais de vista baixa – entre os quais ela incluía o homem – poda aprisionar precisamente os insectos de sangue mais fresco.&lt;br /&gt;E aranha, instalada na sua teia, que revistava com frequência, reparando algum fio mais gasto pelas caçadas que favorecia, foi engordando, engordando, engordando… mas foi também perdendo a memória, que diminuía na proporção em que aumentava o seu peso. Esqueceu-se, por conseguinte, de muitos procedimentos absolutamente necessários à sua manutenção. E começou a querer modernizar a teia, eliminando dela tudo o que lhe parecia pouco consentâneo com o progresso das técnicas aracnídeas mais avançadas.&lt;br /&gt;Neste afã de modernizar, cada vez mais desmemoriada, começou também a cortar os fios que não sabia como justificar: foi cortando, cortando, cortando… até que um dia, a teia, sem as amarras que a sustinham no alto, veio parar ao chão. A pobre aranha, tão gorda e velha como estava, nem chegou a perceber o que lhe acontecera. Ficou para ali, à espera do primeiro passante, que, distraído com os seus próprios objectivos, a esmagaria impiedosamente.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Procurei reconstituir a narração da fábula, contada naquele retiro, já não me recordo exactamente a que propósito (estou a ficar um pouco como a aranha).&lt;br /&gt;Não me recordo a que propósito foi contada, mas devo dizer que ela me vem insistentemente à memória, perante o que se está a passar nesta Europa, que alguém classifica de rica, velha, gorda e estéril.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quem tiver ouvidos para ouvir ouça&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/17554383-113170194781495099?l=augaspas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://augaspas.blogspot.com/feeds/113170194781495099/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=17554383&amp;postID=113170194781495099' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113170194781495099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/17554383/posts/default/113170194781495099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://augaspas.blogspot.com/2005/11/tragdia-da-aranha.html' title='A TRAGÉDIA DA ARANHA'/><author><name>Augusto Ascenso Pascoal</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04097565021989724009</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
